Coluna do Fajopa – O OPERÁRIO PADRÃO

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Nos meus tempos de SPNet um dos trabalhos mais prazerosos foi ter entrevistado Francisco Jesuíno Avanzi, conhecido no meio futebolístico simplesmente como Chicão. Foi em um sábado em que eu, meu pai e Carlos Alves, o Reinaldo, rumamos de Sorocaba para Piracicaba na ainda perigosa e esburacada Rodovia do Açúcar, pensando em como seríamos recebidos por aquele que foi o líder da equipe que em 1978, valendo pelo campeonato brasileiro de 1977, calou um Mineirão lotado e colocou o São Paulo no cenário nacional definitivamente.

Chegamos por volta das 09h30 e fomos embora apenas às 17 horas, depois de muito bate papo, cervejas, torradas e os deliciosos patês da Magali, esposa de Chicão. No bate papo muitas histórias, muita sinceridade em alguns assuntos, causos engraçados, fobias, etc, etc. Mais do que estar nos vestiários acompanhando a saída dos jogadores do momento, eu gostava mesmo de encontrar os “velhinhos”, os caras que vi ou não vi jogando, mas que ajudaram a solidificar essa paixão de todos nós pelo São Paulo Futebol Clube.

Aqueles velhos encontros de ex-jogadores que o saudoso MPG promoveu em sua administração, eram os momentos mais fantásticos dessa época em que tive proximidade maior com o dia a dia do Tricolor por causa dos vários sites pelos quais passei. Que alegria ouvir o Azambuja, ver Bauer, Roberto Dias, Chicão, Chulapa, Dario, Oscar, Zé Sérgio, Valdir Perez, etc. Jogadores renomados e alguns obscuros, mas todos com a sua importância na construção da história do maior clube brasileiro.

Chicão fazia parte do meu imaginário como um herói do meio de campo, que ajudou a segurar um time temido demais, aquele Atlético Mineiro de 1977, que tinha Cerezo, Luisinho, Reinaldo, uma equipe imbatível e que jogaria em seus domínios contra uma equipe de jogadores operários, comandados por Rubens Minelli, que era simplesmente o bicampeão brasileiro com o Internacional em 1975 e 1976.

Quando moleque eu tinha algumas revistas e um pequeno livrinho que trazia a descrição das conquistas tricolores desde 1931. Combinando essas histórias do livrinho com o que ouvia do meu pai e dos meus tios, cresci reverenciando aquela equipe raçuda de 1977/1978, o que é engraçado quando analisamos todos os títulos conquistados na nossa história e vemos que a ampla maioria deles foi jogando um futebol vistoso, bonito, muito diferente daquele campeão brasileiro. Vi na minha infância a Máquina Tricolor de 80 e 81, na pré-adolescência os Menudos de Cilinho e na minha adolescência aquela fase maravilhosa que foram os títulos entre 1991 e 1993. Como adulto os times entre 2005 e 2008, com muitos momentos de um ótimo futebol.

Chicão era o capitão daquele time, saiu como herói para os Tricolores mas como vilão por causa de edições absurdas do jornalismo na época, que atribuiu a ele a fratura do jogador atleticano, mas quem provocou a fratura foi Neca. Virou inimigo nº 1 da torcida atleticana, mas pouco mais de dois anos depois foi fazer parte do time atleticano vice campeão brasileiro de 1980 e virou ídolo.

Assim como Pintado nos títulos de 92 e na Libertadores 93, Chicão era aquele que estava ali para desarmar, para liderar, para intimidar. Mas diferentemente de Pintado era mais técnico, sabia sair jogando, jogava de cabeça erguida. Tenho dois dvds com jogos de Chicão, o jogo completo de 1977, onde o São Paulo quase não foi importunado pelo ótimo time mineiro e o último jogo da final do Paulista 78 contra o Santos. Vencemos no tempo normal por dois a zero, mas empatamos na prorrogação que precisávamos também vencer e os garotos da Vila levaram o título.

Amauri em 57, Edson em 70 e 71, Chicão em 75 e 77, Almir em 80 e 81, Vizzoli em 85, Bernardo em 86 e 87, Suélio e Sidney no Paulista 91, Ronaldão e Bernardo no brasileiro 91, Pintado em 92 e 93, Alexandre e Fabiano em 98, Maldonado em 2000, Mineiro e Josué entre 2005 e 2007, Richarlyson e Jean em 2008, Denilson e Wellington em 2012…

Essa coluna é uma homenagem aos operários padrões que foram campeões ali da cabeça de área e uma lembrança toda especial a um dos maiores deles, o saudoso Francisco Jesuíno Avanzi, o Chicão.

Nosso muito obrigado a você!!!!

Por Fábio José Paulo, o FAJOPA, 42 anos, pai da Thaís e participante do Manifesto Tricolor e dos sites São Paulo Mania, Site Proibido e SPNet entre 2003 e 2006.

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