Além das 4 linhas – Muito barulho

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O futebol é muito bonito pela imprevisibilidade, ficou lindo quando o Barcelona inverteu a goleada sofrida no jogo de ida na França. Tudo é possível no  futebol, até ver o Barcelona sofrer uma goleada e devolver esta goleada em uma semana. Dois super elencos aplicando e sofrendo goleadas. Isso é do baralho.

Por aqui o SPFC sofreu uma derrota num  clássico, no campo do adversário  e o outro lado do futebol, o lado das paixões cegas, apareceu e com isso as críticas e resumos maravilhosos sobre o time, o elenco, o treinador e a diretoria brotaram como erva daninha. Uma lástima.

Em minha avaliação de simples torcedor que “vive” o futebol à distância e cada vez mais longe, pois hoje vejo male má o SPFC jogar, o time, o elenco e o treinador estão em formação. Nosso treinador tem 75 dias de profissão. O elenco, apesar de melhorado em relação ao ano passado, ainda tem carências, principalmente na lateral esquerda, no gol e na meia, onde apenas o Cueva pode jogar, além de jovens ainda não preparados para o peso da função.

Deste modo, paciência é a palavra e é isso o que a torcida está dando. Apenas a imprensa, para poder vender suas matérias, está fazendo um barulho chato e cutucando onde pode. Nosso papel é não cair nessa e fazer o oposto: Apoiar o  time, o treinador e a diretoria, que teve a coragem de contratar o Rogério para treinador do maior do Brasil.

Alguns amigos amantes do futebol, como meu primo Maurício Burjato, foram e são amantes do estilo do treinador ídolo do nosso maior ídolo: Osório. Treinador que tem método muito fora do normal comparado aos treinadores que trabalham com medo de perder o emprego e montam seus times com 11 na grande área. Rogério monta um time com estilo de jogo fora do normal para os padrões brasileiros e isso leva tempo para ser assimilado pelos jogadores. O estilo de jogo pede um estilo de jogador que aos poucos ele vai incorporar ao elenco. Mais uma razão para termos paciência.

Rogério foi contratado para um período de dois anos e é isso que quero ver no SPFC como raramente vemos no nosso futebol, onde tudo é para ontem. Eu sempre admirei quando citam trabalho a médio e longo prazo. O futebol, devido às paixões cegas como mencionado acima,  não é a atividade ideal para isso, mas em alguns países isso acontece, como na Inglaterra por exemplo. Eu fui contra a demissão do Muricy em 2008. O tempo mostrou que eu estaca certo, pois além de não ter conseguido substituir o treinador por alguém de alto nível, o clube venceu muito pouco após sua saída e trocou de treinador como nunca antes na história, para lembrar um outro cara que só faz burrada. Quando olhamos para trás, os melhores períodos são  aqueles onde o treinador ficou bastante tempo no clube, montando seu elenco e ensinando a rapaziada a fazer o plano de jogo.

O que faço neste momento interessante do nosso clube é torcer para o Rogério tornar-se um bom treinador e ficar no SPFC até a sua aposentadoria, quem sabe em 10 anos.  Se neste período vencermos mais do que vencemos nos últimos 8 anos terá valido a pena. Mas penso que se Rogério tornar-se bom treinador e ficar bons anos, o clube vencerá bem mais do que venceu no pior momento da sua história.

Ser o treinador e o dirigente que pode tirar  o clube de seu pior momento histórico é um peso gigante, que só um gigante pode fazer. Tomara que tenhamos encontrado este cara, coisa que os últimos anos nos mostraram que é muito difícil fazer.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

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