Coluna do Fajopa – O Brasil e o São Paulo

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Há algum tempo penso em escrever a respeito das diversas semelhanças existentes entre a situação política e econômica do Brasil e hoje, após o segundo turno das eleições municipais, acho que chegou o momento para isso. É uma coluna que reúne dois assuntos que tem um ditado antigo que diz que não devem ser discutidos (junto com a religião), mas pelo contrário, acho que temos sim que discutir a política, talvez esse seja exatamente o problema do brasileiro, achar que só se discute a política em ano de eleições.

Em primeiro lugar vamos situar os personagens:

  1. Lula e Juvenal Juvêncio na década passada alcançaram notória popularidade, eram unanimidades entre colunistas políticos e esportivos, a situação brasileira e são paulina corriam juntas, o Brasil era o país do futuro, o São Paulo colecionava títulos no presente e tinha um futuro dominante para os analistas;
  2. Dilma e Carlos Miguel Aidar foram as apostas para o projeto político brasileiro e são paulino. A primeira, a Gerente, a Mãe do PAC era tida como competentíssima, apesar de sua total falta de tino político, mas devido aos problemas ocorridos com José Dirceu e Antonio Palloci, transformou-se em uma grande surpresa quando foi definida como a candidata a Presidente do PT em 2010. O segundo um ex-Presidente vitorioso e competente na década de 80 foi alçado por Juvenal como candidato, passando por cima de alguns outros nomes que eram apostas certas para o cargo;
  3. Temer e Leco herdaram administrações incompletas e heranças problemáticas, principalmente no campo financeiro, apesar que dentro de campo a herança Tricolor não é das melhores também. Temer está em busca da aprovação da PEC241 e vê hoje que sua base política irá comandar a partir de janeiro 81% do eleitorado brasileiro nos municípios. Leco ao contrário vê sua base política se fragmentar com a saída de um Natel de sua Diretoria. São dois Presidentes que pisam em ovos, sabem que dependem demais do sucesso de suas administrações para seus planos futuros, por isso não são ousados, pelo contrário, são extremamente conservadores.

Há algum tempo penso nessas figuras e sua similaridade, assim como na forma que o Brasil e o São Paulo Futebol Clube perderam protagonismo nos últimos anos. Se o Brasil vê países como o Paraguai, Chile ou Bolívia darem show de crescimento no PIB, o São Paulo vê Corinthians, Palmeiras e Santos assumirem o protagonismo no Estado, enquanto estamos em meio a uma seca de títulos importantes que vem desde 2009. Não, não considero a Sulamericana um título relevante.

O que extraio de tudo isso é que a soberba, o “nós contra eles”, o “Soberano”, o “esse é o cara”, entre outras definições de reverência que os dois Presidentes da década passada recebiam da mídia, dos analistas, dos brasileiros/tricolores, retratavam um servilismo, um exagero que nenhum governante, seja de um país ou de um clube merece. A tal reverência abriu caminho para que o terceiro mandato indecente viesse à tona. Abriu caminho para que Lula nos indicasse uma pessoa inepta e que essa pessoa conseguisse vencer as eleições por duas vezes apesar de toda sua clara inaptidão para a vida política, que um marqueteiro transformou em virtude, campanhas turbinadas por dinheiro da Petrobras.

Outra semelhança entre os dois caudilhos é que uma terrível doença os acometeu. Lula conseguiu sair bem dela, Juvenal não. Lula jamais veio a público para questionar sua pupila, apesar de com certeza ter se arrependido de sua escolha. Juvenal desde os primeiros dias se arrependeu e passou a fazer campanha contra um Carlos Miguel Aidar que parecia dominado por sua namorada e por alguns aliados, vide Jack e outras histórias bem estranhas.

Lula vira réu a cada semana em um novo processo e uma prisão não seria de se estranhar nessa altura do campeonato. Juvenal que teve uma administração bem contestada do ponto de vista ético no final dos anos 80 e em seu último mandato, jamais esteve perto da situação de Lula principalmente porque o São Paulo é um feudo de poucos eleitos. Os milhares de torcedores não podem esperar uma Lava Jato Tricolor, dessa forma a cada eleição temos que aceitar o que o nobre e autoritário Conselho nos oferece e aguardar que daí surja alguém um pouco diferente, pois basta essa pouca diferença para fazer uma história melhor, vide Pimenta nos anos 90, a 5ª ou 6ª opção ou Marcelo Portugal Gouveia na década passada. Em terra de cego quem tem um olho é rei e no Palmeiras um milionário perdulário virou esse rei apesar de ser o oposto de uma administração moderna.

É engraçado ver que o sonho do Morumbi na Copa foi enterrado exatamente pelo Presidente que JJ insistia em elogiar, com seu presente recebido da Odebrecht e que virou “presente de grego” para o Corinthians, que sabia o tipo de pessoas com as quais estavam se aliando, como sabiam no tempo da MSI.

Carlos Miguel Aidar renunciou, teve pelo menos a hombridade que faltou na Presidente anterior, que apesar de sua baixíssima popularidade e apoio precário no Congresso, continuou brigando com a realidade e chamando de golpistas a maioria dos brasileiros. Os mesmos partidos que continuaram com a cantilena do golpismo, foram os grandes derrotados nas eleições desse ano.

O São Paulo sem títulos e por muitas rodadas flertando com o rebaixamento se assemelha ao Brasil com milhares de desempregados e que vê Estados e Municípios com os pires nas mãos. Com certeza quem ler essa coluna conhece pelo menos uma pessoa que esteja desempregada há alguns meses e sabe o quanto isso afeta a vida daquela pessoa e de sua família.

Muitos brasileiros e são paulinos acreditam em super heróis, milagreiros, em pessoas que irão surgir a qualquer momento e com uma varinha de condão irão trazer prosperidade, títulos, empregos, vitórias. Acho que mais do que torcer pelo Salvador da Pátria, devemos exigir mudança de postura de nossos governantes e de nossos conselheiros. Que o Congresso, Senado, Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas possam votar projetos que possam mudar a estrutura viciada e perversa de nossa política e a estrutura arcaica de nosso clube onde pouco mais de duas centenas de Conselheiros decidem o futuro de um clube com mais de 13 milhões de torcedores.

Que Michel Temer e Leco possam, mesmo diante de suas fragilidades, conduzirem o país e o clube em meio a toda essa tormenta, mas que possam conduzir mudanças importantes para o futuro do país e do São Paulo. Nesse campo Temer está na frente, pois terá que mexer em vespeiros como a Reforma da Previdência, pois sem elas talvez o futuro brasileiro seja ainda pior. Leco até agora de revolucionário e temerário apenas sinaliza com Rogério Ceni como treinador.

Convenhamos torcedor, ainda é muito pouco para o nosso São Paulo.

Por Fábio José Paulo (FAJOPA)

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