Na Segunda Jamais – Os Patrocínios Do São Paulo

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Desde 1982 quando o Conselho Nacional de Desportos passou a permitir patrocínios nas camisas de times de futebol, diversos patrocinadores masters – aqueles que anunciam sua logo na área nobre da camisa – passaram pelo uniforme tricolor. A análise que proponho hoje é a partir do fim do contrato com a LG, em janeiro de 2010.

A gigante multinacional sul-coreana começou a patrocinar o São Paulo em 2001, e estampava sua logo na fase mais vitoriosa do SPFC pós Telê Santana. A empresa chegou a oferecer 24 milhões de reais por ano para renovar com o tricolor – valor considerado alto até para os padrões de hoje – mesmo assim, o presidente da época Juvenal Juvêncio recusou, visando 30 milhões de reais (vale ressaltar que na época o Corinthians recebia uma verdadeira fortuna da Hypermarcas, algo em torno de 38 milhões de reais por ano).

Com o fim do contrato com a LG, mais 4 contratos foram firmados. Como esses contratos nos mostram como o SPFC foi perdendo força ao longo do tempo?

BANCO BMG – Em 2010 o clube vivia um momento de reforma. No primeiro ano completo sem Muricy Ramalho no comando, o time teve participação pífia no campeonato paulista, sendo eliminado pelo Santos na semifinal num agregado de 6-2.

No campeonato brasileiro, o time não mostrou a mesma força que havia mostrado nos últimos 4 anos, e acabou amargando um nono lugar.

Já na Libertadores da América, o clube foi eliminado na semifinal pelo Internacional, fato que consumou a queda do então técnico Ricardo Gomes.

Após 8 meses com apenas contratos pontuais, o SPFC volta a ter um patrocinador máster; o banco BMG fechara um contrato de 10 meses de duração. Os valores não foram divulgados na época, mas estima-se que renderia ao clube algo em torno de 25 milhões de reais ao longo do contrato. O patrocínio tinha altos valores muito devido ao sucesso anterior do SPFC. O clube estava com uma grande visibilidade, o Tri-Hexa ainda era recente, mas sem a classificação para a Libertadores de 2011, o clube perdeu muita força no cenário brasileiro.

O contrato com o banco foi renovado em 2011, com apenas alguns ajustes de inflação. Com o fim da parceria em 2012, o banco BMG resolveu não renovar com o clube. O SPFC amargou eliminações para Avaí e Santos na Copa do Brasil e Paulistão, respectivamente. No Campeonato Brasileiro foi novamente incapaz de se classificar para a Libertadores. Seria mais um ano sem a participação na maior competição da América, fato incomum para o tricolor.

SEMP TOSHIBA – Após começar 2012 com a camisa limpa devido a não renovação com a BMG, em setembro o SPFC anuncia a parceria com mais uma empresa de eletroeletrônicos. Os mais otimistas já esperavam mais uma duradoura e vitoriosa relação com uma gigante multinacional, lembrando do momento vivido pelo SPFC com a LG.

O valor do contrato era de R$ 53 milhões até o fim de 2014. Algo que rendia em torno de R$ 22,7 milhões por ano. Já era possível ver que devido ao retrospecto tricolor no biênio 2010-2011, os valores contratuais apresentavam queda.

Já na questão do retrospecto tricolor no ano, o SPFC voltaria a disputar a Libertadores após 2 anos longe da competição continental, e o mais importante: o clube voltara a ser campeão após 4 anos. O SPFC ganhara a copa Sul-Americana de 2012, e começara 2013 com alta pompa.

Já em 2013 colecionamos fracassos. Eliminados e humilhados pelo Atlético MG nas oitavas da Libertadores, o time perdeu o rumo. Nem a chegada de Paulo Autuori numa evidente atitude saudosista arrumou o time. O clube teve uma de suas piores fases da história. Quase rebaixado, foi necessária a chegada de Muricy Ramalho, que com sua força dentro do Tricolor, arrumou a casa e nos livrou daquela que seria a etapa mais vexatória da história são paulina.

Com o desempenho pífio, a Semp-Toshiba começou a avisar o Tricolor de que o contrato teria que passar por mudanças. E em julho de 2014 o contrato foi rescindido.

Entre julho de 2014 e maio de 2016 o SPFC ficou sem patrocinador. Ainda que tivesse tido uma boa temporada em 2014, e uma temporada regular em 2015, o clube não firmou nenhuma parceria.

PREVENT SENIOR – Após quase 2 anos sem um patrocinador master, o SPFC voltara a ter uma marca estampada no peito. A operadora de saúde Prevent Senior fechara um contrato até dezembro de 2016, com renovação automática até o fim de 2017. O contrato foi rompido em março de 2017, e rendeu ao clube R$ 16 milhões dentro do espaço de um ano. Um valor bem abaixo do que era o “padrão” tricolor.

Claramente a perda de força no cenário brasileiro por parte do São Paulo resultou em contratos de patrocínios cada vez mais baixos e quando comparados com os rivais, REALMENTE, muito mais baixos.

BANCO INTERMEDIUM – O contrato firmado com o banco após alguns meses de negociação, afirma a queda de visibilidade do SPFC no cenário brasileiro.  

Valido por três temporadas (até junho de 2020), o São Paulo receberá R$ 42 milhões, o que significa dizer R$ 14 milhões por ano (isso corresponde apenas ao aporte em dinheiro).

Ainda que o poderio financeiro brasileiro tenha caído ao longo da última década, se analisarmos, a LG ofereceu 24 milhões por ano ao SPFC em 2010 para renovar com o clube. Com o Banco Intermedium, passaremos a receber 14 milhões, quase metade.

A sequência de contratos pós LG mostra o imenso declínio tricolor. Um time que era considerado a principal força do Brasil, com contratos de quase 30 milhões de reais por ano (Banco BMG) foi perdendo cada vez mais espaço, e hoje tem que se contentar com 14 milhões de reais/ano. O mercado paga pelo retorno que tem, e os patrocínios dos últimos 8 anos atestam a decadência que o SPFC apresenta. Mas se levarmos em conta as eliminações para Avaí, Penapolense, Defensa y Justicia, talvez os 14 milhões sejam até muito dinheiro.

Eduardo Achar Filho é estudante de medicina pela Santa Casa, são paulino de berço, acompanha o tricolor desde o título do Rio-SP. Qualquer dúvida ou sugestão , envie um email para [email protected]

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Comentários

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1 COMENTÁRIO

  1. Mas o Tricolor não eh soberano em tudo? Isso mostra o quanto o clube se tornou risível e ridículo em todos os aspectos. E até que o mercado não está pagando muito mal, haja vista se tratar de um clube que na eh campeão de nada a anos, crise similar desde a época da construção do estádio. Logo a Globo começa a pagar menos também. A única solução eh a volta das conquistas, mas isso parece muito longe de acontecer.