Febre Tricolor – Vacilo zero

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Técnico terá que corrigir detalhes pra lutar contra o “imponderável”

O citado “imponderável” pelo técnico Dorival Júnior seguirá trabalhando rodada-a-rodada em desfavor do São Paulo, enquanto perdurar um mau momento que insiste em perseguir o clube nesse ano. Mais uma vez a falta de capricho nos detalhes foi determinante para o empate de 1 a 1 no clássico contra o Corinthians – resultado que os adversários comemoram como se fosse uma vitória. Não faltou, porém, entrega, dedicação e organização tática nessa partida.

As reações dos jogadores do São Paulo após o empate de 1 a 1 diante do rival foram de desespero, em razão das últimas decisões das arbitragens. Era uma vontade imensa do grupo responder aos mais de 60 mil torcedores presentes no estádio, mas a verdade é que o resultado foi normal e pode acontecer quando se vacila. Nesse momento que o São Paulo vive o vacilo tem que ser zero, tem que se jogar nível Champions League, em patamar muito além do oponente.

Não costumo fazer isso, mas preciso relembrar aqui alguns fatos. O Bahia venceu o São Paulo, na Arena Fonte Nova, com um gol do meia Zé Rafael em posição irregular. Teve um pênalti marcado contra a Ponte Preta com Jucilei expulso, no mesmo lance – coisa que não acontece mais com a mudança nas regras do futebol – determinante para o time de Campinas buscar o empate; além de um pênalti inexistente marcado sobre Rildo, no Morumbi, que determinou a derrota de 2 a 1 contra o Coritiba. Trata-se de três confrontos diretos.

No jogo contra o Corinthians, sinceramente, em três ou quatro lances polêmicos até poderia se considerar que, isoladamente, nenhum deles seria punível com infração. O que choca é a falta de critério, em relação ao que se vê no dia-a-dia da arbitragem brasileira.

Um dos lances reclamados pelos jogadores foi protagonizado pela pataquada da defesa corinthiana, quando a bola resvala na mão do zagueiro Pablo, confira aqui o lance:

No meu entendimento sobre pênalti, jamais essa infração deveria ter sido marcada. Ocorre que no clássico Palmeiras 1×2 São Paulo (2014), num lance idêntico a esse a bola resvalou na mão de Edson Silva e um pênalti foi marcado contra o Tricolor. Após isso acompanhamos um pisão de Maycon em Petros, que não foi punível sequer com cartão amarelo.

Mais dois lances polêmicos, neste empate do último domingo, provocaram a ira dos jogadores. No primeiro deles, alegam os atletas tricolores que Rodriguinho teria puxado o lateral esquerdo Júnior Tavares para fazer o cruzamento que originou o gol do Corinthians. O outro é um lance em que o goleiro Cássio sai de forma atabalhoada, esbarra em Lucas Pratto, e o árbitro anula um gol de cabeça de Éder Militão. Em entrevista, Cássio não sabe precisar se a barreira feita por Pratto para evitar sua saída foi proposital ou não.

Admito mais uma vez que, em todos esses lances, é possível que as decisões tenham sido acertadas. O que foge da normalidade e que torna compreensível as reações dos jogadores sãopaulinos é o conjunto da obra; quando, num clássico, nenhum desses lances capitais é marcado em seu favor. Para os especialistas Sálvio Spíndola Fagundes Filho e Leonardo Gaciba, pelo menos, não houve falta no goleiro Cássio no gol de Militão.

Outro critério difícil de compreender é quando se trata de “incitação à torcida adversária”. Cueva marcou gols contra Santos e Corinthians, com seu tradicional gesto de colocar a mão na orelha. Em um desses lances foi punido com cartão amarelo. Noutro foi advertido pelo árbitro. Interessa-me saber qual será para o douto Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a punição ao volante Gabriel, que mostrou o bago pra torcida do São Paulo para comemorar um empate diante do rival. Não entendi essa reação do “profissional”, seria apenas gana de vencer de um adversário mundialmente famoso? Parecia o mesmo jogador de clube pequeno comemorando empate.

Capricho nos detalhes

Símbolo de determinação tem auxiliado no trabalho de marcação

Desde o empate de 1 a 1 contra o Avai, quando o São Paulo mudou pela primeira vez o seu desenho tático, a equipe vem apresentando um crescimento evidente. Ficou clara a organização coletiva da equipe nesse empate de 1 a 1 contra o Corinthians, a ponto do resultado de empate parecer injusto. Recebi mensagens de amantes do futebol insuspeitos que detectaram o amplo favoritismo do São Paulo na partida. A boa organização do adversário, não por acaso líder do campeonato, impediu uma vitória tricolor.

Em jogos difíceis como esse, o nível de vacilo que o Tricolor precisa ter é zero. Como bem colocado por Dorival Júnior, o “imponderável” tem trabalhado enquanto a equipe enfrenta dificuldades na tabela. A única chance de afugentar de vez a zona do rebaixamento é corrigir os mínimos erros.

Um exemplo foi a barreira de proteção que o lateral esquerdo Júnior Tavares fez para esperar a bola sair, no lance que originou o gol do Corinthians. Na fase que o São Paulo está o único remédio é dar bico nessa hipótese, não dá para mostrar personalidade naquele momento. O mesmo vale para Rodrigo Caio, quando tenta dar passes longos no meio de três ou quatro adversários.

É óbvio que não estou achando culpados, os dois jogadores estão muito bem nesse e nos demais jogos; mas peguei casos isolados para demonstrar que o detalhe pode ser decisivo. É o que ocorreu também em dois lances de Hernanes. A mesma bola que Cleysson teve para fazer o gol de empate do Corinthians, o capitão sãopaulino teve no primeiro minuto de jogo para abrir o placar. Apesar de ser ambidestro, pegou embaixo da bola.

Depois, o Profeta protagonizou um lance belíssimo deixando quatro marcadores e o zagueiro Balbuena deitado no chão, e não matou. Um jogador do gabarito de Hernanes deveria ter marcado aquele gol para obter uma placa no Morumbi. São esses pequenos detalhes que, às vezes, quando se executa enterra de vez uma crise numa equipe. O famoso “culhão pra decidir”.

O torcedor sãopaulino, por fim, deve ter orgulho de um jogador como Lucas Pratto. Se é que existe o termo dividir com a cabeça, foi o que vi da parte dele. Quando na reunião com torcedores, cobrou-se que cada um fizesse um pouco a mais, imaginei o que Pratto poderia fazer para se entregar mais… seria quase impossível! Mas ele estabeleceu, ao meu ver, um novo limite do impossível. Sabe que a bola não tem chegado, mas deu carrinho na defesa e dividiu com a barriga no meio-campo, literalmente comeu grama.

Os últimos resultados de garra do São Paulo fizeram com que a equipe reduzisse a distância até para o sétimo colocado. São diversas equipes com 31 pontos, três a mais que o Tricolor. Se conseguir corrigir esses detalhes decisivos nos jogos, pelo que vem apresentando em termos de organização, poderá, enfim, deixar a zona da degola e buscar ainda uma classificação honrosa. Que se comece diante de Sport e Atlético Mineiro.

Leco está péssimo

Presidente acerta em gestão financeira, mas é péssimo na relação humana

Se por um lado a gestão orçamentária do clube tem sido responsável, erra o presidente Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, no âmbito das relações humanas. Totalmente desnecessária foi sua entrevista, quando a equipe retoma um futebol de qualidade, e o presidente do clube se volta contra o profissional Rogério Ceni. Definitivamente não era o momento para isso. O quadro passou a ser caótico quando é divulgada noticia de que o mesmo saiu aos braços com um conselheiro, durante a partida. É momento de ficar escondido, esperando o time reagir e não criar mais manchetes desfavoráveis.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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Comentários

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3 COMENTÁRIOS

  1. Velame, acho necessário sim os jogadores externarem sua indignação com a arbitragem e principalmente com a imprensa curintiana, mostra sangue quente e vontade de vencer. Parece que o elenco esta em sintonia.
    O time ontem foi muito bem, mostrou que tem capacidade de sair da atual situação. Na minha opinião faltou um pouco mais do Hernanes no jogo, apesar dos lance sitados, em alguns momentos ele sumiu em campo. Faltou mesmo um cara veloz, para partir pra cima dos gambás, como fez Luiz Araújo em jogo recente.

    • De fato Eugenio. No sentido da velocidade, o Marcos Guilherme tem me agradado muito. Técnica e parte pra cima sem medo… mas o jogo não era tão simples, os caras marcam bem… e só o Cueva não teve medo de ousar.. os outros precisam disso também!