Quartas Tricolores – O “São Paulinismo” E A Vontade de Ir Além

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Nesse final de semana, em um dos poucos momentos em que estive em casa, vi uma bela reportagem, do Esporte Espetacular, se não me engano, sobre o trabalho feito na base do Barcelona.

Não venho aqui questionar o GRANDE trabalho que Cotia vem realizando nos últimos anos, afinal, os títulos falam por todo o processo. Quero puxar uma questão mais profunda. Mais do que ensinar os meninos a jogar bola, o Barcelona transmite um CONCEITO. Durante praticamente toda a reportagem foi mostrado ao telespectador que ali se exige respeito, que se veste a camisa que é “mais do que um clube” e que é preciso ter dedicação para se chegar longe.

Atitudes simples como a de jogar com a camisa por dentro do calção, dar “oi” e “tchau” para o professor no começo e fim do treino e o respeito com o colega são apenas pequenas partes desse universo. O Barcelona, além de trabalhar sua categoria de base futebolisticamente, trabalha também mentalmente.

Eles conseguem ensinar aos garotos que eles estão tendo uma chance única e, para tanto, precisam trabalhar sem firula, sem gracinha e sem desrespeito. Eles, de fato, preparam os atletas mais jovens para integrar os quadros principais, vide Xavi, Iniesta, Pique e, até mesmo, o Pedro que hoje atua pelo futebol inglês.

Existem muitas outras revelações que atuaram pelo time principal e foram importantes e, grande parte desse resultado, pode ser creditado a esse sentimento de “barcelonismo” por assim dizer.

Quero dizer que precisamos ensinar aos meninos da nossa base, que tem um potencial tremendo, que eles possuem uma chance única e que o foco agora é jogar BEM com a camisa do São Paulo, uma das mais pesadas do mundo.

Sem distrações, sem baladas, sem bobagens de redes sociais: o sentimento tem que ser de vitória, de desejo de vencer e de querer provar que merece estar ali. Essa determinação será transmitida, com certeza, pelo RC, mas não pode ser uma “obrigação” dos técnicos do profissional.

É um sentimento que precisa vir de baixo para evitar que os atletas saiam de maneira precoce, vide Piazon e o menino que tem proposta do Real Madrid, Galván, de apenas 17 anos. Eles precisam ter a segurança e o entendimento de que não estão em uma escolinha de futebol e sim no São Paulo Futebol Clube.

Precisam querer VENCER aqui. E não subir para o profissional e fazer igual ao João Schmidt. Entendo que precisam ser igual ao Rodrigo Caio: centrado, compenetrado e buscando sempre a melhora. Precisam ter a calma e tranquilidade do Breno que, quando lançado, era apenas um menino que jogou MUITO e contribuiu demais para o título daquele campeonato brasileiro.

Precisam entender que aqui, tal qual no Barcelona, existe o “são paulinismo”. E, esse sentimento, é capaz de levá-los mais longe do que qualquer clube, afinal, todos aqueles que compreenderam esse sentimento foram campeões do mundo com a seleção, glória máxima que um atleta pode alcançar. Ah…e um deles, inclusive, foi o melhor do mundo.

Por mais atletas são paulinos e que compreendam a importância da camisa que vestem!

Saudações Tricolores.

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Abrahão de Oliveira é jornalista, formado pela Universidade Metodista de São Paulo, dono da @spinfoco, são-paulino e tem o sonho de cobrir um mundial de clubes com o clube do coração. 

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição dos proprietários da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

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