Terças Tricolores – Precisamos falar sobre Anderson Martins

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Não é incomum ver alguns torcedores do São Paulo completamente insatisfeitos com o trabalho apresentado pelo nosso zagueiro, Anderson Martins, até o momento. De boa surpresa, no começo do ano, a totalmente questionável durante o campeonato, Martins é um dos principais temas de bate papo nos dias de hoje.

É indiscutível que, para o nosso elenco, o equatoriano Arboleda é titular incontestável, sobrando uma vaga na disputa entre Anderson Martins e Bruno Alves (curiosamente mais um ex-Figueira, assim como Volpi e Pablo…vem uma base “a la Goiás” por aí?). Eu não sou estúpido em dizer que o Martins seria o parceiro de zaga tendo em vista que o Bruno Alves terminou o ano muito melhor e com um futebol mais convincente.

Mas eu quero trazer a qualidade e capacidade do Anderson de volta e, claro, pedir um voto de confiança. Estava dando uma vagada pela internet quando me deparei com isso: https://oglobo.globo.com/esportes/desde-saida-de-anderson-martins-gols-sofridos-pelo-vasco-aumentam-em-60-22475983 .

Em março do ano passado, logo depois da saída dele para o nosso clube, o Vasco já sentia a falta do beque: os gols aumentaram em 60%, com o agravante de terem sido tomados no Campeonato Carioca e não no Brasileirão que, claro, é muito mais complexo, difícil e disputado. Naquele Vasco horrível, nos 14 jogos em que atuou, o time levou 10 gols. Sem ele, foram 16 tentos tomados, reforço, no Cariocão.

Claro que, se pegarmos número por número, assusta a quantidade de gols que o Vasco tomou MESMO com o Anderson. De toda forma, assim como uma andorinha só não faz verão, um zagueiro só não segura um sistema defensivo falho e cheio de buracos.

Acredito que, com volantes mais móveis (duvido que o Jardine vá atuar com Jucilei e Hudson), as laterais mais entrosadas (o Peres deve subir de rendimento, levando em conta sua péssima atuação ano passado) e que teremos pontas que ajudarão no sistema defensivo (vejam bem, sistema defensivo é bem diferente de jogadores de defesa), o Anderson tem tudo para melhorar e crescer com o time.

Tecnicamente, na minha opinião, acho que ele é mais jogador do que o Bruno Alves. Até pela rodagem, experiência em time grande (não esqueçamos que ele atuou e foi campeão no rival da marginal) e por ter “casca”. De toda maneira, acredito que precisamos ter alguma paciência com ele que, com certeza, se mostrará importante no decorrer da temporada.

Novidades – Vou tentar fazer, para semana que vem, uma coluna especial sobre o treinador húngaro Béla Guttman. Acabei de ler sua biografia, que dei sorte em encontrar na livraria, aliás, e há uma bela participação dele no sistema 4-2-4 que foi utilizado por Vicente Feola para conquistar o primeiro título mundial do país, em 1958. Até “nisso” o nosso Tricolor está metido!

Contratações – Não acho que venha mais alguém, pelo menos de peso. Apesar da situação do Pato ser “animadora”, tendo em vista as polêmicas dos dirigentes de lá, não acho que será fácil de conseguir uma liberação ou uma negociação. Acho que teremos que aguardar um ano, como foi o caso do Hernanes.

O “caso” Arrascaeta – Não costumo comentar negociações de outros clubes por motivos extremamente óbvios, mas darei meus vinte centavos sobre a negociação envolvendo empresários, Arrascaeta, Cruzeiro e o Flamengo. Em primeiro lugar: que papelão do Arrascaeta, hein? Não há problema algum em querer ganhar mais ou aceitar a proposta de outros clubes, mas é preciso ter profissionalismo e ser correto em assumir as coisas. Quer sair? Que saia, mas honrando o contrato assinado com a outra parte, no caso o Cruzeiro. Se não fosse por tudo que o Cruzeiro fez por ele, será que o Arrascaeta teria o sucesso que tem hoje?

E mais do que isso, cadê ele que não fala? Não dá satisfação, não aparece, não dá notícia, falta aos treinamentos….isso não é coisa de atleta profissional. E, em segundo lugar, que sistema horrível de negociação do Flamengo. Passa por cima do clube e vai direto no jogador e seus representantes que, ao verem a bala que estão oferecendo, fazem qualquer coisa para sair.

Eu, no lugar do Cruzeiro, resistiria ao máximo (e parece que foi isso que a diretoria Celeste conseguiu fazer). Não é um problema ter dinheiro e fazer propostas por outros atletas, mas o faça de maneira ética e pagando o justo. Por fim, acho bem estranho eles contratarem a quantidade de caras que vão contratar e pelos valores divulgados pela imprensa. Claro que a gestão anterior cuidou bem das finanças, mas chutar a porta dessa forma nunca é uma boa ideia.

Enfim, problema deles!

É isso!

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Abrahão de Oliveira é jornalista, formado pela Universidade Metodista de São Paulo, dono da @spinfoco e São-Paulino desde que se conhece por gente.