Coluna do Fajopa – UM TIME BIPOLAR

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E lá se vão 28 dias desde minha última coluna e 40 dias desde a derrota (vitória) para o Galo que nos levou para a semifinal da Libertadores. Durante esse período muita coisa ocorreu dentro de campo, fora dele e no departamento médico, que recebeu diversos jogadores titulares contundidos.

Desde aquele inesquecível 18 de Maio o São Paulo fez dez jogos, conquistando 12 pontos apenas, ou seja, 3 vitórias (contra Palmeiras, Cruzeiro e Vitória), 3 empates (contra Coritiba, Flamengo e Sport) e 4 derrotas (em casa contra Internacional e Atlético-PR, fora contra Figueirense e nesse domingo contra o Santos). As vitórias foram justas, mas nesses empates poderíamos ter conquistado a vitória contra o Coritiba e Sport, mas merecíamos uma derrota contra o Flamengo. Nas derrotas merecíamos um empate contra o Internacional e vencer o CAP, mas futebol é isso, nem sempre você conquista o resultado pelo que produziu em campo, assim como as vezes ganha jogos que não merecia.

O São Paulo, desacreditado no início do ano pelas parcas contratações, pelas dívidas, pelas confusões em sua Diretoria, chegou onde ninguém imaginava, na semifinal da Libertadores, tendo amplas chances de ir para a final devido aos prováveis desfalques do time colombiano, que também entrou em um período de férias e deve sofrer para manter o mesmo ritmo do primeiro semestre. A Copa América chegou para de novo atrapalhar o futebol sulamericano, é lamentável que uma competição tão importante tenha que parar pela falta de planejamento da Conmebol.

O São Paulo por diversas vezes teve confrontos na Libertadores após uma parada, os casos mais recentes ocorreram em 2006 e 2010 e a volta não foi boa para nós. Agora talvez possamos ser beneficiados.

Preocupante os números, foram 30 pontos disputados e apenas 12 pontos conquistados desde então, pois os outros 3 conquistamos no domingo anterior ao jogo contra o Galo, uma vitória por um a zero contra o Botafogo, com o time reserva. Os gols rarearam, foram apenas nove, com a defesa levando onze gols. Até a partida contra o Botafogo não tínhamos nenhuma vitória no ano jogando fora de casa. Com o time mais ou menos titular conseguimos mais uma vitória contra o Cruzeiro, mas com o time efetivamente titular não conseguimos ganhar nem contra os pequenos times do futebol de São Paulo.

Dentro de casa na Libertadores só conquistamos vitórias, mas desde o 18 de Maio tivemos cinco jogos no Morumbi, com duas derrotas, duas vitórias e um empate. Um retrospecto péssimo, no mesmo nível do retrospecto que tínhamos no Pacaembu durante o Paulista.

Muita gente vai dizer que os desfalques explicam muito dessa fase, mas eu prefiro achar que o que anda faltando é aquele foco que existia durante a Libertadores, com o time vibrando de uma maneira impressionante e procurando se impor em campo, como fez contra o Toluca, principalmente. Contra o Galo foi um jogo igual, mas se o time não foi tão bem quanto no confronto anterior, compensou com a raça e vontade, sempre importantes.

Temos um time bipolar, bom para o nível do futebol brasileiro se considerarmos a equipe titular, mas insuficiente em termos de elenco, basta verificar como estamos sofrendo na lateral esquerda. Mena não é nenhum craque, mas é um bom marcador, muito acima do Matheus Reis, que tem muita vontade, mas deixa muito a desejar tecnicamente e defensivamente. Na lateral direita temos o Bruno, que melhorou sua produção mas ainda não é o lateral dos sonhos, mas seu reserva imediato agora é o Caramelo, que é muito rápido, mas muito fraco tecnicamente.

Na zaga temos Maicon, que não sabemos se fica, Rodrigo Caio, que voltou muito mal da Copa América, Lucão que dispensa comentários, Lyanco que é bom mas não joga e Lugano, que até vem fazendo partidas acima do que eu esperava, mas sua maior colaboração é do lado de fora, com sua experiência.

Entre os volantes Thiago Mendes e Hudson são titulares, João Schmidit, que foi muito mal contra o Santos, pode suprir a ausência de qualquer um dos dois. De resto é complicado, não dá para confiar nos garotos ou em Wesley, que até melhorou sua produção, mas seu passado o condena. No meio temos um indiscutível Ganso, se perdermos ele fica bem complicado. No ataque perdemos Kelvin para as semifinais, muito provavelmente, uma perda terrível, pois é um jogador importantíssimo taticamente. Talvez o garoto Luiz Araújo seja o melhor substituto, mas duvido que Bauza não vá usar Centurion, que compensa do lado tático apesar de estar muito mal tecnicamente.

No ataque se perdermos Calleri estaremos fritos, pois Allan Kardec está muito mal, não conseguiu fazer um golzinho sequer nas várias partidas em que atuou. Ytalo é bom jogador, mas não substitui Calleri caso a gente perca esse jogador. Cada vez fica mais claro que precisamos de um atacante de ótimo nível, pois acabando a Libertadores provavelmente não teremos mais o argentino.

É um momento estranho do São Paulo, Bauza inclusive pretende poupar os principais jogadores para não perder ninguém. Será que não irá faltar ritmo de jogo para os jogadores que estiverem voltando? Não irá faltar entrosamento? Se o São Paulo passar adiante o treinador argentino será celebrado pela imprensa, se não passar, o treinador argentino será execrado pela imprensa e provavelmente pelos conselheiros e pela nossa torcida, muitos aliás do meu grupo de conhecidos já estão bem irritados com o que o São Paulo vem apresentando.

Confio em Bauza, ninguém tem dois títulos de Libertadores com times menores à toa. Se na primeira fase, quando nossa eliminação estava bem próxima, ele conseguiu trazer os jogadores para o seu lado, inclusive colocando nosso principal jogador no banco sem ele reclamar, acredito que nesses dez dias que restam para o confronto ele irá mostrar a importância da conquista da Libertadores para o restante do ano Tricolor.

Não acredito que iremos brigar pelo título brasileiro, inclusive se não tivermos algumas contratações eu acho que nem vaga para a Libertadores conquistaremos. Uma conquista da América terá efeito benéfico semelhante ao ano de 2005, quando até chegamos a estar na zona do rebaixamento por algumas rodadas logo após a conquista do Tri, mas aos poucos o time foi crescendo e passou a levar as partidas mais a sério, tendo conseguido ótimas atuações que ajudaram a preparar o time para o Mundial.

Que nosso time bipolar possa retomar atuações como contra o Toluca, que reputo como uma das melhores atuações do São Paulo nessa década. Foi uma atuação de encher os olhos, que possamos no dia 06 encaminhar nossa classificação para a final com uma atuação parecida com aquela.

Pra cima deles São Paulo!!!!

Fábio José Paulo (FAJOPA) é economista, tem 41 anos, passou por São Paulo Mania, Site Proibido e SPNET (de 2003 à 2006), é pai da Thaís e escreve nesses espaços todos as segundas-feiras.

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