Febre Tricolor – Parreira estava certo!

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Técnico do São Paulo em 1996, Parreira profetizou 5-5-0 e 4-6-0 como táticas do futuro

Em meados dos anos 90, o técnico Carlos Alberto Parreira era criticado por sua tática conservadora baseada em um número maior de defensores e obrigatoriedade chula que os meios de comunicação lhe impunham de colocar mais homens à frente. Quando dirigiu equipes brasileiras, até por essa intensa cobrança aplicou sistemas diferenciados como o “4-3-3”, que nada mais é do que o 4-2-3-1, tão adotado por treinadores nos mais diversos cantos desse País. O que impressionou na época, porém, foi o técnico dizer que os esquemas do futuro seriam 5-5-0 e 4-6-0.

Parreira estava certo. As equipes com o futebol mais vistoso do mundo atuam assim.

Antes, é importante frisar: com o crescimento da compreensão dos profissionais de comunicação acerca dos sistemas de jogo o diálogo com os especialistas foi qualificado. É quase consenso que pouco importa que se adote o 3-5-2, 4-3-3, 3-4-3, 2-6-2, etc. O que importa de fato é como as peças vão se movimentar, não só dentro de uma tática, mas exatamente o que se pretende como sistema de jogo.

Voltando ao tema das táticas conservadoras “5-5-0” e “4-6-0” vamos a dois exemplos. Antes da chegada de Suaréz ao Barcelona, e até depois da chegada do uruguaio, o técnico Guardiola muitas vezes utilizou Lionel Messi como principal avançado da equipe, flutuando e tendo dois atacantes ao seu lado como pontas. Até um pouco antes disso, ocorreu com Thierry Henry, David Villa e outros craques que jogaram no Barça.

Explicação de Henry sobre esquema de Pep:

Outro exemplo positivo é o atual Manchester City. A pergunta que vem a cabeça: Como pode haver consistência defensiva com um meio formado por Fernandinho, David Silva e De Bruyne? Parece-me que o poder de combate ficaria comprometido. Não é o que ocorre na prática. Tanto Sterling, como o alemão Sané e até Sérgio Aguero auxiliam no combate e retomada de bola no ataque. A marcação pressão e jogo de intensidade que todos os técnicos que apreciam esse estilo de futebol buscam. O mesmo ocorre, por exemplo, se estão em campo reservas como Gabriel Jesus, Bernardo Silva ou Gudogan, sem que o estilo mude.

O que isso tem a ver com o São Paulo?

Diego Souza será utilizado como meia de chegada; aproveitando habilidade e porte físico

Levando em consideração as palavras do técnico Dorival Júnior, na coletiva após a vitória de 1 a 0 sobre o Bragantino, ficou claro que a pretensão do treinador é de não ter um “camisa 9” tradicional. Ao escalar naquela oportunidade Cueva, Nenê, Marcos Guilherme, Diego Souza e Petros, pretendeu-se que os cinco fossem jogadores avançados de criação e penetração. A ideia é de ter exatamente um 4-6-0, tática tida naquele período como um “devaneio” de Carlos Alberto Parreira.

Na prática, muito precisa ser ajustado. Na direita você começa a ter uma dobradinha com Marcos Guilherme e Éder Militão – que vem melhorando muito o seu poderio ofensivo. Mas o homem da esquerda segue indefinido, até porque Dorival Jr. preferia um homem de velocidade para trocar figurinhas com Reinaldo naquele setor. Ainda para que o sistema se aperfeiçoe no meio, precisa ter mais trocas de posição por parte de Diego Souza.

Já foi compreendido claramente que Dorival Jr não quer um centroavante estático. Mas, na prática, o máximo que Diego Souza tem feito é recuar até o meio-campo para auxiliar na armação inicial. Nesse caso, dois jogadores rápidos têm que se posicionar à frente pra tentar receber, não apenas um… de modo a confundir a defesa adversária.

Outro lado é a marcação. Em um lance específico na última partida, um volante do Bragantino dominou a bola na intermediária e Diego Souza estava há um metro dele. Se fosse um atacante europeu com certeza voltaria para combater. Ele simplesmente deixou o cara dominar, foi se posicionar à frente, e o jogador adversário chutou de longe assustando o goleiro Sidão.

Alguma vez o São Paulo jogou assim?

Times de Telê Santana não tinham centroavante

O que eu vejo mais parecido com isso é o São Paulo de Telê Santana. Os homens de “ataque” eram Müller e Palhinha. O primeiro funcionava principalmente como um ponta esquerda, o segundo centralizava, pois o lateral Cafú atuava praticamente como um ponta direita. Quem entrava na área como “centroavante” era exatamente o meia Raí, como elemento surpresa.

A característica que Raí tinha de ser um elemento surpresa, meia com vigor físico, explosão e habilidade, são alguns dos requisitos que Diego Souza possui. Tenho a mais absoluta certeza que essa foi a ideia de Raí quando fez a contratação do jogador. Ocorre que precisa de muito pra fazer isso.

No time de Telê Santana, por exemplo, até em 1994, você via os zagueiros Válber e Gilmar chegando ao ataque com qualidade, como elementos surpresa, e finalizando. Naquela época o treinador atuava no 3-5-2, por exemplo, com Válber de líbero. Pouco importava a tática, mas o que contava era o sistema de jogo. Apenas o cabeça de área era menos móvel (passaram por ali Pintado, Dinho, Doriva, Luis Carlos Goiano, etc.)

Esse cabeça de área é o Jucilei de hoje (considerando que os de Telê tinham até menos habilidade). Mas a grande diferença é que você via o André Luiz atacar na esquerda, via o Cafú como atacante… em 1992, você via uma intensa movimentação de Muller, Palhinha, Raí e Cafú principalmente; era muito difícil de fazer a marcação neles, porque não estavam estáticos… giravam por cada parte do campo.

Dificuldade do espelho

Jovens serão essenciais para movimentação de ataque do São Paulo

O que torna inviável de Dorival Jr. espelhar isso são justamente as peças com as quais vão se montando o elenco. Cueva, Diego Souza e Nenê são jogadores decisivos, mas poderiam os três confundir a defesa adversária com movimentação? É muito difícil você espelhar um time com mobilidade tendo os três, ao mesmo tempo, juntos.

Como remediar isto? Vejo como inevitáveis as presenças de Marcos Guilherme e Brenner ou Valdívia. Os dois últimos brigam pela titularidade da ponta esquerda. Ao meu ver, Cueva e Nenê vão brigar apenas por uma vaga também. Nenhum problema também em ter os dois revezando e sendo utilizados de acordo com o adversário.

Em primeiro lugar os jogadores precisam compreender que são importantes para o elenco, são necessárias opções de qualidade, além dos titulares. Por sua vez, a torcida não deve pressionar para que um jogador recém-contratado seja titular. Isso atrapalha o desenvolvimento sistemático do time. Dorival Jr. não é obrigado a escalar Diego Souza, Nenê, Valdívia e Anderson Martins, por exemplo, só porque chegaram agora. A tendência é que o torcedor peça isso, mas é necessário evoluir desse pensamento.

 

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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Comentários

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19 COMENTÁRIOS

  1. Criticar por criticar?????

    Eu sempre digo o motivo das minhas críticas. O problema é que incomoda vc ter opinião própria e principalmente expressar elas da maneira que eu faço, sem arrodeios, sem medo de que alguém que faça parte do senso comum venha achar ruim.

    Fui o primeiro a ter coragem de criticar o Micão, e isso era algo inadmissível para qualquer saopaulino, com o passar do tempo muitos outros, muitos mesmo, enxergaram o prejuízo que esse indivíduo vinha causando com sua presença nefasta, insistindo em permanecer jogando mesmo sem a menor condição, respaldado por parte iludida da torcida.

    Outro detalhe. Concordo quando o Imiv fala que o Velame não aceita crítica, pior do que isso, ele não aceita que discordem dele, mas infelizmente quando vc expõe seu pensamento estará inevitavelmente sujeito a essas situações, mas é necessário ter humildade para isso.

    Ele não aceitar críticas não é novidade para ninguém, mas não aceitar que alguém me elogie isso sim é novidade.

  2. Ninguém conseguiu fazer um comentário sobre os sistemas táticos sem atacantes; claramente demonstrado de que eles funcionam em qualquer época… e que Parreira estava certo em seu comentário de 20 anos atrás, de que 5-5-0 e 4-6-0 seriam esquemas do futuro.

    A discussão caiu vala abaixo. Todo mundo tenta aqui contestar ídolos que, para 80% da torcida, são indiscutíveis. Reflexos da participação de algumas figurinhas carimbadas… hehehe

    Outro exemplo perto disso foi o São Paulo de 2014. Na ocasião, Kaká com sua cancha europeia pediu pra Ganso jogar bem aberto na direita… no segundo turno do Brasileirão o SPFC jogou muito.. Kardec recuava da posição de pivô e quem infiltrava como elemento surpresa era principalmente Alexandre Pato. Tem um gol contra o Sport belíssimo.

    • Todos entenderam seu texto, muito simples e claro por sinal. O que acontece é que o assunto mudou quando eu falei que nada disso dará certo se trouxerem o pipoca de volta, ou se mantiverem o Pipocueva que já demonstrou que não é de grupo.

      Nem sempre o que escrevemos é de interesse aos outros.

      Costumo ler todas as colunas e participar dos debates, acho isso saudável, algumas eu concordo e outras não. Também acho importante o colunista responder aos comentários transformando em um debate, mesmo que às vezes se desvie do foco inicial.

  3. Esse Lg só sabe criticar os grandes jogadores que passaram pelo São Paulo Luís Fabiano não ganhou nenhum grande título de expressão mas foi um grande goleador cansou de marcar gols no Corinthians e isso vale muito comparado a um grande título ou vc prefere ficar só apanhando e freguês do Corinthians e ganhar um paulistinha ,,,,,outra coisa vc sempre só criticou o Rogério Ceni deveria ter mais respeito com o cara vários jogos ele salvou o São Paulo com defesas incríveis e gols salvadores sem falar que o São Paulo é praticamente tri mundial graças a ele pois fechou o gol foi eleito o melhor da partida vc só gosta de criticar esses caras memória curta torcedor pessimista entende pouco de futebol tenho 40 anos acompanho o São Paulo desde os 5 anos de idade já fui em vários jogos e finais estive nas duas finais da libertadores do Morumbi vi grandes jogadores no São Paulo e acompanho este site desde o nascimento de 1996 vc deveria ser menos chato cara e respeitar os grandes ídolos vc deve ser um gambá disfarçado de tricolor a muito tempo estou para me expressar aqui cansa esse seu pessimismo e pouco entendimento de futebol se liga mano ! Respeite os caras ou vc prefere um alan kardec em comparação ao Luís Fabiano ! Ou um Sidao em comparação ao Ceni !

    • Marcos, entendo que o LG é só um torcedor muito exigente, passando dos limites algumas vezes…

      Quanto ao Rogério Ceni as críticas dele não têm o menor fundamento, concordo contigo. O cara é um inquestionável campeão do mundo, não há como falar uma virgula dele… já fui crítico dele também como goleiro, mas isso apenas nos meados dos anos 90… depois ele calou minha boca. Se ele quis ser goleiro até os 40 anos é porque era melhor que os jovens, tinha fundamentos mais apurados e a prova disso é que NINGUÉM até agora consegue substituir o Rogério Ceni de 40 anos (não estou falando do mais novo).

      O Luís Fabiano é terceiro maior artilheiro da história do São Paulo. Também inquestionável. Os números falam por ele mesmo. Futebol é coletivo, se não foi campeão certamente não foi por culpa dele. O que dá pra questionar é o seu temperamento, que pode ter atrapalhado o SPFC em 1 ou 2 conquistas.

      O principal exemplo da questão: “Não venceu título, não é ídolo…” é o França. Pra mim esse atacante levou o time nas costas mais de 5 anos consecutivos; não conseguiu vencer pelo conjunto, mas é inegavelmente um ídolo histórico em minha concepção.

      Em Kaká, o São Paulo teve um jogador saído de suas cancheiras como melhor do mundo. O último antes da dinastia Messi e Cristiano Ronaldo. Pra mim, esse simples fato o torna ídolo. Não fosse outras coisas, como a conquista do Rio São Paulo (um torneio que o São Paulo não tinha), sendo decisivo na final.

      Luis Fabiano, Kaká e França são ídolos incontestáveis do clube, queira alguns ou não…

      Peço só que pondere o LG que tem uma exigência positiva em alguns momentos, e outras acima do limite… mas ele não é um “gambá disfarçado”

    • Eu tinha prometido comigo mesmo que nunca mais iria postar nas matérias desse colunista, mas o que eu acho desse ser superior é que ele não aceita ser contestado o que prevalece é a sua opinião, não sou o LG e nem o defendo mas eu tenho o mesmo pensamento, um idolo que fez bodas de prata no São Paulo não permitindo o aparecimento de grandes goleiros que foram embora por isso, Alisson Titular da Seleção e outros goleiros como o do Santos, o Tricolor ganhou mais com a venda do Bruno Uvini e do Edmilson do que desse velho goleiro que ninguem mostrou interesse em contrata-lo. Agora vem mais um golpe vão contratar o Luiz Pipoca para ultrapassar o GRANDE SERGINHO CHULAPA na artilharia do São Paulo só porque ele é
      Santista, como o Botafogo fez com o Tulio Maravilha.

    • Marcos Viegas

      Em relação ao Pipoca, na época do quarteto eu preferia o Kardec mesmo.
      Mas em relação aos atacantes, o França foi infinitamente mais decisivo que o pipoca. Nunca deixou o time na mão por causa de excesso de cartões ou pelas porradas que levava em campo, falo porradas porque nas brigas sempre apanhava.

      Em relação ao Mico, o fato de ter fechado o gol contra o Liverpool não dava o direito de ele jogar até cair os dentes, a ponto de levar gol do meio de campo do Capivariano.
      Nos deu títulos, mas nós fez perder noutros tantos, é sempre com a conversa fiada que tinha crédito. Fernandão e Tinha que o diga.

      O problema todo é essa carência eterna de se preocupar idolatrar alguém, por isso estamos de merda até o pescoço, por isso o Sidão é o nosso goleiro atual, por isso tivemos que aguentar o Denis.

      Mas não adianta. Vai lá fazer sua promessa ao seu Santo

      • Vc dizer que prefere o Kardec em vez do Luís Fabiano é uma piada ! Alan Kardec cara grosso pior que o Washington Alan Kardec parecia um poste o máximo que conseguia as vezes era um golzinho de cabeça, esse é o pipoca que vc diz Atuou com destaque no São Paulo FC, onde ocupa a terceira colocação entre os maiores artilheiros da história do clube, com 212 gols marcados em suas duas passagens. É também o maior artilheiro do clube em edições do Campeonato Brasileiro com a marca de 103 gols, e da Copa do Brasil, com 23 gols em 24 jogos, até o presente. Fabiano ainda é o quinto maior artilheiro da história do clube espanhol Sevilla, com 109 gols.

  4. Antes de tudo.

    É sempre bom lembrar do maior mandamento tricolor

    Não levantai o nome do Mestre Telê em vão.

    Essa heresia se torna ainda mais grave quando se compara a sua genialidade com qualquer coisa que o futebol brasileiro venha apresentar hoje em dia.

    Hahahahah

    Agora falando a respeito de Dorival não utilizar um centroavante paradão na frente, todo esse argumento cai por terra junto com o outro ponto que é aceitar fazer parte de um elenco, quando se especula a volta do Pipoqueiro.
    O cara não tem mais explosão muscular, continua com o mesmo temperamento imbecil de cavar expulsão e jamais foi bom de grupo, jamais aceitou a reserva sem jogar a merda no ventilador, é só lembrar da época do quarteto formado por Kaká, Kardec, pato e ganso.
    O cara tem obsessão pelo São Paulo, isso não é amor, aqui ele sabe que bota banca, faz merda e tem crédito, isso me lembra outra pessoa que ainda bem foi dedetizada.
    Posso dizer que esse será o maior de todos os erros da gestão Leco, caso se concretize.

    Outro que foge desse ponto é o Peruanus. Só foi ficar na reserva que deu um piti miserável, esse cara jamais aceitará ser reserva ainda mais com a proximidade da Copa.

    Quanto ao Parreira, de bom apenas o Tetra e o dia em que foi demitido do São Paulo.

    • Ele, é apenas uma comparação de sistemas de jogo… não é uma comparação entre Telê Santana e Dorival Jr. , por favor. Você tem que ler toda a coluna com calma, pra entender…. foi apontado o que causa dificuldades no elenco atual, inclusive, pra adotar um método como este.

      Quanto ao Luís Fabiano… é óbvio que o São Paulo não está interessado no retorno dele. Ninguém vai dizer que não está em respeito ao cara, mas não tem nem como encaixá-lo.

      Sobre o que você opina ai sobre o Parreira, eu discordo… ganhou títulos importantes por diversas equipes, como o Corinthians, por exemplo, nesse 4-3-3 que eu cito. Além do tetra fez muita coisa no mundo árabe, África do Sul, etc.

      • Eu li a coluna toda. Se vc não percebeu, eu coloquei uma risada após comentar sobre Telê, quer dizer, estava brincando.

        Em relação ao Pipoqueiro, o próprio Leco disse que estava monitorando ele, sendo assim existe o interesse.

        Quanto ao Parreira, repito que só o tetra e a demissão. Ganhar títulos pelo Corinthians só o torna ainda menor no meu conceito.

        Agora vc é muito parecido com o Parreira, tem uma defesa forte ao ponto de não perceber um brincadeira.

      • Ah sim. Descordo quanto a mencionar-se que a ausência de títulos do LF não seria culpa do próprio. Esse tonto cansou de perder pênaltis em disputas eliminatórias, ficou fora de um monte de jogos por cartão, outros por contusão. É muito verdade que guardava gols apenas em jogos de menor importância. Se mera artilharia fosse tão importante, Tulio estaria no panteão dos craques. LG realmente foi bom ( e não ótimo) apenas na primeira e segunda passagens. A terceira passagem foi patética e contou com extensão de contrato. Obrigado Adalberto Fat Ass.