Febre Tricolor – Refinamento

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Rogério Ceni teve sua melhor atuação tática

A inconteste vitória do São Paulo por 2 a 0 sobre uma das equipes mais poderosas do Brasil, na noite deste sábado, fez o treinador Rogério Ceni fugir definitivamente de suas características para protagonizar uma alternativa tática que lhe fez prevalecer sobre a marcação lateral do Palmeiras. Não é um jogo dos sonhos ofensivo que possa servir como referência para demais equipes do País, mas é providencial para que o técnico possa jogar a seu gosto no futuro.

O modelo tático é similar ao que o treinador Antonio Conte desenvolveu no Chelsea para sair com o título da Premier League desse ano: um 3-4-3, também amparado por um atacante que virou ala. No caso dos Blues é Moses que faz esse papel pela esquerda, enquanto hoje vimos um trabalhador Marcinho fazer o mesmo na direita e cumprir função tática de forma brilhante. Houvesse maior refinamento por parte de alguns dos jogadores a vitória poderia ter sido mais tranquila.

Os dois jogadores que sobraram taticamente foram justamente o falso lateral Marcinho e o ponta esquerda Luiz Araújo. Traçar um paralelo técnico entre os dois jogadores é uma missão simples.

Marcinho é jogador sério que surgiu em uma equipe grande, foi negociado com o futebol do interior e volta a ter uma chance no topo do esporte. Sabe de sua condição técnica e, maduro para o que pode render, desempenha seu papel ao feitio do que lhe é cobrado.

Luiz Araújo pode ter um futuro brilhante. Sua velocidade é espantosa, aliada a qualidade em alguns fundamentos como drible e chute. É muito jovem, por isso falha em lances capitais. Tem muito a percorrer pra atingir maturidade. Exemplo: se fosse um atleta cerebral, quando ganhou um lance no primeiro tempo do poderoso defensor Yerry Mina, daria tempo para ter levantado a cabeça e rolado com açucar pra Pratto marcar. Não foi assim.

O que falta a alguns bons e jovens jogadores do São Paulo, ainda, é refinamento técnico. Mas eles vão chegar lá.

Contratações

Calleri poderia dividir protagonismos da equipe

Não é muito difícil saber do que o São Paulo precisa. Um craque para dividir o protagonismo com Pratto e Cueva. Pratto levou o time nas costas nesse último e difícil jogo. Cueva está longe do seu melhor futebol, mas o ritmo de jogo e confiança vão lhe trazer de volta, assim como a evidente melhora do jogo coletivo do Tricolor.

Precisa ser ou um meia armador ou um atacante. Se houver possibilidade, o retorno de Jonathan Calleri seria espetacular. Diferente do que alguns setores especializados da mídia opinaram, não há problema algum de jogar ao lado de Pratto. Basta pegar um simples vídeo das partidas que o mesmo fez ao lado de Tévez, no Boca: dois centroavantes, em tese.

Calleri sabe jogar com a bola nos pés e pode atuar do lado direito do campo. Pratto sabe jogar com a bola nos pés e pode atuar como garçom, como fez hoje. Ou seja, lado-a-lado na frente são complementares.

Os críticos falarão que o time poderá perder em profundidade. O trabalho que Marcinho mostrou hoje, como ala direito, demonstrou que não. Outra opção é usar um 3-2-3-2, com dois dos meias bem abertos.

A diretoria deve um jogador de qualidade para o técnico Rogério Ceni. Sobretudo devido ao que ele fez taticamente hoje. O Tricolor precisa de pelo menos mais um protagonista. Não será o volante Fernando Bob esse jogador (que deve estar chegando para suprir a saída de João Schmidt). Até porque falou-se antes que só trariam jogadores-chave. Não se pode mudar o discurso no meio.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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