Febre Tricolor – Não recuar

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Modelo ofensivo do São Paulo crescerá coletivamente

O resultado adverso de 3 a 0 sofrido pelo Tricolor diante do Palmeiras, como era de esperar, servirá de combustível para os críticos de Rogério Ceni ao largo da semana. Ao menos até que conquiste classificação na Copa do Brasil ou venham novos clássicos a ser provado. O que treinador deve fazer nesse momento é exatamente seguir apostando na sua ideia de jogo e nos presenteando com o futebol ofensivo apresentado pelo São Paulo nesse início de temporada.

Os gols sofridos pela equipe fazem parte de uma evolução para que se consolide o planejamento tático ofensivo a ser implementado por Rogério Ceni. A forma como o Tricolor vem já se apresentando nesse novo modelo implementado surpreende, pois não é fácil de ser executado na prática. Quantas vezes Telê Santana foi chamado de pé frio, mesmo apresentando um futebol mágico com a Seleção Brasileira de 1982, e carregado de críticas por um insucesso. Conseguiu dar a volta por cima exatos 10 anos depois para que seu plano de jogo se impusesse ao gosto da mídia especializada.

É mais confortável se aplicar um modelo conservador de jogo, como o que o treinador Fábio Carille desenvolve no Corinthians, de um meio campo povoado, com forte marcação e sistema defensivo sólido. É fazer mais do mesmo, aplicar o beabá que transformou o futebol brasileiro no que assistimos hoje, sobretudo na Copa de 2014. Formação de craques ficou escassa. O camisa 10 foi extinto. Os pontas de lança viraram marcadores ferrenhos e nem o improviso do drible é mais permissivo. Ao meu ver, o padrão de jogo de Rogério Ceni é um fio de esperança.

O Tricolor já cresceu coletivamente suficiente para apresentar resultados contra equipes do interior e até rivais fortes, em alguns dos casos. A tendência é que essa evolução seja constante e gradativa, até levar o TriMundial a ter possibilidades de competir com os times mais fortes da Série A, entre eles Atlético Mineiro, Flamengo, Cruzeiro e Palmeiras; mas com um futebol sendo jogado pra frente. Quando a equipe atingir esse ápice coletivo será difícil de ser batida, desde que a torcida e diretoria tenham a paciência necessária com a comissão técnica.

Mudança e peças pontuais

Astro da Seleção Brasileira pode ser o reserva ideal de Christian Cueva

A ausência de Christian Cueva no clássico obrigou o treinador a estabelecer mudança tática na equipe. Passou de seu tradicional 4-3-3 para um 4-4-2, com os volantes Jucilei e João Schmidt na contenção. Por mais que se diga que Thiago Mendes fez papel de ponta direita, não é o que se viu na prática. Sobretudo porque não houve a mesma marcação alta de outros tempos, foi inclusive o que Rogério Ceni apontou na coletiva pós-jogo, uma tentativa de surpreender o rival.

Voltou ao padrão de jogo normal com a entrada de Wellington Nem no segundo tempo. O problema da equipe no clássico do Allianz Parque não foi tático, mas sim de imposição de jogo. A marcação alta vista em outros momentos não funcionou nem no segundo tempo, talvez porque o Palmeiras tenha colocado um ataque mais veloz, que conseguiu atrapalhar a saída de bola com qualidade dos defensores. O potencial técnico dos jogadores de frente alviverdes fez a diferença.

Os jogadores de defesa do São Paulo precisam de mais confiança, alguns de melhoria na parte física e velocidade no passe. Assistindo hoje um jogo da Copa da Inglaterra, entre Millwall e Tottenham – que levou o time de Londres à semifinal da competição com uma goleada por 6 a 0 – vê-se claramente que jogadores da Premier League, desconhecidos pra nós, tocam a bola muito mais rápido e com mais precisão do que os nossos jogadores. Essa é a única forma de você superar um rival difícil. Não é a toa que o Tottenham flerta com a vice-liderança da Premier League, com excelente trabalho de Maurício Pocchettino – técnico brilhante da nova safra europeia.

As soluções para esse problema podem ser encontradas mesmo dentro do elenco. O volante Araruna é um jogador que tem entrado e agradado bastante. Ao pegar experiência poderá dar mais velocidade e precisão ao passe tricolor. Alguns problemas de elenco persistem e foram muito bem apontados por Rogério Ceni na coletiva pós-jogo. Cueva precisa de um substituto e Júnior Tavares de outro. O desejo de Kaká voltar soa como positivo, desde que seja humilde e aceite a reserva do peruano, por exemplo. Um lateral esquerdo de qualidade e experiência viria para somar positivamente.

No mais, o sistema coletivo e tático da equipe deve seguir a letra da canção Terceiro Mundo, da banda catarinense de new metal Terra Nova: “Abra sua cabeça, não obedeça o primeiro passo. Não temer, não correr, não pensar em desistir!… Nós somos a resistência aqui. Se não, nós quem?”

Não dá mais

Não há mais clima para o goleiro no São Paulo

Já havia falado isso no ano passado e, infelizmente, terei que individualizar. Não há mais clima para o goleiro Dênis no São Paulo. Falhou peremptoriamente nos três gols do jogo. Pela distância que o atacante Dudu girou pra chutar pro gol haveria possibilidade de reação e, ao menos, poderia ter se atirado contra uma bola que não passou assim tão longe – o menor dos erros.

No segundo gol, de Tchê Tchê, qualquer goleiro mediano de pelada sabe que o posicionamento em chute cruzado é ficar colado na trave. É inadmissível, inconcebível, inaceitável deixar uma bola passar do seu lado quando você está a menos de um metro da trave. Não é o primeiro gol em jogo decisivo que a equipe toma desse jeito. Sobre o terceiro gol, não há o que comentar.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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