Febre Tricolor – Espremer laranja

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Treinos diferenciados são formatados por Michael Beale

Um elenco com jogadores de diferentes características proporciona ao treinador opções para formatar variações táticas e possibilidade de oferecer surpresas ao adversário, propiciando a obtenção de resultados positivos em virtude das combinações que afetem os pontos frágeis do oponente. Tudo que um técnico mais sonha é poder desequilibrar uma partida por encontrar uma maneira de penetrar na defesa rival com armações de sistemas de jogos ideais. O que falta para os clubes de futebol encontrarem essa fórmula? Dedicação, conjunto e dinheiro.

A dedicação é fruto da transpiração. Diariamente os treinamentos desenvolvidos vão fazer toda a diferença para que os atletas cheguem ao auge físico e técnico. Não basta a mera repetição, pois, se assim fosse, aquele clube do interior, dedicado e trabalhador, colheria os resultados mais fantásticos possíveis. Quando você se prepara para uma prova não basta estudar muito, tem que estudar certo. No campo de jogo é o mesmo: não vence o que mais corre, mas aquele que corre certo, acerta o passe e se movimenta corretamente. Essa primeira frente é o que Rogério Ceni busca incessantemente no São Paulo, contando com a experiência de Michael Beale; não para repetir, mas para inovar.

A segunda frente é o conjunto. O conhecimento de um componente de um grupo em relação ao seu companheiro, de estabelecer interações de modo automático. Somente com a convivência é que Cícero, por exemplo, vai saber o tipo de passe que Róbson gosta de receber. Será que prefere bolas em profundidade ou mais curtas? Isso evolui para um passe num espaço vazio, onde você sabe que alguém do seu time vai ocupar. Tal conhecimento coletivo só se adquire com o tempo e, por isso, faz-se importante que as equipes de futebol mantenham uma base e um estilo de jogo.

Finalmente, o terceiro ponto está relacionado aos valores econômicos que se dispõe para investimentos. É inadmissível esperar que um clube brasileiro possa ter uma variação de jogadas tal qual um clube alemão, dado a capacidade financeira disponível para os esportes de cada um desses países. No São Paulo, Rogério Ceni gostaria de contar com um volante alto para poder aumentar a estatura total da equipe e, de repente, criar jogadas de contrataque com cabeçadas desse jogador alto. Não poderá fazer isso, por falta de dinheiro. O que lhe cabe é um elenco formado com R$ 300 mil.

Peças por setor

Mendes terá missão de comandar transição, em velocidade, no meio

Qual é o equilíbrio do elenco Tricolor? Hoje se tem cinco goleiros no profissional com condições de jogo: Sidão, Dênis, Renan Ribeiro, Lucas Perri e Lucas Paes. Não há atleta brilhante nessa posição. Sidão deverá ter preferência pela reposição com qualidade e possível trabalho como líbero. No futuro a aposta é que Lucas Perri seja craque; no momento, acompanha a Seleção Brasileira Sub-20. O setor preocupa.

Nas laterais experientes jogadores e outros muito jovens. Por incrível que pareça a direita está recheada, como não esteve há anos. Júlio Buffarini tem qualidade e chegou a figurar na seleção argentina do ano passado, bom apoio e excelente condição defensiva. Não se entrega. Bruno fez uma belíssima temporada no ano passado, e acabou como maior assistente da equipe. O jovem Foguete brilhou em todas as equipes de base do São Paulo, tem a tranquilidade de um veterano. Na esquerda reside o principal ponto de interrogação. Perdeu-se o excelente Eugênio Mena, que tinha corrigido defeito histórico no setor esquerdo defensivo e não se repôs. Vejo como temerário depositar todas as fichas em Júnior Tavares. Infelizmente perdemos a chance de contar com o competente Dener Assunção, vitimado na tragédia da Colômbia, com a Chapecoense.

Os volantes do São Paulo não são jogadores dos sonhos do torcedor. Thiago Mendes é o mais seguro e sempre responde nos momentos cruciais da temporada, jogador de alta qualidade. Pára por aí. Cícero deve ser deslocado para o setor, mas nem atende as características de futebol total impostas por Rogério Ceni. Não sei porque foi pedido. Prefiro o jovem Artur do que Felipe Araruna (aposta do treinador). Quanto a Wesley, será dada mais uma chance… O setor de armação da equipe é o melhor. Cueva virou camisa 10 no São Paulo. Não era. Mas hoje está entre os três melhores do Brasil (pra ser humilde). Wellington Nem pode ajudar no setor e Lucas Fernandes, desde há muito, é tido como a próxima joia de Cotia.

Quanto ao ataque do Tricolor, Andrés Chávez é um jogador que compõe bem. Gilberto poderia ser negociado, assim como Róbson e Ytálo. David Neres e Luiz Araújo seguirão brilhando como atletas de rara habilidade e o São Paulo contribuirá ao futebol brasileiro com ambos, sem dúvida. Além daquele volante alto pedido por Rogério, o centroavante seria prioridade. Desejei sorte ao pai de Calleri na negociação de segunda-feira e ele respondeu positivamente. Vai precisar! A defesa do São Paulo é um setor brilhante.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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