Febre Tricolor – Futebol vai mal

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Dorival Jr. mudou o planejamento diante de resultados ruins

O planejamento do futebol do São Paulo sucumbiu diante dos primeiros resultados da temporada e das contratações frustradas da equipe. A assertiva do executivo de futebol, Raí, de que “só contrataria jogadores-chave” foi por água a baixo com as aquisições do meia Nenê e, principalmente, do atacante Trellez, adquirido junto ao Vitória. Os jovens jogadores sãopaulinos sequer conseguem ter uma sequência e não conseguem o desenvolvimento futebolístico necessário diante da ausência de minutos no campo de jogo.

O técnico Dorival Júnior, ainda em 2017, planejou revezar duas equipes numa maratona de jogos que a equipe enfrentaria nas rodadas inaugurais do Paulistão 2018 e nas primeira partida da Copa do Brasil. A pressão da torcida após dois resultados desfavoráveis fez com que esse planejamento fosse modificado. Os resultados foram a derrota de 2 a 0 diante do São Bento e o empate de 0 a 0 com o Novorizontino. A partir daí apenas a equipe “principal” foi utilizada pelo São Paulo.

Os jogadores dessa equipe considerada ideal sofreram um desgaste com a sequência de partidas e pouco puderam contribuir para conseguir resultados. No primeiro desafio apenas empataram com o Novorizontino no Morumbi, e até aqui confirmam uma derrota diante do Corinthians, no estádio do Pacaembú. O time que poderia estar em pré-temporada para o primeiro desafio da Copa do Brasil – torneio mais importante do ano – está sendo colocado à prova em um clássico da primeira fase do Campeonato Paulista.

Formação do elenco

A promessa do diretor de futebol de contratar jogadores-chave ficou pra trás

As informações iniciais do executivo de futebol Raí foram empolgadoras. Disse o dirigente que apenas seriam contratados jogadores-chave para compor o plantel. O que se viu no início do ano foram a inevitável saída do meia Hernanes e o desejo do atacante Lucas Pratto por mudar de ares, para jogar a Libertadores. São perdas normais, que qualquer equipe sofreria. As reposições são sofríveis.

O São Paulo realizou duas contratações necessárias: a do goleiro Jean, um setor carente da equipe desde o ano passado e que precisava ser reforçado em caso de necessidade; e do zagueiro Anderson Martins, que pode agregar em experiência ao setor. A chegada do meia/atacante Diego Souza é contestável, porém, diante do contexto de perda dos homens de frente, aceitável.

As duas novas contratações do São Paulo são inaceitáveis. O meia Nenê é um jogador de 36 anos, que já não vinha no melhor de sua fase no Vasco da Gama. Isoladamente, parece ser um bom jogador; quando se coloca coletivamente ao lado de Diego Souza – outro jogador de certa idade – parece atrapalhar o desenvolvimento de jogadores na equipe principal, e a capacidade de decisão.

Quanto à contratação confirmada hoje do centroavante colombiano Trellez, atenta contra o torcedor tricolor. É inaceitável que o São Paulo tenha pago 6 milhões de reais pela percentagem de um jogador que nunca marcou mais de 15 gols em uma temporada. Para piorar, apenas em uma oportunidade fez mais de 10, justamente no ano passado quando marcou 11 pelo Vitória. O jogador não vai agregar ao conjunto e ainda vai prejudicar o desenvolvimento de algum jovem.

As contratações do São Paulo são péssimas, e a perspectiva é desesperadora. A equipe voltou a sofrer com os mesmos erros da temporada passada, quando chegaram de baciada jogadores com Marcinho, Denílson, Cícero, Neilton, Morato e outros. Isso prejudica inclusive a chegada de novos valores no futuro, aqueles que realmente são jogadores chave: como Jonathan Calleri. O investimento do São Paulo fica limitado diante de contratações errôneas.

O São Paulo precisa de muito pra se tornar competitivo, e de muito mais para voltar a ganhar alguma coisa.

Contato:

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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Comentários

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5 COMENTÁRIOS

  1. O que eu acho do São Paulo atual da organização é que os Velhos que dirigem o nosso time acham que ainda são os melhores do Brasil, vamos nos colocar onde realmente estamos equiparado aos nossos concorrentes, vamos parar de iludir os nossos atletas dando um tratamento de primeiro mundo como se eles fossem os melhores e disputando uma champions league, vamos acabar com a concentração antes dos jogos numa estrutura que faz inveja a um hotel de 5 estrelas colocando os jovens num mundo de fantasias, vamos trata-los como fazem os outros times com simplicidade olhando os outros com igualdade, não somos os melhores.

  2. Vez ou outra nos desentendemos por causa de alguma colocação que gera mais de uma interpretação.

    Vamos vale ressaltar que eu já vinha falando sobre o planejamento do São Paulo. Planejamento esse que demonstra um tamanho amadorismo na hora de contratar. Nunca existiu um plano B, C ou D. Sonharam com Scarpa e eu falei até na sua coluna que seria surpreendente vencer times com mais dinheiro que nossa agremiação. E não deu outra, perdemos.

    Nenê mostra esse despreparo, essa conversa de reforços pontuais é antiga, novidade é escutar da boca de Raí Toledo.

    As grandes contratações, ou melgor, o cabide de emprego foi para diretores, e ainda vem o Zetti por aí.

    Lamentável esses reforços, ou melhor, refugos que contratamos.

    Acredito que pela primeira vez penso igual a vc.