Memórias Tricolor #28 – Os Heróis da Chape

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Era para ser uma semana alegre, muito feliz, era para ser uma data memorável na história de clube, a disputa pelo primeiro título internacional, partida de ida da final na Colômbia, mas algo inacreditável aconteceu, o avião que levava a delegação da Chapecoense e jornalistas simplesmente ficou sem combustível e caiu um pleno voo, era dia 29/11/2016, e o Brasil inteiro virou: #SomosTodosChape

Mateus Caramelo

Resultado de imagem para Mateus CarameloMateus Lucena dos Santos nasceu em Araçatuba em 30 de agosto de 1994, como lateral direito ficou conhecido como Mateus Caramelo, ou simplesmente Caramelo. Chegou ao São Paulo em 2013 contratado junto ao Mogi Mirim clube que o revelou. Chegou as categorias de base do Mogi Mirim em 2009, e sua estreia ocorreu justamente contra o São Paulo, com vitória do time do interior por 1×0. Nas duas partidas que o Mogi fez pelo mata-mata foi titular e chamou a atenção da diretoria Tricolor.

Em sua primeira temporada no São Paulo não foi muito aproveitado e logo no início de 2014 foi empresado para o Atlético Goianiense para adquirir experiencia, jogou pouco mas marcou seu único gol em sua carreira profissional. Em 2015 foi emprestado a Chapecoense, mas ainda muito jovem ficou na reserva a maior parte dos jogos. Ao retornar ao São Paulo no início de 2016 agradou o técnico Edgardo Bauza que o inscreveu para a Libertadores.

Com a contratação do argentino Buffarini, pedido por Bauza, Caramelo perdeu espaço e em 5 de agosto, foi novamente emprestado a Chapecoense. A diretoria Tricolor acreditava em um futuro promissor, mas era necessário amadurecimento. Jogou apenas 6 jogos, 3 no Brasileirão e 3 na Sul-Americana.

Cléber Santana

Resultado de imagem para Cléber Santana spfcCléber Santana Loureiro nasceu em Abreu e Lima, Pernambuco, em 27 de junho de 1981, e começou sua carreira no Sport de Recife em 1999 em 2000 esteve junto a equipe que foi campeão da Copa do Nordeste e Campeonato Pernambucano, repetindo o título em 2003. Em 2004 foi para o Vitória (BA) e conquistou o Campeonato Baiano e a Taça Estado da Bahia, chamando a atenção dos japoneses do Kashiwa Reysol que o contrataram para a temporada 2005.

Cléber Santana era um volante de ofício, mas sabia jogar de meia, e o Santos precisava de um jogador diferenciado, então a diretoria santista atravessou o mundo para trazê-lo, viveu seu melhor período e ficou marcado na história do time da Vila famosa, foi Bi-Campeão Paulista em 2006 e 2007, sendo neste último ano o artilheiro do time no campeonato. Em 2007 chegou a semi-final na Libertadores e chamou a atenção dos espanhóis do Atlético de Madrid por um contrato de 3 anos e 6 milhões de euros. Ajudou o time, mas não se firmou e foi para o Mallorca.

Em 2010 o São Paulo precisava reforçar o elenco e então a diretoria foi buscar o polivamente meia, seu vínculo com o Tricolor durou até setembro de 2012, mas seu grande ano foi 2010 com 42 partidas e 3 gols. Em 2011 foi emprestado ao Atlético Paranaense e em 2012 ao Avaí. Depois passou por Flamengo, retornou ao Avaí, Criciuma e chegou a Chapecoense em julho de 2015.

Ao todo jogou pela Chapecoense 46 partidas e marcou 3 gols, sendo Campeão Catarinense em 2016 e declarado Campeão da Sul-Americana em razão do acidente. Cléber Santana por sua experiencia era o capitão da equipe catarinense, não era craque, mas bom de bola, muito inteligente sabia jogar sem a bola nos pés. Sua última partida foi contra o Palmeiras pela 37ª rodada do Brasileirão em 27 de novembro.

Mário Sérgio

Resultado de imagem para Mario Sérgio spfcNo São Paulo ele chegou como “Vesgo” e virou o “Rei do Gatilho”. Quarta feira, 18/11/1981, partida em São José dos Campos pela final do 2º turno do Campeonato Paulista, o São José venceu o São Paulo por 1 x 0, ao final do jogo a torcida do São José cerca o ônibus do São Paulo, a discussão é inevitável. O lateral esquerdo Marinho Chagas sabendo que Mário Sérgio sempre carregava um revólver 38 na bolsa, sobe no ônibus vai direto na mala do companheiro, pega o 38 de Mário Sérgio e que ao ver Marinho com sua arma em mãos corre para tirar das mãos de Marinho, Mário Sérgio de posse da arma, não pensa duas vezes, dispara ao chão para assustar e afastar os torcedores, sorte que não acertou em ninguém, e os torcedores correram de medo. No jogo de volta no placar do Morumbi, estava escrito “11 Mário Sérgio, o Rei do Gatilho”, estava criado o apelido.

Mário Sérgio Pontes de Paiva, ou simplesmente Mário Sérgio nasceu no Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1950, quando muito novo, seu pai era sócio do Fluminense e levava Mário Sérgio para jogar futsal onde jogou por 7 anos. Após concluir o científico ingressou em curso superior de processamento de dados e chegou a trabalhar em uma empresa de computadores.

Em 1969 fez teste no Flamengo e foi contratado, porém os anos de futsal o formaram um jogador de muita habilidade, mas “fominha” e isso gerou muitos problemas com o técnico flamenguista. Para contribuir com seu desgaste no elenco rubro-negro, era o auge da fase hippy e o jovem Mário Sérgio usava cabelos longos e roupas coloridas. Após idas e vindas com a comissão técnica o Vitória se interessou e levou o jogador.

Logo no 1º ano em 1971, Mário Sérgio se destacou e ao lado de André Catimba e Osni formou o melhor trio de ataque da história do clube baiano. Nas 4 temporadas virou o “Rei da Bahia” e até hoje é lembrado pelo Vitória.

Em 1975 voltou ao Rio de Janeiro onde defendeu o Fluminense e Botafogo, seguiu para o Rosário Central da Argentina e Internacional. Virou ídolo colorado com o título brasileiro de 1979 de forma invicta ao lado de Falcão.

Quando chegou ao São Paulo em agosto de 1981, seu apelido era “Vesgo” pois costumava olhar apara um lado e tocar para outro, enganava assim aos adversários, ficou no Tricolor até o fim de 1982, participou do Bicampeonato Paulista de 1981. Em 4 de outubro de 81, “Vesgo” deu um verdadeiro show em partida contra o Palmeiras uma verdadeira goleada de 6 x 2, com dois gols de Mário Sérgio.

Pelo São Paulo jogou um total de 62 jogos e marcou 8 gols, porém durante o ano de 1982 o técnico José Poy assumiu o comando Tricolor, mas “Vesgo” ou o agora “Rei do Gatilho” não se adaptava ao esquema tático de Poy, além disso vários boatos de envolvimento com drogas surgiam, e sua saída era inevitável. Foi para a Ponte Preta por curto período.

No final de 1983 o então técnico do Grêmio Valdir Espinosa pediu sua contratação apenas para o jogo do Mundial de Interclubes. Não teve para ninguém, Mário Sérgio mandou no jogo, nos 120 minutos mais importantes da história do Tricolor Gaúcho deixou os alemães do Hamburgo desorientados e o Grêmio foi Campeão do Mundo.

Mas logo em 1984, retornou ao Internacional e curiosamente na abertura da temporada um Gre-Nal, era o jogo das faixas e Mário Sérgio com a camisa colorada recebe a faixa de campeão pelo tricolor gaúcho e ao invés da vaia que todos previam (inclusive o jogador) Mário foi aplaudido pelas duas torcidas, assim como deve ser no futebol.

Em julho de 1984 foi para o Palmeiras e durante o Campeonato Paulista após o clássico contra o São Paulo foi flagrado no exame antidoping e suspenso por 6 meses.

Em 1986 seguiu para o Botafogo de Ribeirão Preto, Bellinzona da Suíça, e em 1987 se transferiu para o Bahia onde encerrou a carreira logo em sua partida de estreia, já não tinha o mesmo futebol de outrora.

Resultado de imagem para Mario Sérgio spfcVirou treinador e seu 1º clube foi o Vitória em 1987, mas sem muito sucesso. Então passou a comentarista esportivo na TV Bandeirantes. Inteligente e bom comunicador chamava a atenção pelas análises do jogo facilidade de comunicar ao telespectador o que no campo acontecia. O grande narrador Silvio Luiz anunciava Mário Sérgio como “o comentarista Calibre 44” e soltava o bordão: “aquele que sabe porque já esteve lá”.

Comentarista que provocava os técnicos e mexia com o brio dos dirigentes, em 1993 recebeu convite para ser treinador do Corinthians onde ficou até 1995. Retornou à TV Bandeirantes, porém em 1998 foi contratado para ser técnico do São Paulo, mas ficou por apenas 10 jogos. Um fato curioso é que o batedor oficial Tricolor já era Rogério Ceni, e então Mário Sérgio proibiu Rogério de bater faltas e pênaltis.

Após sua rápida passagem pelo São Paulo somente assumiu outro time em 2001, e não poderia ser outro que não fosse o que o consagrou como jogador, o Vitória. Dirigiu diversos times até 2010, quando deixou o futebol se dedicando a palestras e participações em diversos programas.

Em 1º de agosto de 2012 estreou na FoxSport, tinha contrato para comentar jogos pela emissora até a Copa do Mundo de 2018. Em 28 de novembro de 2016 embarcou para comentar pela emissora a 1ª partida final da Copa Sul-Americana.

Aos nossos 3 ex-jogadores Caramelo, Cléber Santana e Mário Sérgio rendemos nesta semana, nossas mais sinceras homenagens.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

Contato: [email protected]

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