Além das 4 linhas – Razão e Emoção

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O nível das críticas que ando lendo ao trabalho do Raí são muito baixos. Para uma parte relevante da torcida o cara já deveria sair. Esta mesma gente deve ter pedido a cabeça do Muricy em 2008. Incrível como as pessoas não usam a cabeça quando o assunto é futebol.

Analisando os últimos anos do clube, quem foi um bom diretor de futebol e deixou um legado de bom nível para o clube? O que estamos vendo no clube há anos é um monte de gente sem nenhum conhecimento do futebol. O último deles foi o tal Pinotti. O que precisamos e devemos analisar é o trabalho neste ano de 2018 quando comparado ao ano de 2017 e com 2016, dois anos onde o SPFC quase passou a maior humilhação de sua história.

O que está acontecendo é a reconstrução do clube, que estava destruído em todos os setores. Em um ano de trabalho não se fala mais em queda e sim em títulos. O que a torcida cobra agora é título. Há um ano atrás cobrávamos vergonha na cara. Mas tenhamos em mente que não é só chegar, montar time e vencer campeonatos. Primeiro temos que vencer nossos próprios problemas internos. Isso foi feito em 2018 com certo sucesso. Sem dinheiro em caixa, o clube tratou de montar um time e não um elenco. Este time deixou grande parte do país do futebol encantado com vários jogadores e com o futebol apresentado. Militão, Arboleda, Bruno, Reinaldo, Nene e Éverton freqüentaram as seleções das rodadas. Mas a falta de dinheiro não deixou montar o elenco e quando alguns começaram a não jogar ou caíram de rendimento, não havia opção no banco, o ambiente azedou e o resto a gente viu.

Mas o time será mantido e novas peças chegarão, mas sempre com o raciocínio que não temos uma empresa a nos financiar. Mas o Grêmio e o Cruzeiro também não possuem e estão bem graças à continuidade no trabalho e a presença de um bom treinador. Se o SPFC conseguir dar continuidade a este trabalho, 2019 será melhor do que 2018 e 2020 melhor que todos. Mas se a emoção for maior que a razão e o trabalho cair por terra, talvez voltemos a 2017 para dar novo início. Eu prefiro a continuidade. Agora temos esta diretoria que logo será provavelmente substituída quando um novo presidente assumir.

Como eu dizia, o time foi bem e entusiasmou a todos enquanto ninguém saiu do time e subitamente caiu de produção vertiginosamente. O treinador não conseguiu fazer o time jogar com as peças que teve em mãos. Alguns problemas de relacionamento surgiram. O ano chegou ao fim e os dois gestores do elenco estão fora: Aguirre e Ricardo Rocha. Isso foi apenas uma coincidência? Eu acho que não. O meu chefe é quem tem a obrigação de unir e motivar o nosso “time” lá da empresa no dia a dia. Se o trabalho como um todo cai, ele é chamado pelo chefe dele. Se um profissional cai de rendimento, ele é chamado a conversar. Os gestores do time assumem a responsabilidade sobre o desempenho. O futebol tem um ingrediente complicador que é o contrato com duração longa e nível intelectual baixo das pessoas, o que acarreta em pouco profissionalismo muitas vezes. O empregador não pode mandar os jogadores embora. Mas os jogadores que ali estão hoje são mais do que conhecidos de todos. Acho mesmo que faltou gestão de pessoal e um elenco maior.  Saberá o Jardine fazer isso? Ainda tenho sérias dúvidas. O comandante é muito importante e não basta entender de futebol, tem que saber lidar com pessoas. Motivar as pessoas. Criar um clima saudável. É muito difícil.

O clube está finalmente andando para frente. Pode não ser na velocidade desejada por todos, mas tem direção certa.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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