Memórias Tricolor #45 – O Campeonato Paulista

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O futebol mudou muito ultimamente, os campeonatos estaduais outrora tão importantes, atualmente foram deixados de lado e muitos torcedores dizem não ter importância ecoando vozes de derrotados dirigentes…

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Será que o Campeonato Estadual nada vale? Será que o Campeonato Paulista não tem importância? Para responder a esta pergunta, a Coluna Memórias Tricolor volta uma década e analisa o São Paulo Futebol Clube do início dos anos 2000.

O São Paulo viveu sua época de Glória no início dos anos 90, Estaduais, Brasileiro, Libertadores e Mundial foram conquistados. Grandes times, os maiores do mundo como Real Madrid, Barcelona e Milan ficaram para trás, jogar contra o Tricolor fazia os adversários tremer. Nosso elenco comandado por Mestre Telê se mostrava imbatível, o São Paulo era uma máquina de ganhar títulos, por falar em Telê Santana, chegou ao Morumbi com fama de “pé-frio” e perdedor (mesmo sendo muitas vezes campeão) se tornou Mestre, o Maior Treinador de um Clube Brasileiro.

Anos 2000 para inaugurar o novo milênio o São Paulo se consagrou Campeão Paulista, com um golaço de falta de longa distância de Rogério Ceni ganhamos do Santos no Morumbi e todo torcedor logo imaginou, a nova década é Tricolor.

O Campeonato Brasileiro virou uma bagunça e o Clube dos 13 organizou a Copa João Havelange, o São Paulo ficou em 12º lugar. E então em 2001 ficamos em 8º no Paulista e 7º no Brasileiro.

Em 2002, conquistamos o “Super Paulistão” ganhando do Ituano, e no Brasileiro o São Paulo liderou durante toda a competição e nas quartas de finais enfrentou o Santos que ficara apenas em 8º lugar. Fase do “mata-mata” e em pleno Morumbi uma derrota vexatória.

Em 2003, vice no Paulista com 2 derrotas na final e um 3º lugar no Brasileiro, e com este 3º lugar conseguimos acesso a Taça Libertadores de 2004, porém o final de 2003 foi conturbado para o São Paulo que sem técnico criou um modelo de 2 treinadores, uma baita bagunça.

Em 2004, o São Paulo novamente na Libertadores, e então, no confuso campeonato paulista, o Tricolor ficou em um grupo sem os grandes e no único jogo que realmente valia algo perdemos para o São Caetano que se tornaria Campeão, a esperança era a libertadores e o São Paulo chegou a Semifinal contra o desconhecido e “fraco” Once Caldas. Primeiro jogo, 9 de junho, Morumbi lotado e um 0 a 0, jogo de volta na Colômbia e o São Paulo consegue decepcionar e perde por 2 a 1, sendo o gol da vitória do time colombiano marcado nos últimos minutos, São Paulo desclassificado e mais uma derrota. Para o Campeonato Brasileiro a diretoria manteve o técnico Cuca, um campeonato fraco e em 2 de setembro veio a demissão de Cuca. Com o interino Milton Cruz o São Paulo ficou em 3º novamente no Brasileirão.

O São Paulo perdeu a pegada de time vencedor, o torcedor São Paulino, acostumado com as vitórias e títulos, passou a ser motivo de chacota e com as derrotas os adversários falavam que o São Paulo amarelava nas decisões, nos jogos importantes. Amarelo virou a cor do Tricolor. E então o Presidente a época Marcelo Portugal Gouveia definiu o perfil do treinador ideal: Linha Dura, Disciplinador. O escolhido Emerson Leão.

A primeira passagem de Leão pelo São Paulo foi um sucesso, Leão já havia treinado os outros grandes paulistas, porém seu grande feito era o Santos de 2002 quando descobriu a dupla Robinho e Diego. Leão tinha perfil forte, enfrentava tudo e a todos, não tinha “papas na língua” com a imprensa, dirigentes e jogadores. O São Paulo disparou no campeonato, já na metade da disputa não havia dúvidas, somente uma zebra tiraria o título do Tricolor. Ao todo foram 19 vitórias, 14 empates e apenas 3 derrotas, um saldo de 28 gols em 45 partidas, 8 pontos a frente dos adversários e com sobra o São Paulo foi Campeão.

Para ilustrar a fase que o torcedor do São Paulo enfrentava e a importância desse título, na noite do jogo da vitória em 3 de abril, no programa “Mesa Redonda” da TV Gazeta, o atacante Grafite como convidado entrou portando uma tigela de pipocas e jogou no palco ofertando aos comentaristas que chamava o time do São Paulo de pipoqueiro.

Ao final do Campeonato o técnico Leão com argumentos confusos deixou o São Paulo e para a continuidade da temporada o Tricolor contratou Paulo Autuori, o resultado todo torcedor Tricolor sabe, o São Paulo se consagrou Campeão da Libertadores e Campeão Mundial pela 3ª vez, nossa 3ª Estrela Vermelha. Nos 3 anos seguintes o inédito Tricampeonato Brasileiro, e sem dúvidas a década se tornou Tricolor.

Com a conquista do Campeonato Paulista de 2005, o São Paulo retornou aos caminhos das vitórias, da confiança, dos títulos. Esse campeonato foi sem dúvida alguma um divisor de águas da década.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

Contato: [email protected]

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Comentários

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  1. Ano 2000 não foi o primeiro do “novo milênio”, mas sim o último ano do anterior milênio. Isso porque a contagem de anos (DC – depois de Cristo), se iniciou no ano “1”, e não no ano “zero”. Assim, o decênio, o século e o milênio se iniciam com o número “1” (década em 2011, século em 1901, milênio em 2001, por exemplo).

  2. Pela tradição sempre participamos dos campeonatos e com muito êxito, o que nos está faltando nos últimos anos é gestão.
    Os gestores após a era Marcelo P. Gouveia foram um desastre, incompetentes ao extremo, uma vergonha e continua sendo, parece a casa do PT.
    Fora Leco e os seus asseclas.