Febre Tricolor – Mais teimosia

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Treinador tem que retomar o rumo da ofensividade

A terceira eliminação prematura do ano abalou a confiança de jogadores e torcedores, além de colocar em risco a posição do treinador Rogério Ceni – pelo menos para os meios de comunicação. A última delas não foi uma simples eliminação: foi o maior vexame internacional do São Paulo de que tenho memória. Do futebol que encantava a todos para um bando em campo. O que mudou? Ceni precisa ser mais teimoso!

As críticas ao modelo ofensivo de Rogério Ceni basearam-se na quantidade de gols sofridos pela equipe. Foram feitas pequenas modificações na equipe, como a entrada do volante Jucilei, para deixar a equipe mais sólida. As mudanças trouxeram um certo “equilíbrio”, mas também abalaram a magia que vinha sendo a tônica de um meio-campo comandado por Cícero e João Schmidt.

É óbvio que isso não se resume a simples entrada de um jogador. Jucilei pode ser titular, desde que se faça um novo balanceamento do meio-campo. Se não temos três volantes com características de desarme e criação, faz-se obrigatório se colocar alguém diferente pra compensar outro que é mais forte no desarme.

O jogo mágico do São Paulo era marcado pelo desequilíbrio, por fazer 6 gols e tomar 3. No meio do caminho isso se perdeu, como este colunista advertiu que aconteceria. Preocupado com as críticas que vinha sofrendo pela quantidade de gols sofridos Rogério Ceni recuou, manteve o 4-3-3, mas o meio-campo passou a ter mais jogadores de contenção do que de armação. Não foi assim que iniciou a construção do seu time. A pressão de torcedores e mídia atrapalhou o treinador nas convicções que vinha tendo.

Essa declaração na entrevista dada pelo atacante Lucas Pratto demonstra essa premissa: “O esquema é o mesmo. Só um jogo teve o esquema diferente, no jogo de ida contra o Cruzeiro, que foi 4-2-3-1. O resto é 4-3-3, com pressão e contra-pressão. O que aconteceu é que perdemos confiança individualmente, começamos a perder o Cueva e outros por lesão, alguns baixaram o nível, como eu mesmo…”

Além de terem sido mudadas as peças, prejudicando o conjunto; o centroavante argentino revela que até mesmo o sistema foi modificado contra o Cruzeiro. Se o torcedor olhar com calma os primeiros jogos do São Paulo no ano verá que a marcação alta foi perdendo intensidade e isso, ao meu ver, ampliou com a queda de rendimento de Wellington Nem. O jogador foi essencial para implantação do esquema inicial de marcação pressão.

Não é fácil tornar um time ofensivo em competitivo, tecla que venho batendo desde o início do ano. Tudo se torna mais difícil quando se abandona uma convicção inicial, para tentar trazer um maior “equilíbrio defensivo” à equipe. Quem foi que disse que precisamos de equilíbrio? Rogério Ceni tem que começar de onde parou e ser mais teimoso!

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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Comentários

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6 COMENTÁRIOS

  1. Então Velame. Temos muito em comum. Somos são paulinos e colegas de profissão também. Mas acho que só. Rsrsrsrs. Lhe compreendo, mas com todo respeito, não acredito em nada disso. O clube hoje está em péssimas mãos, em todos os sentidos. RC e Leco eh uma dupla que não vejo futuro. Leco eh da linha de JJ, que iniciou a trágica caminhada que estamos hoje. RC, após sua entrevista de quinta, não perderei tempo em tecer maiores comentários. Aguardemos.

  2. Meu caro Velame. Caríssimo Dr. Então, vamos lá, ainda confia nesse cidadão como treinador do SPFC, único Tri Campeão Mundial de Clubes? Eh sério isso? Ainda o defende por pelo menos três temporadas? Eu lhe disse. Esse negócio não vai dar certo. Abra os seus olhos meu amigo. Não assistiu a tragédia que foi a entrevista dele após o jogo? Pode me cobrar aqui. Vamos nos falando…

    • Grande Victão… em primeiro lugar é importante contextualizar.

      Eu não defendi a vinda de Rogério Ceni, mas, já que está aqui, a diretoria tem que bancar suas escolhas e permitir que o rapaz desenvolva seu trabalho. Entendo que durante toda a gestão do Leco.

      Me surpreende positivamente o trabalho dele até aqui, uma vez que deixou de fazer mais do mesmo, que o futebol brasileiro já tá cansado de ver… treinadores fechando a casinha como Mano e Carille para vencer títulos de momento…

      Espero que isso mude e que o Ceni consiga mesmo fazer do time ofensivo em competitivo.

      Toda vez que vejo um torcedor aqui falando do velho pragmatismo arcaico do futebol dos anos 80 eu lembro de um gol da Alemanha; modelo superado, passado … a gente acha que o futebol brasileiro inventou a roda. Mesmo tomando uma sova dos germânicos.