Coluna do Fajopa – Jogo dos Sete Erros

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Quarta-feira, dia 11/05 será um dia histórico para o Brasil, que verá mais um Presidente (dessa vez uma Presidente), ser afastada do poder através de um processo de impeachment. Para o são paulino poderá ser um dia histórico também, com certeza em um Morumbi novamente lotado, mas que não anda alcançando os 60 mil pagantes mesmo com os ingressos todos vendidos, pois pode ser o início do fim de um jejum incômodo, evitar que o Atlético Mineiro seja o 8º brasileiro a nos eliminar nas últimas 8 edições da maior competição Sulamericana.

Até o São Paulo perder seu primeiro confronto para o Internacional em 2006, na final da Libertadores, tínhamos um aproveitamento muito bom contra times brasileiros, eliminando o Palmeiras por 3 vezes, Flamengo e Criciúma. Naquele confronto o São Paulo chegava como favorito ao título e via sua diferenciada dupla de volantes sendo desmantelada, primeiro Josué, expulso de maneira absurda por uma suposta cotovelada que não ocorreu. Depois conseguiram quebrar Mineiro, que ainda assim continuou em campo. Até o momento que jogávamos com um a menos dominamos completamente o Internacional. Estranhamente, após a expulsão do violento Edinho e as duas equipes com dez jogadores, o São Paulo se perdeu em campo e virou presa fácil. No final 2 a 1 e apenas uma vitória por dois gols no Beira Rio representaria a conquista de mais um bicampeonato e nosso 4º título.

No jogo da volta o São Paulo por pouco não levou o jogo para a prorrogação, perdendo gols incríveis com Lugano no começo de jogo e no final com Alex Dias (o rei dos gols perdidos), que poderia ter cabeceado para trás onde fatalmente Fabão faria o gol. O time colorado tinha tido um jogador expulso e se segurava desesperadamente para evitar o gol que levaria o jogo para a prorrogação. Não deu, o goleiro Clemer foi muito bem, mas o time são paulino deu mostras que mesmo sem Josué e Ricardo Oliveira, que conseguiram evitar que jogasse a final (dizem que a Diretoria Colocada agiu fortemente com o Bétis), poderia ter conquistado o título, mesmo na casa do adversário. Coisas do futebol.

Em 2007 o São Paulo foi eliminado de novo para um time gaúcho, dessa vez pegamos o Grêmio na oitavas, que perdeu a primeira por 1 a 0, mas no jogo de volta fez 2 a 0 com extrema facilidade, com o Tricolor não jogando absolutamente nada, totalmente apático em campo. Em 2008 foi a vez do Fluminense nas quartas, vencemos por 1 a 0 no Morumbi, perdendo um monte de gols e no Maracanã o São Paulo empatava por 1 a 1, obrigando o time das laranjeiras a marcar pelo menos mais dois gols. Eles fizeram 2 a 1 e o jogo se encaminhava para o final quando Washington ganhou de cabeça e fez o 3 a 1 extremamente doído para a torcida Tricolor. Mais uma vez, de novo em um final de jogo, éramos privados de jogar contra o Boca. Aconteceu em 2004 quando o Once Caldas nos eliminou no final e com o Fluminense, que acabou chegando a final, mas perdendo para a LDU de Bauza.

Em 2009 o São Paulo foi presa fácil do Cruzeiro de Kléber, perdendo no Mineirão e depois no Morumbi. O goleiro naquela partida, 2 a 0 para a Raposa, foi Denis. No ano seguinte enfrentamos o Cruzeiro de novo e com ótima atuação do saudoso Fernandão, que estreava, ganhamos no Mineirão. Depois vencemos no Morumbi e fomos adiante para as semifinais enfrentar o Internacional, partida que ocorreu apenas após a Copa do Mundo. Na primeira partida uma atuação pífia, quando não chutamos uma única bola no gol. Na volta uma vitória por 2 a 1, insuficiente para nos levar a final por causa desse gol que tomamos em casa.

Em 2013 enfrentamos nas oitavas de final o mesmo Atlético Mineiro do confronto dessa quarta. Quis o destino que as duas equipes que atuaram no mesmo grupo se enfrentassem novamente, depois de uma vitória para cada um em seus domínios. O São Paulo em 20 minutos poderia ter liquidado o confronto, fez um a zero com Ganso e Ademílson perdeu 3 gols incríveis na cara do gol. Estive atrás daquele gol e foi impressionante o que aconteceu. Depois desse domínio impressionante o zagueiro Lucio foi juvenil e foi expulso por uma entrada violenta. No final 2 a 1 para o Atlético de Ronaldinho Gaúcho, que comandou o show no jogo de volta, quando tivemos nossa pior derrota, um 4 a 0 vergonhoso.

No ano passado enfrentamos o Cruzeiro pela 3ª vez, novamente vencendo por 1 a 0 em casa, gol dele, Centúrion, que não irá atuar nos confrontos pela expulsão infantil contra o Toluca. O goleiro Fabio foi o grande destaque, evitando mais gols do São Paulo. Na volta, naquele que poderia ser o último jogo de Rogério Ceni na Libertadores, como acabou sendo, o São Paulo perdeu de 1 a 0 e o jogo foi para os penais. O Cruzeiro foi mais competente e nos eliminou.

Sete lembranças tristes para o torcedor Tricolor, por cinco vezes conquistamos uma vitória mínima, que foi insuficiente mesmo não levando gol em casa.  Perdemos em casa duas vezes, depois de jogarmos com um a menos durante boa parte do jogo. As lições que tais confrontos trazem é que se conquistarmos uma vitória na quarta por pelo menos dois gols de diferença, poderemos jogar mais tranquilos no Mineirão, por isso é importante o time finalizar com competência e maior atenção, assim como é importante o equilíbrio psicológico, pois jogaremos contra uma equipe mais experiente que a nossa, alguns jogadores da safra campeã de 2013 e atitudes como a de Centúrion ou entrar em brigas bobas podem prejudicar a equipe.

Outro ensinamento é que a mesma vibração que a equipe demonstra no Morumbi, deve demonstrar fora de casa. Não adianta o time assumir uma postura totalmente defensiva e deixar o adversário tomar conta do jogo, como ocorreu por várias vezes nesses confrontos que estou relembrando nessa coluna. As atuações contra o Grêmio em 2007 e Internacional em 2010 são claros exemplos de como não se deve atuar na casa do adversário, foram vergonhosas, não era o São Paulo Futebol Clube que estava em campo, mas um time covarde.

Essa Libertadores é mais uma daquelas que assim que os confrontos das quartas se encerrarem, a competição só voltará nas semifinais após a inútil Copa América. Isso ocorreu em 2010 e  de certa maneira atrapalhou o São Paulo, que após o confronto contra o Cruzeiro estava voando em campo. Ocorreu em 2006, mas nem digo que nos prejudicou, não mais do que a atuação horrorosa do juiz no jogo do Morumbi. Naquele intervalo sem Libertadores o Internacional em 2010 agiu, demitiu o treinador Jorge Fossati que não agradava ninguém apesar da classificação colocou Celso Roth em seu lugar, que por incrível que pareça acabou campeão no final. Coisas do futebol.

Que a quarta-feira traga boas vibrações não só para o nosso país, mas para o nosso Tricolor, que precisa encerrar essa sina incômoda de ser eliminado por clubes brasileiros. Um tabu sempre está mais perto de ser encerrado com o passar dos confrontos e espero que nessa quarta-feira possamos escrever uma nova história e caminhar para nossa quarta Libertadores.

Vai São Paulo!!!!

Fábio José Paulo (FAJOPA) é economista, tem 41 anos, passou por São Paulo Mania, Site Proibido e SPNET (de 2003 à 2006), é pai da Thaís e escreve nesses espaços todos as segundas-feiras.

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  1. Minha única preocupação é algum jogador entrar muito “pilhado” e acabar sendo expulso. Nosso time sofre com as provocações em campo e alguns jogadores gostam de parecer o rei da raça. Tenho medo do Hudson, Wesley (se jogar), Bruno e Rodrigo Caio.
    Não acho que somos favoritos, porém o Atlético não é todo este time que falam, Robinho e Pratto podem fazer a diferença e precisam ser bem marcados. Feito isso é jogar na pressão que eles entregam.