Além das 4 linhas – Pratto e o gol

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Lucas Pratto é inegavelmente um bom jogador de futebol, em toda partida é elogiado pela entrega e dedicação, mas para quem joga com a 9 não faz tantos gols assim. Foi assim em praticamente toda a sua carreira, com exceção do período no Atlético-MG, onde fez um pouco mais gols que de costume.

Eu me lembro que num dos confrontos pela Libertadores entre SPFC e o Atlético um comentário dizia que nosso goleiro tinha mais gols na carreira do que o Pratto, que também não era mais um jovem atacante. Buscando dados da carreira deste bom jogador, li que entre Vélez, Genoa, Católica do Chile, Atlético e SPFC ele jogou 332 partidas, tendo anotado 115 gols, media de 0,35/jogo. Chama atenção  a quantidade de clubes que Pratto passou em sua carreira.  No SPFC Pratto tem 37 partidas com 12 gols feitos, 0,32 por partida. É pouco. Mas o ano do SPFC não pode ser considerado. Quero observar nesta reta final de brasileiro onde o time está crescendo para ver se ele deixa a marca dele em muitas partidas.

Para fins comparativos, Alexandre Pato teve média de 0,42 no Milan e 0,39 no SPFC. O centroavante Fred do Atlético-MG tem média de 0,54 na carreira toda. Os grandes atacantes da Europa possuem médias bem mais altas, variando entre 0,65 a 0,95 aproximadamente. Para citar alguns exemplos o Higuaín tem média de 0,65, Cavani 0,95, Cristiano Ronaldo 0,75 e Falcão Garcia tem 0,65 na temporada passada.  Luis Fabiano e Serginho Chulapa curiosamente possuem a mesma média de gols por partida contra o Corinthians, 0,65 gols por jogo com a camisa do SPFC.

Vestindo o manto, o Chulapa teve média de 0,61, o França teve média de 0,56, Muller 0,41, Luis Fabiano 0,74 e Raí 0,32 gols por partida. Pratto está bem longe destes monstros sagrados do Morumbi, principalmente os 3 caras citados que vestiram a 9.  Sendo prático, o futebol mudou muito nos últimos anos aqui no Brasil e se Pratto jogando o que joga tivesse o dobro de média de gols, não jogaria por aqui, estaria na Europa até hoje como todo bom jogador.

Assim sendo, é muito importante que outros jogadores do nosso time tenham como característica fazer gols. Isso, imagino, deve ser levado em conta na hora de selecionar contratações.

Falando em contratações, o que o elenco do SPFC tem de jogadores que não estão bem ou que muito provavelmente sairão em 2018 é uma grandeza. Pensa comigo de forma ainda preliminar: Denis, Renan Ribeiro, Lugano, Jucilei, Cícero, Thomaz, Gilberto, Morato, Nem, Marcinho, Denílson,  Gomez, Bruno, Buffarini e Edimar. Poxa, é quase todo o banco de reservas. Deste monte de jogadores, sei que alguns terão contrato válido em 2018, mas alguns já tem saída confirmada e outros ainda não renderam, como o Thomaz e o Gomez, além dos dois laterais da direita. Quanto trabalho tem a comissão! Com quem desta lista podemos contar hoje em dia? Quase nenhum.

Diante de lista tão extensa, o clube tem uma missão enorme no fim da temporada  na montagem do grupo para o próximo ano. O time titular de hoje eu considero bom, mas dependendo da ausência que o time tenha, não temos opções no banco.

Mas como diria a sabedoria, vamos por partes, afinal de contas, só agora o time começa a apresentar bom futebol desde o início do ano, quando fazia muitos gols e tomava também muitos gols, mas jogava razoavelmente bem, apesar de ter passado vergonha na sul americana, que para mim marcou o fim do início da nova carreira do Rogério Ceni.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

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Carlito é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

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