Febre Tricolor – Cotia explode

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Surge um fenômeno nas cancheiras de Cotia, que atende por Antony. Genial o seu protagonismo na Copa São Paulo 2019, aniversário do clube.

O tetracampeonato da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2019 eleva o trabalho de base do São Paulo para um nível que já merecia alcançar há algum tempo, pelo esforço de todos os profissionais envolvidos e pelo investimento mensal realizado no clube na formação de atletas. Essa é a 11ª final da competição alcançada pelos jovens jogadores do Tricolor, com um vice-campeonato no ano de 2018 em uma final diante do Flamengo, demonstrando que ultimamente o trabalho atingiu um novo patamar.

Em 2019, a competição foi jogada pela base do São Paulo com um time inteiro de desfalques. Considerando Lucas Kal, que não teria mais idade pra figurar no torneio e voltou do empréstimo do Vasco (mas surgiu da base), e Éverton Felipe – que veio do Sport, mas foi observado por André Jardine na base do clube pernambucano – teríamos um time completo: Lucas Perri (seleção sub-20); Rodrigo (profissional), Walce (seleção-Sub20) e Lucas Kal (profissional); Helinho (profissional), Gabriel Sara (machucado), Luan (seleção sub-20), Igor Gomes (seleção sub-20) e Igor Liziero (profissional); Éverton Felipe (profissional) e Brenner (profissional).

Foi sem utilizar nenhum destes jogadores que o São Paulo foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, no dia de aniversário do clube e da capital paulista. De quebra, o time finalista promoveu uma ação para homenagear a jovem Larissa Martins, de apenas seis anos, diagnosticada com câncer: todos os jogadores rasparam os cabelos, para mostrar identidade com a criança. De quebra, Antony – que lhe havia prometido um gol diante do Mirassol nas oitavas de final, não só marcou naquela partida como também reencontrou as redes na final da competição.

Quatro jogadores, especialmente, tiveram destaque na competição. O ponta Antony já era conhecido de todos, mas evoluiu de tal modo com momentos de lembrar arrancadas de Lionel Messi. Como coragem não é um dos sentimentos que faltam a esse colunista, arrisco a dizer que tornou-se o melhor jogador surgido na base do São Paulo desde Luiz Antônio Corrêa da Costa (Müller). Isso mesmo, melhor que Denílson, por ser mais objetivo.

O talento do atleta foi percebido pela comissão técnica da base, comandada pelo treinador Orlando Ribeiro, pois nem sempre e tradicionalmente os jovens de baixa estatura são selecionados nas cancheiras do clube. Gabriel Novaes foi o artilheiro máximo da Copinha com 13 tentos marcados, estabelecendo um novo recorde do clube na competição, também alcançando posição de destaque.

A principal joia comentada da base Tricolor, o moderno volante/meia Rodrigo Nestor cumpriu as expectativas ao chegar no Sub-20. Conseguiu marcar e organizar a equipe, como jogador moderno. Mas uma das gratas surpresas do torneio foi o capitão e volante Diego. Diferente de outros volantes formados ultimamente, o atleta de elevada envergadura tem forte poder de marcação e sabe sair jogando com a bola, podendo oferecer interessante alternativa ao time principal. Infelizmente, o meia/volante Gabriel Sara se machucou, mas completava um trio de meias/volantes modernos, lembrando o estilo de jogo do Manchester City. Jamais o São Paulo teve um número de jogadores tão bons. Vamos ver se de promessas viram realidade.

Primeiro clássico

Nenê virou armador solidário e comanda o São Paulo no início do Paulistão 2019

Após duas boas partidas no Campeonato Paulista 2019, o São Paulo enfrenta um grande desafio na temporada. Irá enfrentar o Santos do renomado técnico argentino Jorge Sampaolli. Uma equipe com esse nível de competitividade poderá demonstrar que nível os comandados de André Jardine atingiu, visando sobretudo a estreia do dia 6 contra o Talleres, em Córdoba, pela Copa Libertadores 2019.

O recente desempenho da equipe nas últimas temporadas deixa o torcedor ressabiado. Toda vez que se chega a esse ponto espera que o São Paulo supere sua síndrome de clássicos, pra voltar a ser protagonista nas competições. Um acertado investimento foi feito, e esse é o momento de reverter essa mística.

O meia Hernanes desenvolve trabalho especial com o preparador físico Carlinhos Neves e não será utilizado no clássico, espera-se que retorne nos próximos três compromissos antes da pré-libertadores. Um Nenê solidário vem sendo a principal peça da equipe, especialmente o nível de assistências que vem acumulando – contrariando a tese de que não poderia ser um meia armador, mas mais finalizador. Para o coletivo é mais interessante que utilize sua inteligência para facilitar as jogadas aos companheiros. O trio Diego Souza, Nenê e Pablo qualificou sensivelmente a inteligência ofensiva são-paulina.

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Alexandre Velame é Jornalista e Advogado, são-paulino desde que acompanha futebol, em 1991, e usuário da SPNet desde 1997. Escreve nesse espaço aos domingos.

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