Além das 4 linhas – Traumatizante

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No fim do ano de 2013 fui ao jogo da semifinal da copa sul-americana contra a gloriosa Ponte Preta no Morumbi. Naquela ocasião nosso clube do coração foi eliminado. Prometi só voltar ao Morumbi após a conquista de alguma taça, por desacreditar naquilo.

Ontem a eliminação foi pior, bem pior. O time Argentino é muito mais fraco do que a PP pode ter sido em qualquer época de sua existência. Talvez o SPFC viva a pior época da sua história feita de grandes superações.  

Vimos coisas boas acontecerem nos últimos meses no clube. A votação do novo estatuto foi uma delas. As seguidas vitórias dos times da base também. Mas a reconstrução do time profissional está mais difícil do que poderíamos imaginar. Eu não sou de criticar e perder a cabeça após as eliminações, pois ganhar e perder são coisas de todo esporte e a idade já me deu calos nos pés. Mas contratar um treinador sem nenhuma experiência, apesar de tanto potencial, faz parte do triste enredo deste filme tricolor.

Gosto sempre de lembrar a todos que mestre Telê era chamado de pé frio quando chegou ao SPFC nos anos 1990. Sabia montar times, o futebol que estes apresentavam era bonito, mas as conquistas ainda eram raridade na carreira do maior treinador que passou pelo Morumbi.  Isso tudo pode acontecer com o Rogério? Claro que pode. Na verdade quem conhece um pouco de futebol já havia cantado esta bola. Será que a contratação dele foi uma jogada política do Leco? Pode ser, mas reconheço que não há bons profissionais nesta área no Brasil e a contratação do M1TO se justifica por isso, mas a paciência tem que ser grande e o momento pede conquistas.

Pensar em trocar o treinador agora é bobagem. No mínimo até Dezembro este trabalho tem que continuar e aí sim parar para um balanço. O SPFC é muito maior do que qualquer ídolo que um dia jogou no campo sagrado do Morumbi. Mas não se trata de pensar em não queimar a carreira de um ídolo, até porque hoje ele é treinador e foi ídolo como jogador no gol e na linha. Trata-se de pensar no SPFC e pronto. Mas parar um trabalho com tão pouco tempo, seja lá quem for o treinador, é bobagem de amadores, pois se o treinador não tem capacidade de treinar um grande clube nem contratado deve ser.

Mas também temos obrigação de reconhecer a importância que tem o treinador dentro deste trabalho. Colocar culpa pelo fraco desempenho nos jogos em jogadores é bobagem. Os jogadores estão no clube graças ao trabalho de alguém. Este alguém deve ser responsabilizado e não os jogadores. Lembremos a diferença de trabalho que vemos entre o Dunga e o Tite na seleção.

Repito a velha e boa frase: Treinador não ganha jogos, treinador ganha títulos.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

 

Carlito Sampaio Góes

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Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

Comentários

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5 COMENTÁRIOS

  1. ‘Treinador não ganha jogos, treinador ganha títulos”, mas para ganhar títulos ele tem que ganhar jogos!?
    Antes de se ter estrelas um time precisa de ter técnica e ser uma equipe. O elenco do São Paulo não é ruim, mas não joga como uma equipe. Em todos os jogos do São Paulo não vi o jogador se aproximar para facilitar o companheiro de equipe passar a bola, e não vi também movimentação no campo para levar a marcação facilitando assim quem estiver com a posse da bola ter uma melhor visão para dar continuidade a jogada. Falta a malícia dos “jogos de campinho ou de rua”. Se o jogador não tem um treinamento ostensivo criará a técnica que poderá evoluir para uma habilidade. Não existe mágica, e nem sorte, é disciplina e treinamento, e tudo isso depende da experiência e visão do técnico. Nós aprendemos com os nossos erros, mas temos que aceitar que erramos primeiro, para depois fazer o certo. Rogério Ceni tem que ter a HUMILDADE DE ACEITAR QUE ESTE ESQUEMA TÁTICO NÃO ESTÁ DANDO CERTO, assim como sua estratégia em campo. Em time que está ganhando não se mexe, diz o ditado, e em time que está perdendo???? Observar os esquemas que ganham campeonatos e adaptá-los em sua equipe não é nenhuma humilhação, é um aprendizado que dá resultado, aliás copiar o que está dando certo, observando as limitações, é eficaz e eficiente para qualquer área.

  2. E outra coisa. Veja se param de chamar esse sujeito de “mito”. Isso já se tornou ridículo faz tempo. Nada do que fez o credencia a isso. Cansou de levar incontáveis frangos e deu a bola da Libertadores de 2006 nos pés do Fernandao. Nunca foi titular em seleção brasileira e perdeu inúmeras Libertadores. Tá bom assim ou quer mais?

  3. Vocês todos defenderam a contratação desse técnico. O resultado está aí. Agora aguenta. Era claro que não daria certo. Mas os torcedores de Rogério Ceni Futebol Clube não enxergam o óbvio. O pior foi a entrevista coletiva dele ontem. Um show de arrogância, prepotência e cara de pau. Tenho pena do clube, de ver nas mãos de que pessoas ele está. Muitos não percebem, o clube precisa de uma renovação em todos os setores, e isso inclui Ceni, que jamais deveria ter voltado ao clube após sua aposentadoria. No meu ponto de vista, ele mais atrapalha do que ajuda.