Quartas Tricolores – A Parcela de Ceni

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É um pouco complicado falar do Rogério nesse ano de 2017. Alguns dizem que ele não tem culpa, outros que ele é o responsável pelos problemas que estamos enfrentando nessa temporada recheada de vexames.

Não venho, nessa quarta, cornetar o trabalho do treinador, mas levantar alguns pontos de discussão onde, de fato, talvez, ele tenha alguma culpa. E para exemplificar minha ideia, vou ilustrar com dois exemplos.

Assisti, há pouco tempo, o filme Coach Carter – Treinando para a Vida, com o grande Samuel L. Jackson no papel de Ken Carter. Esse homem, que havia estudado na escola de Richmond, volta à sua escola natal com a ideia de fazer o time de basquete ser respeitado novamente.

Extremamente rígido e perfeccionista, o começo de sua trajetória me chamou a atenção. Na primeira semana em que treinou o time (já havia jogo no final de semana), ele pediu para que os atletas APENAS corressem e praticassem fundamentos. Sem jogadas ensaiadas, sem trabalhos técnicos, sem nada, apenas fundamentos. Correr e passar. Nada além do básico para enxergar as características de cada um e não exigir mais do que se pode dar.

Com o decorrer do filme, esse tipo de treinamento se torna corriqueiro, afinal, Carter sabe que não tem o time mais talentoso, mas ele quer ter o time que mais corre, disputa e trabalha bem nos fundamentos do basquete. O final? Melhor assistirem, vale a pena.

Voltando ao São Paulo, nós tivemos nosso Ken Carter. Seu nome? Telê Santana que, ao observar a falha de fundamento em algum jogador, o obrigava a treinar à exaustão, sempre visando sua melhora nos jogos de alto rendimento.

Raí e Cafú foram alguns que sentiram a “fúria” do Mestre. Perfeccionista, não aceitava um meia que não fizesse passes com o meio do pé e um lateral que não soubesse cruzar a bola com perfeição. Sua obstinação e dedicação fizeram do SPFC o maior clube do Brasil.

Nesses cinco parágrafos que escrevi, tentei mostrar onde está o “erro” do Ceni. Não adianta querer aplicar conceitos inovadores, futebol para frente e teorias do “ponto futuro” se os atletas não possuem os fundamentos bem trabalhados.

Entendo, também, que não é culpa dele se as bases de onde vieram não os preparou bem para o profissional, mas o defeito PRECISA ser corrigido. E cito um exemplo básico: o Marcinho. O rapaz vai ser usado como ala?

Então beleza, vai ser ala. Quais as qualidades dele? Um bom drible, uma boa velocidade e a disposição em ajudar. E o defeito? Não sabe cruzar. Então, Rogério, por favor, coloca o menino para treinar cruzamento. E faz o mesmo com TODOS os laterais, afinal, o desempenho do Buffa e do Bruno anda bastante patético.

Antes de querer que os jogadores atuem no esquema do Guardiola, precisamos que eles trabalhem bem o básico. Troca de passes, movimentação, “rodar a bola”, cruzar e chute são coisas BÁSICAS que qualquer jogador JÁ DEVERIA ter, mas se não tem, é preciso oferecer isso a eles.

O Telê fez com vários atletas e deu certo. O erro do treinador está em não enxergar essas minúcias. E não é um erro só dele, é da comissão como um todo.  Perceber essas pequenas falhas e corrigir não é um absurdo, não é tão difícil. O que não pode acontecer é o time errar tanto chute como erra e errar tanto cruzamento como erra. Não vou nem falar dos escanteios à meia altura, afinal, isso deve irritar todo mundo.

Já que a diretoria bancou o Ceni, precisamos cobrar melhorias em seu trabalho e, pelo que tenho visto do SPFC, acredito que esse seja um caminho para melhorar as coisas.

Lugano: Ao que tudo indica, o velho ídolo vai renovar. Importante para ele, para o clube e para a molecada que precisa de um escudo. A presença dele é fundamental para o bom andamento do clima do elenco. É preciso respeitar seu amor pelo SPFC, afinal, pelo que se diz, ele renovou por menos. Se isso não é amor ao clube, o que é?  Obrigado, Lugano!

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Abrahão de Oliveira é jornalista, formado pela Universidade Metodista de São Paulo, dono da @spinfoco, são-paulino e tem o sonho de cobrir um mundial de clubes com o clube do coração. 

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