Além das 4 linhas – Trabalho

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Toda vez que um clube que investe muito menos vence uma final contra um clube que investe muito mais, eu vejo a clara vitória do trabalho bem feito.

Foi assim que terminou o campeonato paulista de 2018, o clube endividado e que pouco pode investir no futebol venceu o clube que é rico graças ao dinheiro de investidores. Chamou minha atenção também que os jogos das semifinais e os da final tenham precisado dos pênaltis para se saber o vencedor, uma clara demonstração de extremo equilíbrio dentro do pobre futebol brasileiro da atualidade.

Isso tudo é muito bom para podermos ter certeza do que já sabemos: O que vem ocorrendo no SPFC é fruto de má gestão e que, talvez agora, com Raí no comando do futebol as coisas possam melhorar e chegar ao ponto de conquistas.  O equilíbrio marca nosso futebol e as vitórias saem no detalhe, no esforço máximo de um elenco não qualificado, mas com foco nos resultados. O Grêmio campeão da última libertadores com 3 jogadores que passaram pelo SPFC recentemente, agora tem mais que 3, também prova isso.

Logo que Diego Aguirre assumiu já vimos o grupo correndo muito mais nas partidas. Os caras passaram a jogar com raça, coisa que não havia. A diretoria está agora fazendo alguns ajustes no elenco e espero ter um segundo semestre melhor. É cedo para falar em conquistas. Estamos fazendo agora o que vários clubes fazem há anos seguidos.

Mas confesso que para quem tem 54 anos e viu jogar em nossos gramados muitos craques de verdade, a realidade atual incomoda. Pois além de não ver bons jogadores nos nossos clubes, o forte hoje em dia é o preparo físico, que possibilitou a ocupação de espaços, e o campo foi diminuído, o que tornou o jogo algo truncado demais para meu gosto. É só correria.  

E esta realidade não para, quer dizer, ela está piorando com a pior crise econômica da história do Brasil. Os nossos clubes cada vez mais podem menos. Toquei neste assunto na semana passada. Hoje vendo as notícias esportivas dei de cara com uma bomba: Pep Guardiola quer o Militão e a oferta será de R$ 100 milhões. Já era. Semana passada o foco internacional estava no Lucas Perri, que também vai sair. Enfim, nossa pobreza nos limita ao jogador mediano.

Por enquanto me limito a ver os jogos da copa dos campeões, mas o dia de não ver mais nossos clubes pode chegar. Confesso que ver o sub 20 do SPFC, às vezes, é mais bacana do que ver o profissional, pois ali no campo ainda estão os jogadores de talento. Como eles estão entre os garotos da sua idade, é bonito de ver.

Mas voltando ao profissional do SPFC, acredito que o clube encontrou o melhor caminho dos últimos tempos. Tivemos com Bauza um bom momento, mas não foi duradouro, desmoronou rapidamente. Vejo agora no atual trabalho, excetuando o Leco, uma chance de continuidade de um bom planejamento que de frutos por bom tempo, como alguns já encontraram.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

carlito150x150Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

Comentários

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3 COMENTÁRIOS

  1. É bom enfatizar que nem todos estão jogando com raça.
    Além de R.Caio, outros que devem ser cobrados pela torcida são Petros e Jucilei.
    Estes dois se acovardaram diante do ex-clube na disputa de pênaltis, sobrando para o Liziero a responsabilidade e a culpa por desperdiçar a última cobrança.

    Por enquanto Jucilei não mostrou pra que veio e Petros já teve várias chances (inclusive como Capitão). Por terem jogado no principal rival, é obrigação jogar com vontade e honrar a camisa do São Paulo.

  2. Muito boa colocação, eu também acompanho todos os Campeonatos da Europa onde vejo grandes jogos e jogadores de qualidades acima da média, a tendência realmente é a gente se desinteressar por campeonatos do Brasil que são de baixo nível e as vezes difícil de assistir, inclusive o São Paulo.