Febre Tricolor – Resistência à pressão

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O confronto diante de uma equipe voltada a sufocar adversários no estádio Independência, como o Atlético Mineiro, me parece um teste importante para a equipe de Edgardo Bauza. O treinador trouxe segurança a equipe, com redução do número de gols sofridos. Ainda que o retrospecto não seja bom fora de casa, em apenas um confronto na Libertadores o adversário conseguiu fazer mais de um gol na defesa sãopaulina: na derrota por 3 a 1 contra o Toluca, no México.

Notadamente reconhecido por sufocar os rivais no famoso estádio do Horto, principalmente nos últimos anos, em que reverteu vantagens ao marcar quatro gols, é dessa forma que o Galo pretende superar o São Paulo. A consistência da equipe de Bauza, no entanto, tem sido antidoto para frear o ímpeto da equipe que enfrenta, nas quartas de final da Libertadores. O sentimento de união do elenco segue compromissado, mesmo que o Tricolor tenha iniciado essa fase sem o favoritismo.

O favoritismo nas quartas de final é do Atlético Mineiro. Por ter históricos de reação dentro do estádio Horto, por ter feito partidas melhores na Libertadores, e pela unanimidade da crítica especializada. A segurança do São Paulo pode ser determinante, no entanto, para seguir às semifinais. Haverá um intervalo até a próxima fase da Libertadores. Independiente Del Valle e Pumas, por exemplo, sequer fizeram o primeiro confronto das quartas de final, que será disputado apenas na próxima terça-feira, 17.

Na prática, a estabilidade defensiva do São Paulo está ligada a alguns fatores pontuais. O crescimento de qualidade de Hudson, o levando a ser capitão da equipe e primeiro volante de elevado nível; o fato de Bauza ter criado competitividade no elenco, mesmo tendo um número reduzido de volantes; e a intensa velocidade dos pontas tricolores, tanto ofensivamente como para o trabalho de recomposição defensiva. A pegada terá que ser a mesma, para sair vitorioso da “guerra”, nas quartas de final.

Interdição do Morumbi

A Polícia Militar de São Paulo, por prudência, suspendeu o laudo de liberação do estádio do Morumbi até que hajam reformas necessárias no setor onde ocorreu o acidente com 15 torcedores, na última quarta-feira. Apenas a realização de um laudo técnico, por perícia constatada pelo clube, poderá precisar o motivo do acontecimento.

Não há nenhum estudo que aponte o Morumbi como mais inseguro que qualquer arena moderna. A Arena Itaquera assistiu acidentes com trabalhadores, mesmo em sua fase de execução. Após “concluído”, em fevereiro deste ano, parte de seu teto desabou. Na Arena Fonte Nova, em maio de 2013, parte da cobertura desabou. Isso não isenta o São Paulo da previsão de eventos mesmo com elevado níveis de torcedores ocupando a sua casa. Somente a perícia poderá determinar medidas a serem tomadas e qualquer juízo de valor nesse momento é precipitado.

Vitória na estreia

A segurança do esquema tático Tricolor manifestada nos jogos de Libertadores prevaleceu ainda na rodada inaugural do Campeonato Brasileiro 2016. Com um time recheado de jovens, devido a contusão de muitos jogadores, o São Paulo soube controlar o Botafogo, no Rio de Janeiro, e venceu por 1 a 0: primeiro gol profissional marcado pelo meia Lucas Fernandes.

No jogo destaque para as boas atuações de Lugano, Centurión e Renan Ribeiro. O goleiro mostrou muita segurança na saída de gol e fez boas defesas durante os momentos em que o Botafogo pressionava. O defensor abusou de sua experiência e ganhou todas no jogo aéreo. Já o atacante foi uma importante válvula de escape do São Paulo na ponta esquerda, auxiliou ainda muito bem o jovem Matheus Reis, na marcação. O argentino fez ainda um belo gol de peixinho em posição legal, que foi mal anulado pela arbitragem, aos 47 do segundo tempo.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino há quase três décadas e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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