Memórias Tricolor #24 – O Xerife

2
364

Nos filmes sobre o Velho Oeste, em meio aos bang bangs, machões valentões e moças bonitas sempre aparecia um homem que todos temiam, o Xerife…

De 1986 quando chegou ao São Paulo Futebol Clube à 1993, a função de Xerife coube em diversos jogos ao zagueiro Ronaldão, um dos maiores jogadores Tricolor do mágico período de 1991 a 1993.

Ronaldo Rodrigues de Jesus, o Ronaldão nasceu em São Paulo em 19 de junho de 1965, iniciou sua carreira no Rio Preto de São José do Rio Preto em 1985 como lateral esquerdo. Em 1986 foi para o São Paulo Futebol Clube e logo o técnico Cilinho percebeu que Ronaldão era muito lento para ser lateral mas seria um ótimo zagueiro então o trocou de função, virou quarto-zagueiro.

Porém o São Paulo teve entre 1986 e 1990 no elenco jogadores como Dario Pereyra, Ricardo Rocha, Adilson, Antonio Carlos e Ivan, zagueiros de grande habilidade, toques refinados, marcadores perfeitos e guerreiros valentes, resultado Ronaldão se tornou reserva e neste período atuou por poucos jogos. Mas sempre dedicado aos treinos, era um jogador de muita raça e logo os resultados vieram.

Resultado de imagem para Ronaldão spfcEm 1991 o São Paulo era comandado pelo Mestre Telê Santana que viu em Ronaldão um jogador de confinça, de excepcional condicionamento físico e o colocou ao lado de Valber um hábil zagueiro. Ronaldão virou o Xerife na zaga Tricolor e peça fundamental do time na conquista do Campeonato Brasileiro de 1991, um zagueiro eficiente que se tornou o “limpa-trilho” do time do Morumbi.

Zagueiro alto 1,90 m, negro, de muita raça, Ronaldão simplesmente se tornou ídolo da torcida Tricolor sendo um dos símbolos das conquistas do São Paulo no início da década de 90, o período mais vencedor da história Tricolor. Coube a Ronaldão a última penalidade na disputa de pênaltis na decisão da Recola Sul-Americana de 1993 contra o Cruzeiro em pleno Mineirão em 29 de setembro de 1993. Ronaldão não decepcionou bateu forte no canto esquerdo do goleiro Sergio e estufou as redes.

Com seu desempenho e principalmente os títulos a Seleção Brasileira era natural, e sua primeira convocação veio logo em 1991 e a participação na Copa de 1994 quando o Brasil se tornou Tetra-Campeão. Ao todo pela Seleção foram 14 partidas e 3 gols coincidentemente os mesmo número de Gols que marcou no São Paulo.

Pelo Tricolor foram 300 partidas, de 1986 a 1993 e muitos títulos: Campeão Paulista de 1987, 1989, 1991 e 92, Campeão Brasileiro em 1986 e 1991, Bi-Campeão da Libertadores em 1992 e 93, Bi-Campeão Mundial em 1992 e 93, Recopa Sul-Americana de 1993 e Super Copa Liberdatodes em 1993.

Em 1994, Ronaldão foi para o Japão jogar no Shimizu S-Pulse, em seguida em 1995 retornou ao Brasil para jogar no Flamengo e em 1996 foi Campeão da Taça Guanabara, Taça Rio e consequentemente Campeonato Carioca, e Copa Ouro. Do Flamengo foi para o Santos em 1997 onde chegou sendo Campeão do Torneio Rio-São Paulo e permaneceu até o ano seguinte. Em 1998 foi para o Coritiba, mas sem muito destaque logo se transferiu para a Ponte Preta onde jogou por 69 partidas e encerrou sua carreira em 2002.

Ao encerrar a carreira tornou-se gerente de futebol e fez grande sucesso mas os caminhos o levaram a ser empresário de jogador, função que ocupa hoje.

Ronaldão foi jogador fundamental para o São Paulo Futebol Clube em seu período de maiores glórias, um Xerife de pouca habilidade mas muita raça, um fato curioso que contrasta com a equipe dirigida magistralmente por Telê Santana. A este craque rendemos nossa homenagem, dedicação e glórias, Obrigado Xerife.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

Contato: [email protected]

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição dos proprietários da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

 

Comentários

comentários

2 COMENTÁRIOS

  1. Um grande zagueiro.

    Como disse o meu xará, era um cara de pouca habilidade, mas que sabia se importa.

    Outro cara de pouca habilidade mas que também tomava conta da posição era o Dinho(volante). Esse descia a madeira sem pena.
    Kkkkk.

    Tempos gloriosos.