Memórias Tricolor – Curiosidades da Copa (Parte 2)

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E a Copa do Mundo da Rússia 2018, realmente é a Copa da surpresa, a poderosa Alemanha campeão de 2014 caiu na 1ª fase, Uruguai superou com valentia Portugal, Espanha caiu para Rússia e a Argentina após se classificar na “bacias das almas” está eliminada. O Japão quase derrota a então poderosa Bélgica, e tudo fica mais emocionante a cada jogo…

E sem desgrudar os olhos da TV vamos contando aqui na Coluna Memórias Tricolor mais alguns causos e histórias de personalidades ligadas ao Tricolor O Mais Querido.

E para começar essa 2ª parte, vamos contar três rápidas histórias do “anjo das pernas tortas” o grandioso Mané Garrincha junto aos Tricolores Paulo Machado de Carvalho e Vicente Feola. Depois contamos sobre Gérson, nosso canhota de ouro em momento de oração, Mestre Telê na Seleção, Raí e Cafu.

Mané Garrincha, o brincalhão

Entre os melhores jogadores brasileiros da história é impossível não citar Manuel Francisco dos Santos, “O anjo das pernas tortas”, o Mané, a “Alegria do Povo”, ou simplesmente Garrincha. Mane Garrincha foi o maior ponta direita do futebol mundial com dribles desconcertantes que dizem driblava o time inteiro para o ataque e podia voltar fazendo fila. Garrincha foi sensacional, simplesmente fantástico.

Nos últimos preparativos para a Copa de 58, Mané Garrincha divertia a todos brincando com São-Paulino Paulo Machado de Carvalho, Garrincha aparecia com o dedo imitando um revólver e chegava perto do Marechal e dizia “Doutor Paulo, ‘teje’ preso”, logo depois voltava e dizia “teje solto”, a forma de como Garrincha com seu jeito malandro falava ao poderoso chefe da delegação fazia todos caírem em gargalhada geral.

Driblaram Garrincha, Paulo Machado o salvou

Pelas ruas da Suécia Mané Garrincha foi as compras acompanhado do dentista Mario Trigo, ficou maravilhado com um rádio enorme e comprou. Durante a estadia na Suécia ficava ouvindo músicas suecas. Pouco antes do retorno da Seleção, no dia anterior a viagem, o massagista da Seleção Mario Américo disse a Garrincha: “Mas Mané, você vai levar esse rádio para o Brasil, esse rádio só fala sueco, esse radio não vai funcionar no Brasil, como você vai querer ouvir a língua sueca no Brasil?” Garrincha ficou decepcionado e Mario Américo se aproveitou e ofertou um valor muito abaixo do que Garrincha tinha pago e emendou “Assim te ajudo a diminuir seu prejuízo”.

Mário Américo ofereceu um valor muito abaixo do que Garrincha tinha pago e ficou com o rádio. Ao saber do ocorrido Mario Trigo acionou Paulo Machado de Carvalho que para evitar confusão futura sugeriu que ambos devessem comprar outro rádio para Garrincha, dividiram o valor do rádio e entregaram a Mané Garrincha o rádio, mas um modelo poliglota.

Combinou com os russos?

Na fase de Grupos da Copa de 58, o Brasil venceu a Áustria no primeiro jogo, porém empatou com a Inglaterra no segundo. O terceiro e decisivo jogo era contra a poderosa União Soviética, então favorita no grupo. Na preleção do jogo decisivo, o técnico Vicente Feola diz aos jogadores: “nossa jogada decisiva vai ser com Garrincha que avança pela direita, dribla dois ou três e passa a bola para o meio, que passa para Pelé que marca o Gol”, ao final da explanação Garrincha com a maior simplicidade possível fala:

“Tá legal, Seu Feola, mas o senhor já combinou tudo isso com os russos?”

Estava criada uma tradicional expressão brasileira.

 A Fé de Gérson

Em 1970 o Brasil tinha um verdadeiro esquadrão o time era formado por Félix, Carlos Alberto, Brito, Piaza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson e no ataque Jairzinho, Tostão, Pelé e Rivelino. Amigos que assistiram essa Copa, dizem que o time era tão bom, tão mágico que Rivelino precisou jogar fora de função porém não podia ficar fora do time. O Tricolor Gérson era peça fundamental com seus lançamentos precisos.

No dia 21 de junho, grande final contra a Itália no Estádio Azteca na Cidade do México, o Brasil ganhou por 4 a 1, porém o jogo foi muito apertado, o Brasil saiu na frente com Pelé as 18 minutos, porém o italiano Boninsegna empatou aos 37.

Um dos fatos curiosos dessa partida foi após Pelé marcar o primeiro gol, enquanto os jogadores comemoravam Gérson une as duas mãos e olha para o céus agradecendo, e afirmou depois nas entrevistas:

“Uma cabeçada que parecia um chute. E estamos na frente dos caras. Aí eu acradeci aos céus, Tem que agradecer sempre, cara, sem ELE nada é feito.”

Gérson foi premiado na 2ª etapa com um maravilhoso gol, recebeu de Jairzinho fora da grande área, puxou para a esquerda e soltou uma bomba. Brasil 2 a 1, e rumo ao Tricampeonato.

Gérson é a imagem do jogador da Fé.

 Telê Santana, o pé frio

Telê Santana chegou a Seleção Brasileira com excelentes trabalhos e títulos como treinador principalmente no Fluminense, Atlético Mineiro e Grêmio. Já tinha passagens por São Paulo, Botafogo e Palmeiras, porém sem muito sucesso. Deixou o Palmeiras para ir a Seleção, sendo anunciado oficialmente em 12 de fevereiro de 1980 pelo presiente da CBF Giulite Coutinho.

Na Seleção Telê inovou, sendo muito criticado pela imprensa e torcedores, tanto que o humorista Jô Soares criou o bordão “Bota ponta, Telê”, em razão do time não contar com ponta direita, o que Telê 20 anos depois ainda comentava: “Eu me aborrecia um pouco com isso, o time buscava ocupar o espaço ali na direita, se eu tivesse um grande ponta, como o Garrincha, é lógico que ele iria jogar”

Foram 38 partidas nesta primeira passagem pela Seleção, uma equipe que encantou o mundo, com um futebol envolvente, o melhor da época, porém que perdeu uma partida incrível contra a Itália que gerou a eliminação da competição. No retorno ao Brasil o treinador, comissão técnica e jogadores foram recebidos por milhares de pessoas em festa, demonstrando o quanto essa seleção foi admirada.

Ao deixar a Seleção Telê foi dirigir o Al-Ahli da Arábia Saudita e era comum o convite para retornar a Seleção Canarinho, em 85 Telê comandou a seleção em jogos das Eliminatórias para a Copa de 86, porém com vinculo junto ao Al-Ahli, que só foi rescindido em dezembro de 85. Retornou para comandar o Brasill na Copa do Mundo de 1986, sendo o único treinador brasileiro a comandar 2 vezes a seleção em Copas sequenciais.

Para a Copa de 86, Telê procurou valorizar a experiência e montou uma equipe com jogadores da Copa anterior, incluindo alguns em fim de carreira. Passou a não ser mais exigente em relação à disciplina e até intolerável em algumas situações como no corte de Renato Gaúcho por chegar mais tarde a concentração.

Na primeira fase o Brasil teve duas partidas difíceis contra Espanha e Argélia sem apresentar um bom futebol, na 3ª partida sobrou em campo vencendo a Irlanda do Norte por 3 a 0. Nas oitavas passeou em cima da Polônia, incontestáveis 4 a 0. E veio a França nas quartas de finais, a França era a atual campeã da Eurocopa, e venceu nas oitavas a Itália, foi uma das melhores partidas da Copa de 86.

Aos 18 minutos, Careca abriu o placar, aos 40 minutos o genial Michel Platini, então melhor jogador Francês (somente superado por Zidane) empatou, foi o primeiro gol sofrido pela Seleção Brasileira na Copa. No 2º tempo, aos 29 minutos, Branco em jogada com Zico sofre pênalti e Zico que acabara de entrar fez questão de bater, porém bateu mal, para fácil defesa do Bats, que na disputa de penalidades ainda pegou a cobrança de Sócrates. Na 3ª cobrança francesa a bola bateu na trave e no retornou bateu nas costas do goleiro Carlos e entrou, não era o dia do Brasil que ainda assistiu a Júlio César chutar a última cobrança na trave a desclassificar nossa Seleção.

Os erros de Zico no tempo regulamentar, Sócrates e Júlio César na disputa de penalidades, além da incrível situação na cobrança de Bellone, fruto de jogadas que só o futebol é capaz de proporcionar, conferiram a Seleção Brasileira a desclassificação de forma invicta no mundial, com 4 vitórias, 1 empate, 10 gols marcados e apenas 1 gol sofrido.

Para Telê Santana ficou a marca de “pé-frio”, sendo assim tachado por muitos torcedores e a maioria da imprensa brasileira. Alguns torcedores mais presos as derrotas da Seleção conferem a Telê a culpa pelas duas eliminações de 82 e 86, algo que esta coluna rechaça.

Telê somente iria retornar a carreira em agosto de 87, no Atlético Mineiro, onde venceu o Campeonato Estadual de 88, depois teve passagens por Flamengo, Fluminense e Palmeiras sem muito destaque, apenas como exemplo assumiu o Palmeiras em 14 de maio de 1990 e pediu demissão em 16 de setembro com pífio desempenho.

Aos 59 anos, com 21 de carreira de treinador, Telê Santana assumiu o comando Tricolor em 12 de outubro, com fama de “pé-frio”, ultrapassado e em final de carreira. No São Paulo o treinador Telê Santana deu lugar a Mestre Telê, o mais vitorioso, vencedor e herói da Torcida Tricolor, foi o casamento perfeito. Telê deixou a fama injusta de “pé-frio” para se tornar o Melhor do Brasil, o mais reverenciado, admirado, amado pela torcida e temido pelos adversários.

 1994, Raí não se encontrou

Na Copa do Mundo de 1994, Raí chegou como o grande craque da equipe, titular absoluto, capitão, camisa 10 e líder da equipe. Foram 3 jogos com participação discreta, e então no final do 3º jogo contra a Suécia o técnico Parreira sacou Raí e colocou em seu lugar Paulo Sérgio.

Para a partida seguinte, contra o Estados Unidos pelas oitavas de final, no lugar de Raí, Parreira optou por Mazinho um meia mais marcador, e então a seleção era armada com Mauro Silva de cão de guarda, Dunga mais livre, Mazinho pela direita em marcação e na esquerda Zinho escondido e só em marcação, a frente Bebeto e Romário.

                Raí voltou a participar novamente da copa, no jogo contra a Holanda pelas quartas de final e contra a Suécia, pela semifinal, entrando em ambas as partidas no segundo tempo.

Raí era o melhor meia direita brasileiro naquele momento, Campeão Mundial em 1992 e Bicampeão da Libertadores em 92 e 93, Raí teria lugar em qualquer time, mas não no burocrático time de Parreira que apesar de ganhar a Copa fez e torcida sofrer com vitórias magras e o empate na final.

Raí foi Campeão em 1994, porém não pode mostrar seu talento e futebol ao Mundo.

2002, o mundo conhece o Jardim Irene

Um bairro simples de população modesta e trabalhadora, formado por uma avenida e poucas ruas, Jardim Irene fica na zona Sul da cidade de São Paulo, no distrito de Capão Redondo. O bairro conta com apenas uma escola estadual, um campo de futebol, uma creche e uma organização não governamental, a Fundação Cafu.

Em 30 de junho de 2002, ao final da partida Alemanha 0 x 2 Brasil, o capitão Cafu surpreendeu ao escrever na camisa da Seleção com um canetão preto a inscrição “100% Jardim Irene”, em alusão ao bairro em que nasceu e foi criado. É neste bairro que Cafu mantém sua fundação para aproximadamente 950 crianças.

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing.

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