Crise política, fôlego no cofre e futebol bipolar: um ano do São Paulo de Leco

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Por Marcelo Prado, Globoesporte.com – São Paulo

Carlos Augusto de Barros e Silva faz aniversário na presidência do clube e tenta fazer o time engrenar depois de turbulências dentro e fora de campo; relembre momentos

Carlos Augusto de Barros e Silva Leco São Paulo (Foto: Marcelo Prado)

Carlos Augusto de Barros e Silva completa nesta quinta-feira um ano na presidência do São Paulo. Nesse período, muitas mudanças fora das quatro linhas e uma “gangorra” no futebol, carro-chefe de sua administração. Em busca da estabilidade dos cofres, Leco sofreu com forte instabilidade política, agravada pelo desempenho em campo.

Ainda longe do ideal, o clube tem conseguido dar sinais de recuperação financeira. Mas segue com problemas herdados da gestão de Carlos Miguel Aidar, que renunciou após escândalos na gestão.

O mau momento dentro de campo atrapalha. São quatro anos sem conquistar títulos. E a campanha marcante até a semifinal da Libertadores deste ano caiu no esquecimento com a luta contra o Z-4.

 

Busca da credibilidade

Leco prometeu recuperar a credibilidade do São Paulo no mercado, algo que havia dado lugar à desconfiança na antiga gestão. Os números apontam para um avanço nesse sentido. No início do mandato do atual presidente, o clube tinha apenas dois patrocinadores para as mídias digitais (Gatorade e Copa Airlines), que juntos pagavam R$ 7 milhões. Hoje, seis empresas estampam suas marcas na camisa tricolor: Joli, FIAP, Prevent Senior, Rock And Ribs, TIM e Corr Plastik. Em entrevista ao GloboEsporte.com, o dirigente disse que os acordos renderam R$ 35 milhões.

Camisa São Paulo Patrocinador Prevent Senior (Foto: Marcelo Hazan)
Apresentação da Prevent Senior, um dos atuais patrocinadores do São Paulo  (Foto: Marcelo Hazan)


Saúde financeira

Os atrasos salariais e de direitos de imagem foram frequentes em 2015. E entraram em cena também em 2016, mesmo depois do desmanche (oito jogadores foram negociados). Houve até pacto de silêncio motivado pelo não pagamento em dia. A situação está estabilizada nesse sentido. Mas Leco afirma ter melhorador também em outros aspectos.

– A dívida tributária foi resolvida através do Profut e da Timemania, nosso débito em dezembro de 2015 era de R$ 170 milhões. Em agosto de 2016, baixamos para R$ 116 milhões, uma redução de 32%. A dívida bancária, no momento em que assumimos, era de R$ 92 milhões. Em agosto, foi baixada para R$ 42 milhões, uma redução de 47% – declarou o dirigente.
Instabilidade política

Luiz Cunha São Paulo (Foto: LEANDRO MARTINS/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO)

Ao assumir a presidência do Tricolor, Leco manteve Ataíde Gil Guerreiro, pivô da polêmica que iniciou o processo de saída de Carlos Miguel Aidar, na diretoria. Sem resultados dentro de campo e com forte rejeição da torcida, Ataíde deu lugar a Luiz Antônio Cunha. Ele era da base e passou a comandar o futebol ao lado de Gustavo Vieira de Oliveira.

Cunha logo caiu nas graças do elenco. Mas sua trajetória foi relâmpago. Quatro meses apenas. Depois de desentendimento com Gustavo, por conta da contratação do peruano Cueva, Cunha pediu a cabeça do diretor executivo a Leco. O presidente não concordou. E ele se demitiu.

Em setembro, foi a vez de Gustavo deixar o comando do futebol. Como o time não engrenava em campo, ele passou a ser muito criticado pela torcida. No dia da invasão ao CT da Barra Funda, foi ameaçado de agressão. Leco preferiu fazer a mudança, colocando Marco Aurélio Cunha no seu lugar. O acordo inicial é para que ele fique até dezembro, mas existe a possibilidade de o dirigente continuar no clube depois.

Carrossel São Paulo Marco Aurélio Cunha  e Gustavo Vieira de Oliveira  (Foto: Editoria de arte)
Gustavo Vieira deixou a diretoria de futebol e foi substituído por Marco Aurélio Cunha (Foto: Editoria de arte)

Troca de treinador

Quando tomou posse, em outubro de 2015, Leco tinha Milton Cruz no comando do time. Com o ex-auxiliar, o Tricolor conquistou vaga na Libertadores de 2016. A necessidade de um treinador mais experiente fez com que a diretoria contratasse o argentino Edgardo Bauza. Demorou, mas ele fez o time engrenar e levou o São Paulo até a semifinal do torneio.

O bom trabalhou chamou a atenção da seleção argentina, que o levou no meio do ano. Leco, então, contrato Ricardo Gomes, à época no Botafogo. Veio então a luta contra o rebaixamento. Há mais fôlego agora, depois de duas vitórias seguidas, contra Fluminense e Ponte Preta. Com 42 pontos, o Tricolor está a sete do Z-4. Restam seis rodadas em disputa.

Com cinco vitórias, quatro empates e cinco derrotas em 14 partidas, Ricardo Gomes convive com a sombra de Rogério Ceni. O ex-goleiro e maior ídolo da história do São Paulo tem feito cursos para ser treinador, e o presidente já deixou claro que gostaria de tê-lo em algum momento no comando da equipe. Ao mesmo tempo, tenta dar prestígio a Gomes, que tem contrato aberto.

montagem_-Edgardo-Bauza-e-Ricardo-Gomes (Foto: EDITORIA DE ARTE)
Edgardo Bauza saiu após a Taça Libertadores da América e foi substituído por Ricardo Gomes (Foto: EDITORIA DE ARTE)

Gangorra no futebol

Se a situação financeira melhorou, o mesmo não pode se dizer do futebol. O São Paulo terminará mais um ano sem títulos. Desde 2008, época do tricampeonato brasileiro, o time só ganhou a Sul-Americana de 2012. Em 2016, a equipe deu vexame no Campeonato Paulista ao ser eliminada nas quartas de final pelo Audax sofrendo uma goleada de 4 a 1.

Reagiu na Taça Libertadores ao chegar na fase semifinal, quando caiu diante do campeão Atlético Nacional. Na Copa do Brasil, novo vexame: desclassificação nas quartas de final para o Juventude, que disputa a terceira divisão do futebol brasileiro. No Campeonato Brasileiro, também não há motivos para comemorar, já que a equipe ocupa a modesta 11ª colocação e ainda corre risco de rebaixamento.

São Paulo x Santos Chavez (Foto: Marcos Ribolli)
São Paulo ainda corre risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro (Foto: Marcos Ribolli)

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