Febre Tricolor – Aplicação do Estatuto

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Presidente pode entrar pra história ao aplicar Estatuto Social na integridade

Após uma breve pausa nas colunas retorno nessa segunda-feira (26) saudando os amigos spnautas. Alguns pequenos movimentos no São Paulo geram expectativa para que o clube retome o caminho da estabilidade e faz duas semanas o diagnóstico que aponta nesse sentido me parece claro. O presidente Carlos Augusto Barros e Silva, Leco, tem chance de fazer história para recolocar o Tricolor na vanguarda através de um ato de coragem: a aplicação do Estatuto Social na integridade, mesmo que gere consequências políticas.

A forma de composição da Diretoria Executiva do São Paulo, nos moldes do §2º do art. 107 do Estatuto Social, é de três a nove membros indicados pelo presidente e aprovados pelo conselho de administração. O art. 124 do Estatuto Social dispõe que “Os membros da Diretoria Executiva serão contratados pelo SPFC, dentre os profissionais que tenham notório conhecimento em suas respectivas áreas de atuação”. O §1º do mesmo dispositivo trata da remuneração dos mesmos.

O diretor executivo de marketing, Luiz Fiorese, é formado pela USP e tem experiência no setor (passou por empresas como Vivid Brand Brasil, AG2Nuruns e Publics Dialog). O diretor executivo de futebol, Raí Souza Vieira de Oliveira, é do ramo e tem vasta experiência empresarial (Raí + Velasco, Cine Raí, Gol de Letra, etc). O diretor executivo de comunicação é o jornalista Guilherme Palenzuela (trabalhou no Lance!, Uol e comandou conteúdo da SPFCtv).

O diretor executivo financeiro, Elias Barquete Albarello, é pós-graduado em Administração e Finanças na Fundação Getúlio Vargas (FGV), MBA em Gestão Financeira e Risco na USP, Professor de Finanças na Mackenzie e tem vasta experiência no setor em empresas como Siemens, Comgás, Eletropaulo e Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo.

O diretor executivo jurídico, Leonardo Serafim dos Anjos, é advogado trabalhista formado pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, especialização em administração esportiva (FGV), pós-graduado em direito desportivo pelo Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD 2006), foi procurador do STJD (CBF) e membro da comissão de Direito Desportivo da OAB/SP.

O diretor executivo de infraestrutura, Eduardo Rebouças Monteiro, é formado pela Universidade de São Paulo (USP, 1985), proprietário da K.E.M. Arquitetura e Engenharia, com vasta experiência no setor. O desafio do presidente é fazer com que todos os diretores executivos do São Paulo mantenham essa elevada qualificação e sejam devidamente remunerados, conforme o Estatuto, a partir dos serviços prestados.

Por que a remuneração?

Roberto Natel quer brecar remuneração de diretores executivos/conselheiros

Nada mais justo que a realização por quem presta serviço ao clube seja remunerada. Independente do fato desses profissionais serem conselheiros ou não, se têm elevada experiência no setor para qual foram contratados não vejo nenhum problema em receber por essas atividades. Nesse sentido, discordo do vice-presidente (ou ex-vice), Roberto Natel, apenas no ponto em que ele opina que tais executivos (quando conselheiros, não devam ser remunerados).

A remuneração é essencial para o profissionalismo do clube. Se ainda há algum diretor executivo que não seja do ramo tem que ser retirado, pois o único problema que nos atrapalhou ao longo dos últimos anos foi o amadorismo. As paixões devem ser deixadas de lado. Se há profissionalismo, diminuem as chances de corrupção e outras práticas nocivas, que evidentemente fizeram parte do cotidiano passado.

Não intervenção

Os conselheiros que não fazem parte do setor daquele que foi contratado para uma diretoria executiva, ao meu ver, deveriam intervir menos. Incomodaram as noticias surgidas esses ano de que “um grupo de conselheiros está pressionando Leco pela saída de Dorival Jr. e pela manutenção de André Jardine” – ora, quem deveria decidir isso é Raí Souza Vieira de Oliveira, porque foi contratado pra isso.

Mas incomoda mais o fato de alguns veículos de comunicação, nos momentos de crise, apontarem que conselheiros pedem isto ou aquilo, sem nomear, especificamente, quem são os conselheiros. Isso não é jornalismo. Mas infelizmente é uma prática comum, principalmente, daqueles que assinam colunas opinativas. Ou se identifica a fonte nesse caso de suposta “denúncia”, ou se traz um prejuízo para o leitor.

Comando do futebol

Raí ouve chefe de departamentos por melhorias

Por último, vejo como essenciais algumas atitudes que foram tomadas pelo diretor executivo de futebol, Raí de Oliveira. Pois o São Paulo é um clube de futebol, e este é o setor que tudo deve movimentar. Esteve o profissional em diversos departamentos do clube como o de fisioterapia, nutrição, fisiologia, etc. Fez questionários com cada um desses profissionais para saber quais recursos humanos e infraestrutura para que cada um desses departamentos tivesse excelência máxima e fosse o melhor de um clube brasileiro.

Através desses questionários passados aos chefes de departamento, Raí Oliveira pretende elaborar um diagnóstico e um plano de trabalho; repassando aos demais diretores quais atitudes devem ser tomadas para qualificar no sentido indicado pelo chefe de cada setor. São esses pequenos detalhes que farão a diferença, paulatinamente, para que o São Paulo volte a competir e retome o caminho dos títulos.

Você pode conferir um resumo das explicações dadas pelo diretor Raí ao Sportv, no vídeo abaixo:

 

Contato:

@RealVelame ou [email protected]

Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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Comentários

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9 COMENTÁRIOS

  1. Até que enfim voltou, a opinião mais sensata daqui… Aguentar o Sr. Conterão (o vilão dos Thundercats) sem ninguém pra divergir das suas ideias pessimistas é complicado… Bem vindo de volta Velame, você é o Guerreiro Lion, e voltou com a espada justiceira para decepar a cabeça do temido vilão que carrega a corneta, Mun-Ra.

  2. O SPFC precisa fazer esta mudança, precisamos atualizar nossa gestão, sermos eficientes, faz tempo que o clube virou casa da mãe Joana, meia dúzia de metidos a são paulino como o Sr Natel se apoderaram do clube para satisfazer suas vaidades e acabaram com a instituição.
    Jornalista dizendo que diretor falou pelos corredores é o que mais se ouve na imprensa, hoje em dia até a Globo ridiculariza o Tricolor. Tenho certeza que o Cléber Machado hoje vai com camisa do gambá por baixo do uniforme.