Além das 4 linhas – Treinador

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Já faz tempo escrevi neste espaço sobre a importância dos treinadores para suas equipes.

Muitas vezes vi gente falar que treinador não é tão importante assim, que as pessoas super avaliam a posição deste profissional. Eu discordo. Acho que o momento não poderia ser mais propício para falarmos disso. Por um lado temos o início da carreira do Rogério Ceni e por outro lado o início do trabalho do Tite na seleção.

Passada a euforia inicial, a realidade mostrada pela primeira fase do Paulistinha é bem clara: O SPFC tem a pior campanha entre os quatro clubes grandes no estadual e a segunda pior defesa entre todos os participantes. Ganhou um clássico quando o Santos estava numa crise interna, perdeu para o Palmeiras e empatou com o Corinthians dentro de casa. Tudo bem que Pratto e Cueva fizeram falta, mas o elenco mostrou suas carências.

Mas talvez o ponto principal seja a inexperiência do novato treinador são paulino. Por mais conhecedor de futebol que Rogério seja, por mais trabalhador que seja, o tempo na profissão é fundamental. Mestre Telê não era o mesmo dez anos antes do nosso bi mundial. O Rogério vai levar algum tempo para ser tudo o que ele pode ser como treinador. Acho que ninguém duvida disso. O time dele acaba de terminar uma partida oficial sem levar gol, só para mostrar a ainda frágil carreira do nosso treinador. Isso leva tempo.

E o que falar do Tite? Um cara que já havia feito bons trabalhos antes de vencer o mundial com o Corinthians. Mas hoje vemos no Tite um profissional maduro, conhecedor das coisas do futebol e conhecedor, acima de tudo, da maneira de tratar os seres humanos e os motivar a vencer desafios. O trabalho dele na seleção é sensacional até aqui. Com 100% de aproveitamento já tendo enfrentado Argentina e Uruguai. Copa do mundo é outra conversa, mas na América está sobrando.

Para citar um exemplo que pode ficar claro para nós tricolores: O Muricy foi auxiliar do mestre Telê. Em 1994 Muricy venceu a Copa Conmebol treinando o time reserva do SPFC. Mas ainda estava longe de ser o Muricy que voltou ao SPFC em 2006 para vencer de forma inédita, para o mesmo clube, o tri campeonato brasileiro. Depois ainda venceu e bem a Libertadores com o Santos do Nilmar e Ganso.

Para todo bom profissional, aquele que leva jeito para sua atividade e consegue sempre aprimorar-se e acompanha a evolução da sua profissão, o tempo só faz bem. Teve muita gente que ficou pelo caminho, o Luxemburgo é um bom exemplo. Começou muito bem, mas nunca venceu uma libertadores na carreira, tendo treinado grandes clubes com grandes elencos. A vida de treinador não é nada fácil.

Portanto meus amigos, após tantos anos de crise, o SPFC parece estar passando por um período de calmaria, com boas contratações que estão ajudando na formação de um bom elenco. Mas nosso treinador ainda não é este piloto de avião a jato que todo clube grande precisa para vencer seus enormes desafios. Como venho escrevendo: Para nós são paulinos os tempos são de muita paciência. Eu acredito no bom treinador que Rogério ainda será, mas por enquanto ele ainda aprende o ofício. Eu sou a favor dele ficar no clube e de estar no clube, afinal, qual a outra opção que o clube tinha?

Para aqueles que até hoje dizem que treinador não ganha jogos, digo: Treinador ganha campeonato!

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

Carlito Sampaio Góes

 

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Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

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