Coluna do Fajopa – GOOD VIBRATIONS

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Tenho ótimas lembranças do ano de 2005, não apenas como torcedor Tricolor feliz pelas 3 conquistas no ano, mas porquê foi um ano importante na minha vida e onde tive um grande crescimento pessoal do alto dos meus 30 anos. Foi o ano em que depois de um tempo separado de minha esposa pudemos retomar nossa vida em comum e voltar a viver juntos, o que continuamos a fazer desde então, com altos e baixos como é a vida de todo casal.

Foi um ano de muita proximidade com amigos e parentes e muitos jogos e eventos com a SPNet. Fizemos um evento fantástico comemorando os 75 anos do Tricolor (considerando 1930 como a fundação), mantínhamos uma quadra de society alugada aos sábados onde uma galera jogava e pelo menos uma vez por mês fazíamos um churrasco, sempre muito concorrido e nos jogos fora de casa nos reuníamos no saudoso Bar Campo Belo, a cada fase da Libertadores cada vez mais lotado. Na final contra o CAP no Beira Rio o bar recebeu muita gente e até a Rede Globo esteve lá para cobrir, com o jovem e sorocabano repórter Ivan Moré, que ficou irritado com nossa insistência em mostrar a bandeira da SPNet para as câmeras. Éramos bem “marqueteiros” e o sucesso do site na época tinha muito a ver com essa capacidade de nos promover.

Foi um grande ano e 11 anos depois estamos em mais uma semifinal de Libertadores, 6 anos depois da eliminação frente ao Internacional, última vez em que alcançamos essa etapa tão próxima da cobiçada taça. Libertadores é a praia do torcedor Tricolor, perdemos o sono por causa dela, nos desesperamos se não estamos na disputa, como ocorreram algumas vezes nos últimos anos. Pior ainda é ver nossos rivais disputando e indo adiante.

Nesse domingo perdemos da Ponte Preta depois de uma atuação muito estranha do juiz, que deu amarelo ao Matheus Reis e depois que viu um sangue na perna do jogador ponte pretano e instigado pelo treinador Eduardo Baptista, decidiu mudar a cor do cartão. Isso logo no começo do jogo, atrapalhando todo um planejamento de Bauza, que foi expulso e se viu obrigado a tirar o jovem Luiz Araújo para colocar Carlinhos. Perdemos, nem jogamos tão mal assim, mas no radar do torcedor são paulino ele só enxerga o dia 06, a quarta feira às 21h45, o duelo contra o Atlético Nacional da Colômbia, que pode ser a redenção de um irregular time são paulino no ano, que vai para o confronto desfalcado de Kelvin e Ganso e pode não ter Mena e Hudson também.

Mas é Libertadores, é Morumbi lotado, atmosfera fantástica, os jogadores irão chegar de ônibus e ver aquele mar vermelho de bandeiras, sinalizadores, uma histeria que só a Libertadores consegue proporcionar. Jogos a noite, dias frios, uma torcida são paulina diferente daquela que vai aos jogos no Brasileiro. Parece que o torcedor sente que ele também precisa se transformar em um tipo diferente de torcedor e ele cosegue fazer isso, ajudando o São Paulo a ter um retrospecto espetacular dentro do Morumbi. Esse é o nosso grande trunfo para quarta-feira.

O torcedor são paulino só torce por algum time brasileiro se o confronto reunir um rival de São Paulo e uma equipe de fora. Mas passado esse momento passamos a secar o(s) time(s) brasileiro(s) que restar(am), pois não toleramos ver algum outro torcedor feliz em conquistar o torneio que é nossa especialidade. Em 2007 torci pelo Boca contra o Grêmio, em 2008 vibrei com a LDU de Bauza tirando o título da equipe que nos eliminou no finzinho do jogo, vibramos com a derrota do Cruzeiro em 2009 contra o Estudiantes, dia em que o Cruzeiro poderia ter nos igualado em conquistas e já tínhamos vibrado antes com as derrotas de Palmeiras e Santos. Foi duro demais ver o Corinthians levantando a taça e os milagres de Victor que levaram o Atlético a essa grande conquista, o Santos de Neymar e Muricy nos igualando. Bom, no caso de Atlético e Corinthians eles só tem uma taça, mas quando tem o Santos, Cruzeiro, Internacional e Grêmio na parada, a seção “secar” é bem intensa.

Nesse domingo de derrota para a Ponte vim até Sorocaba visitar meus pais. Meu primo Renato apareceu com a esposa por aqui e colocamos o papo em dia, pois há muito tempo não nos víamos. Durante o jogo contra a Ponte estou no celular e vejo um post da Kátia Firmino com uma imagem da semifinal de 2005 contra o River Plate, aquele jogo do Morumbi em que Danilo por volta dos 32 minutos do segundo tempo fez o gol que fez justiça da nossa vitória e que Rogério, no finalzinho, fez de pênalti o gol que nos deu a vantagem merecida para ir para o Monumental de Nunez.

A imagem que ilustra essa coluna na página principal foi tirada da transmissão da Globo naquele dia e mostra alguns torcedores com sinalizadores e muitos outros prestando atenção ao jogo que estava rolando no segundo tempo, ainda um 0 a 0 complicado para ir para a Argentina. Amoroso estreou nesse dia e já tinha feito a diferença no primeiro tempo. Perdemos vários gols, tivemos uma atuação de muita imposição sobre o ótimo time argentino, até ali a melhor campanha da competição, que tinha Lucho Gonzalez, Salas e Mascherano, nosso eterno freguês junto com Tevez.

Nessa imagem eu apareço, sou um dos que estão com o sinalizador, de camisa preta da SPNet e até hoje cabeludo, no mesmo visual que assumi no dia em que ocorreu a festa da SPNet, por sugestão do amigo Kadu, que anda pelos lados de Curitiba e sumido. Ao meu lado na foto o meu primo com o agasalho da Independente e do lado dele o Hulk de camisa listrada. Exatamente o mesmo Renato com quem cresci e brincava de futebol fazendo de conta que éramos os craques dos anos 80. O mesmo que apareceu na casa de meus pais nesse domingo e com quem fui a diversos jogos nesses anos todos, incluindo seu irmão, o Alexandre.

Se você acredita em coincidências, em boas vibrações, pode começar a comemorar uma ótima atuação nessa quarta feira. Vamos vencer e vamos conquistar boa vantagem para ir para a Colômbia, exatamente como fizemos em 2005, ano de nossa última conquista.

A coluna de hoje tem o nome de uma música de uma das maiores bandas de todos os tempos, os Beach Boys. É uma música de amor, que demonstra o quanto “ela” traz boas vibrações. No nosso caso esse “ela” é aquela taça onde já temos nosso nome imortalizado por 3 vezes.

Sem Ganso e sem Kelvin os substitutos vão se desdobrar para substituí-los bem, não tenho a menor dúvida. Bauza e elenco sabem da importância da conquista da Libertadores para o ano Tricolor e vão fazer de tudo para que não percamos essa chance.

Que a torcida também saiba da sua importância e empurre o time Tricolor para cima do Atlético Nacional em um Morumbi novamente lotado, como aliás sempre faz nas Libertadores. Eu e o Renato não estaremos lá como estivemos há 11 anos atrás, mas colados na telinha estaremos mandando “good vibrations” para que essa quarta feira se torne inesquecível.

Rumo ao tetra!!!

Fábio José Paulo (FAJOPA) é economista, tem 41 anos, passou por São Paulo Mania, Site Proibido e SPNET (de 2003 à 2006), é pai da Thaís e escreve nesses espaços todos as segundas-feiras.

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