Fala, Sombra! – No que querem transformar o SPFC?

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Antes de mais nada, fico feliz em retonar a este espaço e poder voltar a falar das coisasdo nosso S.P.F.C em mais um veículo, além do Estádio 97 da rádio Energia 97FM, onde ampla maioria já acompanha minhas opiniões.

Em tempos de vacas magras é normal que nossa memória recorra aos bons momentos do passado. Talvez por eu ser um torcedor já em fase mais madura (ou velho mesmo, rs) possivelmente acima da média de idade dos leitores deste site, sou de 1969, minha infância e adolescência abrangeu principalmente anos 70 e 80. Pois bem, nessa época os são paulinos costumavam ser minoria nas classes que eu estudava, e a brincadeira dos rivais era dizer que SPFC significava “seu pai fabrica cuecas”. Brincadeira ingênua, típica do comportamento social daquele tempo, sem maldades.

E era o que os rivais podiam dizer. O clube era de vanguarda, considerado o proprietário maior estádio particular do mundo, ganhava muitos títulos paulistas, ganhou seu primeiro Brasileiro e assim permaneceu até meados dos anos 90. Aliás, de 70 em diante, o Tricolor foi realmente um papa títulos.

Hoje, com muita tristeza, vejo que paramos no tempo. Ou melhor, desde as ultimas conquistas mais importantes, deitamos em berço esplêndido, adotamos a soberba como comportamento usual, às vezes com palavras ou slogans (leia-se “soberano”), às vezes como métodos administrativos e técnicos, principalmente no que tange ao futebol. O torcedor, no emocional e ,por que não eu também, vibrou com tudo isso.

Éramos àquela altura os bons, os melhores, soberania!

Hoje, somos uma instituição de bonita história, de grandes títulos, que ainda pode se vangloriar de termos três títulos mundiais e três Libertadores, mas parada no tempo.

Perdemos o bonde na história na questão da reforma do Morumbi ao não aproveitar o otimismo e ambiente econômico salutar em meados dos anos 2000. Quem não queria investir no Brasil naquele período? No plano técnico assumimos postura de que a estrutura do clube seria mais necessária que a capacidade das pessoas. Basta entrar no terreno sacrossanto e a magia da capacidade tornaria aquele profissional num jogador especial, um técnico vencedor. Adilson Batista, Baresi…

A meu ver, clubes tem “donos”, os famosos conselheiros. Os donos de outrora tinham mais visão. Boa parte dos de hoje são míopes, mas enxergam o suficiente para lerem suas carteirinhas de adjuntos disso ou daquilo. E temo que não consigamos reverter essa tendência de declínio qualificativo de seus integrantes, porque assim é a sociedade, e um conselho de clube é um microcosmo do que acompanhamos na sociedade política brasileira.

Logo o SPFC que só conseguia ser “ofendido” (como se assim fosse) infantilmente por “seu pai fabrica cuecas” em alusão à sua sigla, hoje poderia receber alcunha de “saco de pancadas futebol clube”. E não me parece injusto.

 

sombra
Hilton Malta é o SOMBRA do Estádio 97, da Rádio Energia 97.7 FM. São Paulino desde 1969, escreverá nesse espaço todas as quartas-feiras.

Twitter: @sombra97fm
Email: [email protected]

 

 

Comentários

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2 COMENTÁRIOS

  1. Fala Sombra, legal de ter aqui no site, sou fã do Estádio, ouço desde os tempos da faculdade (Biancalana e Cibradis), vai algum tempo ai.
    Concordo contigo sobre a soberba que o SPFC adotou e não acho errado, futebol é também provocação e tiração de sarro, faz parte em um pais que respira futebol. Porém deve-se “aguentar” o rebote e saber se livrar da situação quando ela fica feia, não estamos sabendo. Nossas últimas diretorias fizeram do clube seu quintal particular, utilizaram o prestígio e história do SPFC para nutrir seus egos e bolsos, enfiando o time em uma situação muito delicada, financeira, administrativa e perante os rivais. Ao meu ver falta ao clube profissionalismo, gente séria, profissionais que queiram fazer história decorrente de seu trabalho e de sua competência e não de blá blá blá, até porque conversa bonita não ganha jogo. Acredito que começamos um caminho mais realista este ano, mudamos algumas pessoas e parece que adotamos uma linha de trabalho, que pode dar errado, mas pelo menos temos uma, coisa que não ocorria a muito tempo. Eu tenho esperança no trabalho do Bauza, parece ser um cara com discernimento sobre a grandeza do clube e o caminho duro que temos que percorrer. Nós torcedores devemos saber que o clube fez muitas besteiras para chegar a este ponto e a coisa não se resolve do dia para noite. Discordando do amigo que escreve acima, não creio que Abílio Diniz seja a solução para nada, um cara do gabarito dele não entra em uma batalha para somar (que é o que precisamos) ele quer dominar e tirar ao máximo proveito da situação. Deixe ele no varejo e fazendo fofoquinhas através de sua coluna em portal esportivo. A atitude dele defendendo com unhas e dentes o Milton Cruz é prova que de futebol ele não conhece muito.
    Tenho fé que logo vamos voltar ao nosso protagonismo, futebol é assim, aliás a vida é assim, altos e baixos. Todos os grandes clubes do mundo já tiveram seu calvário e nós apesar de soberanos também estamos tendo o nosso.