Coluna do Fajopa – Soberba, a Raiz de Nossos Males

1
148

Os últimos anos não tem sido fáceis para o são paulino, vítima de administrações egocêntricas e ruins, como as do Juvenal em parte de seu segundo mandato e terceiro mandato golpista e Carlos Miguel Aidar, comprovadamente um corrupto, expulso merecidamente do Conselho. Muitas derrotas vergonhosas, eliminações até mesmo para times pequenos que sempre passávamos por cima, derrotas recorrentes para Santos e Corinthians (ultimamente até para o Palmeiras), presa fácil de times brasileiros em mata matas na Libertadores, contratações e jogadores ruins envergando nosso manto e uma certa malemolência em muitos momentos que fez com que a torcida transformasse a RAÇA em motivo principal de críticas, apesar que o futebol que andou faltando, e muito nos últimos tempos.

Na última quinta-feira o São Paulo chegou para o confronto contra o Toluca depois de uma classificação bem complicada na primeira fase, sofrendo na altitude de La Paz, saindo atrás do placar, tendo um zagueiro no gol por pelo menos 5 minutos, mas demonstrando muita vontade em campo, a mesma demonstrada nos dois confrontos contra o River Plate e em casa contra o fraco Trujillianos.

Além desse retrospecto sofrido que resultou em 9 pontos de 18 possíveis, um aproveitamento de apenas 50% e a segunda colocação do grupo, o São Paulo chegou as oitavas de final como azarão contra o Toluca, mesmo o time mexicano vindo para o Brasil com o desfalque de 6 jogadores. Passada a partida e a atuação emocionante, deslumbrante, aguerrida e todos os adjetivos positivos que você puder imaginar, para alguns da imprensa o São Paulo já se torna um time a ser temido e um dos postulantes ao título. Para o torcedor o perigo da soberba aparece.

Devagar com o andor caro Tricolor, é certo que fiquei verdadeiramente emocionado com a atuação de quinta-feira, principalmente após o segundo gol, um gol de redenção para um jogador que foi importante na Libertadores passada, mas que há algum tempo vinha com problemas fora de campo e dentro dele, pois nada dava certo. Prudência galera, nada de Soberano, Jason, O Campeão Voltou, até porquê acho que esses apelidos e esse canto explicam muito dessa nossa fase de apenas um título desde o histórico tricampeonato brasileiro de 2008. São exemplos acabados da soberba Tricolor.

A partir de dezembro do sensacional ano de 2008, gol de Borges e o tricampeonato brasileiro contra o Goiás, o São Paulo entrou em uma espiral descendente que afetou tudo aquilo que mais prezávamos, que era gritar para nossos rivais que nosso time era temido, que nosso estádio era o melhor de São Paulo, que nossa comissão técnica fixa era sensacional, que nosso CT era espetacular e dava de dez a zero em qualquer outro, que nossos patrocínios eram qualificados, que nossa administração era diferenciada, que os melhores jogadores escolhiam o Morumbi quando tinham propostas de outros clubes e que nossa situação financeira era invejável. Mesmo com boa campanha no Brasileiro 2009 e uma semifinal da Libertadores 2010, já tínhamos problemas, algo de estranho acontecia com o Tricolor.

Caro torcedor, se você ainda não se deu conta disso, saiba que em todos os quesitos, os nossos rivais de São Paulo nos igualaram ou até mesmo ultrapassaram, assim como muitos clubes de fora de São Paulo. Quem diria que o caótico Corinthians, rebaixado em 2007, daria a volta por cima que deu? Até estádio eles possuem agora, pode ter sido uma conquista com conchavos políticos, etc, mas o estádio está lá, eles tem que pagá-lo, mas estão conseguindo receitas com ele e dizem que estão prestes a fechar os tais “naming rights”.

E o Palmeiras, que tinha sérios problemas financeiros, anda fazendo muito dinheiro com shows e jogos em sua Arena, que realmente é um belíssimo estádio e não sou menos são paulino por constatar isso. Todos os grandes de São Paulo agora tem CTs muito bons, o nosso rival do Litoral pode se vangloriar de descobrir ano a ano jovens promissores e tem a coragem de lança-los, o que o São Paulo infelizmente não tem, apesar que a ida de Luiz Antônio da Cunha possa corrigir isso.

Internacional e Cruzeiro são exemplos fora do Estado, o Atlético Mineiro ganhou a Libertadores e passou a disputar os títulos, o que só mostra que a competição aumentou, que aquele grupo de três ou quatro equipes que brigavam pelos títulos, passou a contar com pelo menos mais dois ou três.

E o patrocínio máster? Como um clube que tem a terceira maior torcida do Brasil, com um perfil qualificado de torcedor, não consegue um bendito patrocinador que aceite pagar 20 milhões pelo menos? Nossa camisa virou um outdoor para patrocínios bem fora do target de nossa torcida e tivemos a vergonha de ter uma empresa como BMG, o Banco do Mensalão, na nossa camisa. Sabe como isso aconteceu?

Lembrem-se da soberba e do mal tratamento recebido pela LG, nosso último patrocínio verdadeiramente decente e com o perfil de nossa torcida. Jogaram no lixo uma renovação certa com a LG, maltrataram a empresa com a soberba de achar que alguma empresa pagaria 30 milhões de reais pelo patrocínio, o que nunca aconteceu. Os meses foram passando, os  anos foram passando, assim como marcas de ocasião que foram sendo trocadas muitas vezes jogo a jogo. As administrações tricolores foram mostrando sua faceta incompetente e corrupta e essa imagem foi passada cada vez mais ao mercado, que não quer se associar a um clube tão complicado e que cometeu erros tão primários nos últimos tempos.

A gestão Leco vejo como um resgate daquilo que tínhamos de mais caro, que era um clube bem administrado e de certa maneira que trabalha quietinho, sem alarde, de maneira humilde, colhendo os frutos pelo bom planejamento. Algumas decisões me tornam esperançoso, com a Fé recobrada, afinal somos na verdade O Clube da Fé, esse tal de Soberano, Jason e outras porcarias, são apenas símbolos desse São Paulo que deixou de ser SÃO PAULO.

Repetindo a vontade de jogos contra o River e o Toluca, na condução calma e segura do bicampeão Bauza, no bom ambiente que o elenco parece ter recuperado com as chegadas do Luiz e do Pintado, na recuperação de Michel e Centúrion, podemos sim brigar pelo título, mas vamos na manha, um passo de cada vez, fazendo nossa parte ao encher o Morumbi e empurrando o São Paulo para cima de quem vier pela frente.

Sem soberba…

Fábio José Paulo (FAJOPA) é economista, 41 anos, é pai da Thaís e escreve nesses espaços todos as segundas-feiras.

[email protected] https://www.facebook.com/fabio.j.paulo.3

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

Comentários

comentários

1 COMENTÁRIO

  1. Concordo que a Soberba da diretoria apenas faz mal, a atual tem trabalhado bem e em silêncio. Infelizmente a internet hoje é um caldeirão, e alguns sites extraoficiais já começam a falar em reforços com uma Libertadores em pleno andamento.