Febre Tricolor – Como canalizar a crítica?

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Perdido, torcedor aponta seus vilões

A insatisfação do torcedor sãopaulino diante dos resultados apresentados é evidente. Não poderia ser diferente, é a segunda maior seca de vitórias do Tricolor no Campeonato Brasileiro de pontos corridos. De acordo com informações apresentadas pelo Blog do PVC, somente em 2013 foi ainda mais pobre. Esse cenário faz com que a arquibancada tenha dificuldade até de saber para onde apontar a metralhadora giratória; mas o ideal é que a mesma não fosse disparada.

Antes de mais nada, importante dizer que para a torcida o cenário é completamente ridículo, ninguém sabe o que pensar e nem o tamanho do poço.

O torcedor, acostumado com o futebol de Friedenreich (30), Leônidas (40), Sastre (50), Canhoteiro (60), Pedro Rocha (70), Pitta (80), Raí (90), Kaká (2000), obviamente iria protestar contra jogadores do elenco atual que poderiam fazer a diferença. Os alvos de momento são Christian Cueva e Wellington Nem, por exemplo. Todos sabemos que não se tratam de Palhinha ou Müller, mas será que adianta individualizar a culpa?

Não precisa ser um especialista em futebol para saber que é muito difícil jogar em um coletivo ruim. Se o torcedor acha que toda a culpa do mundo reside em Nem e Cueva, vamos pegar o exemplo de Lucas Pratto. Jogador alçado ao posto de melhor atacante do Brasil, quando estava no Atlético Mineiro, e segundo melhor atacante da Argentina (pelo menos), quando estava no Vélez Sarsfield. Pois é. Também não consegue jogar no coletivo do São Paulo.

Imagina-se então que o problema é treinador. Rogério Ceni, ao meu ver, fez de tudo. Começou jogando com marcação pressão, futebol extremamente ofensivo que era criticado por ser instável. Fechou a casinha e montou um time mais forte defensivamente, que parou de ganhar. Veio o trabalho de Dorival Júnior. As duas primeiras partidas sob o comando do novo técnico apresentaram falhas infantis na defesa. Isso não é problema de qualidade, e sim de formação de elenco.

Futebol errou

Combinação de características é remédio para encontrar equipe

No ponto em que estamos dá para afirmar com toda a segurança que quem comanda o futebol do São Paulo errou. Não é que tenha contratado jogadores ruins; mas esqueceu do elemento principal quando da formação de um elenco: combinação. Você precisa ter atletas mais vigorosos ao lado dos técnicos.

Quando você pega uma defesa com Bruno, Rodrigo Caio, Arboleda e Júnior Tavares, você tem, por exemplo, quatro atletas extremamente técnicos… mas algum deles é ideal para jogo de corpo com centroavante? Alguém se lembra de que forma o centroavante Everaldo (do Atlético Goianiense) fez um gol de calcanhar, semana passada?

Quando você vende num mesmo pacote David Neres, Luiz Araújo e Thiago Mendes, será que seu time não vai perder um pouco em velocidade? Alguém lembra-se quais eram as principais críticas que residiam sob o São Paulo de Ganso e Luís Fabiano? Certamente não era problema de habilidade.

É claro que alguns torcedores preferem criticar jogadores do que a diretoria, porque a crítica à diretoria é abstrata. “Os caras não jogam”. Também é de praxe criticar o presidente, atualmente o Leco, outra época o Aidar, Juvenal, Bastos Neto, etc. Mas esses caras comandam todas as áreas do clube, não somente o futebol. Dê responsabilidade ao especialista, em primeiro lugar: o diretor, o superintendente ou supervisor de futebol, seja lá qual for a nomenclatura.

Agora vem o principal. Parece-nos claro quem mais errou. Mas é o momento de criticá-lo? Não acho. Não dá mais tempo nessa temporada de consertar o que foi feito. A torcida precisa apoiar incondicionalmente time, treinador, diretor de futebol, presidente, massagista, psicologo, médico, roupeiro, nutricionista, e quem mais quiser ajudar. É hora de deixar as reclamações pro próximo ano ou para o momento da eleição do clube. Do contrário, já sabemos o que irá acontecer.

Em tempo: o Aeroporto de Chapecó teve algum problema em seus vôos e a delegação sãopaulina regressa de ônibus, em uma viagem de cerca de 15 horas. Pode ser um bom momento para uma maior aproximação entre os jogadores.

Contato:

@RealVelame ou [email protected]

Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição dos proprietários da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

Comentários

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8 COMENTÁRIOS

  1. Colega Velame, eu gosto de você e o respeito, mas tu es um brincalhão. A Diretoria levou o clube a um patamar ridículo e rasteiro. A culpa eh exclusivamente dela. Infelizmente, vamos cair esse ano. E não se enganem que será fácil voltar. Com esses jogadores, não sobe.

  2. Alexandre concordo com o que diz. Realmente montamos um time sem critério. Para jogar com Pratto precisamos de dois jogadores com boa técnica jogando pelos lados, talvez com Neres e Luiz Araújo nosso ataque estivesse melhor. Porém não adianta chorar o leite derramado, na minha opinião agora devemos montar um time com o que temos de “melhor” e pra mim o Pratto sai e entra o Gilberto com Lucas Fernandes e Cueva armando, mesmo que para equilibrar o Cícero tenha que voltar ao meio campo para ajudar Jucilei e Petros.
    Quanto ao apoio da torcida eu também concordo, claro que estou p…,porém não quero ver o meu time na segundona. Se cair vamos fazer como nossos rivais que estiveram na série B ? Lotar o estádio e apoiar incondicionalmente ? Vamos claro que vamos, porque amamos o time e não queremos a situação. Então é mais fácil apoiar agora na primeira divisão para que ali o time fique e volte ano que vem a disputar o título que é nosso lugar correto.

  3. Concordo não vou mais reclamar, vou apoiar, lá vai:

    Falham terceiro goleiro: apostamos em vc, mas é tão fraco ou mesmo pior que os outros dois, não a toa foi dispensado do Atlético Mineiro.

    Salsicha: jogador de condomínio, fraco pelo alto, franzino, deveria jogar no Xbox.

    Bruno e Buffarini: os dois juntos são duas merdas.

    Tavares: volta pra Cotia ou vá pra pqp.

    Jonathas Gomes: dê os meus parabéns ao seu empresário, ele é um craque ao contrário de vc.

    Marcinho, Denílson e Nem: nenhum de vocês jamais poderia ter sentado sequer nas arquibancadas do Morumbi, quanto mais pisar em seu gramado.

    Pipocueva: de craque a bagre num piscar de olhos. Meu amigo, no bom todo mundo é bom, difícil é ser bom quando as coisas não vão bem.

    Velhugano: rapaz eu te invejo por ter o melhor emprego do mundo, ser animador de torcida de vestiário e ganhar 180 mil.

    Diretoria: parabéns por tudo o que está acima e principalmente de ter entregado o São Paulo nas mãos de uma múmia estagiária demitida

  4. Meu caro colunista, me desculpa mas dizer que a Diretoria cuida também das outras partes do “Clube” como também do futebol é tentar brincar com a imaginação do torcedor. O “clube” só existe por que o futebol existe, caso contrário ninguém ou pouca gente ouviria dizer São Paulo Clube, entendeu, sem o futebol?! Sou tricolor há mais de 6 décadas e confesso que seu meu coração não fosse forte como de um ex-atleta eu já teria enfartado, talvez mais da raiva do que do emocional.
    Nosso time atual e espero que saiamos dessa, é um arremedo de time de futebol. Com raras e honrosas exceções, que me parece estar muito claro para a grande maioria dos torcedores, o grupo de jogadores “profissionais” não passam de “amadores” quando se trata de jogar futebol. Uma timidez revoltante para um “clube” da nossa grandeza.
    Me desculpa mas não posso concordar com suas posições, embora o respeite pelas suas formações, mas em se tratando de tentar entender o momento atual do nosso “clube” não dá para compactuar. Esse meio do futebol é um pouco repugnante, ou seja, dirigentes talvez tentando interferir para que jogadores não sejam “desvalorizados” ou algo parecido. E o nome, as conquistas anteriores, o momento atual e o futuro como devem ser encarados por estes “pseudos” dirigentes? É notório que há jogadores da base que nunca terão chances num contexto mais favorável e mesmo neste mais triste. Quer um exemplo: temos um lateral direito na base, com uma relativa baixa estatura, mas com um futebol de gente grande, o Foguete. Onde está? Será que seria mais alto que o Djalma Santos? Não creio. Este só um exemplo.
    Eu temo sim, haja vista exemplo de nossos adversários tradicionais que foram visitar por una temporada a série inferior do nosso futebol. Claro que voltaríamos com os pés nas costas como se diz no popular, mas amargaríamos um ano de vacas magras entre outras coisas. Alguém nos socorra!