Além das 4 linhas – O 14º treinador

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SPFC teve entre 2005 e 2008 um período que nenhum outro clube Brasileiro teve na história do nosso futebol, a começar pelo inédito tri campeonato Brasileiro.

De 2009 até hoje são 9 temporadas e 14 treinadores, contando o Dorival Jr, um absurdo! Lembro-me bem quando Muricy caiu em 2009. Alguns torcedores do clube achavam que ganhar a libertadores era uma obrigação e por isso o melhor treinador do pós Telê foi demitido. O SPFC não estaria assim se ele estivesse no clube ate hoje!  Os anos seguintes vieram para apagar esta soberba de alguns. Hoje estamos a passar o boné em busca de qualquer taça.

O futebol é um lugar muito ruim para o trabalho porque todo trabalho pede razão e o futebol é quase que só emoção. A prova atual disso é a contratação e a demissão do Rogério, um cara sem alguma experiência como treinador, que foi visto como a solução para o clube que vive uma crise interminável. O que esperavam do primeiro trabalho do Rogério? Quem lhe ofereceu o emprego deveria estar preparado para as tempestades de 2017, além de ter faltado um plano de carreira a ele, com início nas categorias de base como fez Zidane no Real.  Mas o SPFC de hoje parece não estar preparado para nada, nem para coisa ruim, muito menos para coisa boa.

Agora é começar mais uma vez no meio de uma temporada esperando que o treinador substituto seja competente, tenha condições de fazer bom trabalho e fique no cargo até o fim de 2018, para que possa ter tempo para desenvolver seu trabalho e planejar uma temporada inteira no mínimo.

Podemos confiar neste grupo que está no poder do clube faz alguns anos? Obviamente não podemos confiar. O futebol, além de ser um lugar ruim de trabalho por falta de razão, como escrevi acima, é um lugar que não atrai gente competente e de bem, via de regra. O SPFC era o diferente, mas ficou igual. Hoje os bons profissionais não querem o futebol como lugar de trabalho. Acontece parecido com a política. Será coincidência ou os dois setores tem algumas semelhanças? Antigamente o dinheiro não andava tão perto do futebol como hoje. Será que o dinheiro acabou com o futebol?

Talvez por isso eu fui perdendo o tesão pelo esporte. Ouço de amigos, principalmente torcedores de outros clubes, que eles não querem saber das finanças do clube, querem saber de títulos. O nosso SPFC nunca foi assim e talvez também por isso tenha sido o “diferente”. Quem estava lá sabia que a boa gestão traria, cedo ou tarde, bons resultados.  Hoje tudo mudou para pior no ainda maior do Brasil.

Acontece também que clube de futebol tem muitas semelhanças com empresas estatais, ou seja, não tem dono. Mais uma vez estamos perto da política, que acaba com as estatais. Além de não ter “dono”, o clube de futebol também tem muito dinheiro. É prato cheio para os famintos por poder e dinheiro.

Acho que de novo a culpa é do brasileiro, que releva a corrupção na política se as coisas estiverem indo relativamente bem, mesmo podendo ir melhor, e que releva a corrupção e a má administração nos clubes se estes estiverem levantando taças.

É, parece que quanto mais racional fico, menos gosto das coisas do Brasil.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

Carlito Sampaio Góes
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Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

 

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