Memórias Tricolor – Pepe

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E o aniversariante desta semana é o homenageado na Coluna Memórias Tricolor desta semana, o homem que comandou a equipe na conquista do bicampeonato brasileiro.

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Simplesmente um dos maiores jogadores brasileiros, um dos melhores ponta-esquerda que o Brasil já teve, José Macia nasceu em Santos no dia 25 de fevereiro de 1935 (ano de fundação do glorioso SPFC), ficou mundialmente conhecido como Pepe e fez parte de um verdadeiro esquadrão.

Pepe teve toda sua carreira como jogador ligado ao Santos, considerado como um dos maiores heróis do time praiano, jogou entre 1954 a 1969, um total de 750 partidas, marcou 405 gols sendo o segundo maior artilheiro deles, ganhou o apelido de “Canhão da Vila” em referência ao seu chute de esquerda que era um dos mais fortes do mundo.

Pela seleção brasileira Pepe era sempre titular, é Bicampeão do Mundo com a seleção em 1958 e 1962, porém não jogou nas Copas em razões de contusões, mas esteve junto ao grupo, seu substituto em ambas as Copas foi Zagallo que acabou jogando e também se consagrando.

Mas um jogador tão ligado ao Santos, o que tem a ver com o São Paulo Futebol Clube? Muito, meus amigos leitores, muito, ao pendurar as chuteiras Pepe iniciou carreira de treinador, no início nas categorias de base do Santos, sempre assumindo a equipe principal quando era necessário, ficou pela Vila como treinador até 1975, indo assumir o Paulista e iniciar uma fase de peregrinações por diversas equipe até sua aposentadoria definitiva em 2006.

O São Paulo em 1985 apostou em um elenco jovem, mesclando grandes jogadores como já contamos em Coluna anterior, e o resultado foi o título Paulista de 1985. No ano seguinte os campeonatos estaduais foram invertidos ocorrendo no início de 86. O São Paulo manteve a base anterior e era forte candidato ao título, porém o resultado foi apenas a 6ª colocação. O campeonato brasileiro começou antes dos estaduais terminarem e a equipe Tricolor não rendia os resultados não apareciam.

Assim a diretoria sentiu a necessidade de trocar o comando da equipe. Enquanto isso o Campeonato Paulista chegava ao final, Palmeiras e Internacional de Limeira fariam inédita disputa de título, o Palmeiras amargava anos sem conquista e era franco favorito ao título, do outro lado um time que no 2º turno do campeonato se acerto, e o treinador era ele, Pepe.

Então no dia 31 de agosto a 1ª partida disputada no Morumbi a diretoria Tricolor convidou Pepe para uma conversa e logo acertaram sua ida para o São Paulo. A 1ª partida empate de 0 a 0, e o 2º jogo em 3 de setembro o time alviverde foi surpreendido Internacional 2 a 1, e pela 1ª vez um time do interior de São Paulo conquistava o campeonato estadual.

O São Paulo tinha um excelente elenco, mas parecia faltar algo, então Pepe ao chegar ao Tricolor manteve a base e fez apenas alguns ajustes, o São Paulo era assim composto: no gol Gilmar em grande fase, Oscar e Dario Pereyra formavam a melhora zaga que o São Paulo teve em sua história, Zé Teodoro e Nelsinho viraram alas, Bernardo era um xerife, Silas pela direita e Pita pela meia esquerda armavam o ataque que tinha Müller na ponta direita e Sidnei na esquerda e Careca era o centroavante matador e implacável.

Até quando Oscar se contundiu Pepe conseguiu manter a força da equipe com Wagner Basílio que substituiu a altura e fechou a zaga Tricolor.

Pepe não aceitava “corpo mole”, não aceitava jogador sem entrega até nos treinos que eram a exaustão. Tudo tinha que ser a perfeição, passes, lançamentos, chutes e cruzamentos tinha que ser precisos e assim os resultados começaram a aparecer. Com isso o São Paulo terminou a primeira fase liderando o grupo A.

Na segunda fase a equipe ficou em 2º lugar no Grupo e assim se classificou para as Oitavas de finais que eram em disputa mata a mata. O São Paulo foi avançando passou por Internacional de Limeira, Fluminense e América e foi para a disputa contra o Guarani para a final.

O primeiro jogo empate em 1 a 1 no Morumbi e a grande final ficou para 25 de fevereiro em Campinas no Estádio Brinco de Ouro. O jogo eletrizante, estádio lotado e empate no tempo normal 1 a 1. Na prorrogação logo no 1º minuto Pita marcou para o Tricolor que tomou a virada e o título parecia distante. No último minuto de jogo o Careca fez fantástico gol que já narramos na Memórias Tricolor e deixou tudo igual.

Nas penalidades 4 a 3 para o São Paulo e o bicampeonato conquistado. O São Paulo e todos os jogadores chegavam ao auge como o melhor clube do Brasil, o técnico Pepe conquistava seu título mais importante como Treinador e conseguia um feito que poucos treinadores conquistaram de ser campeão estadual por uma equipe pequena e ser campeão brasileiro com uma equipe que no início do campeonato parecia estar desacreditada.

A conquista rendeu a Pepe um convite para treinar o Boavista em Portugal.

Era um 25 de fevereiro, aniversário do técnico e o presente foi o título para Pepe e para toda a nação Tricolor. A torcida presente ao estádio além de gritar Campeão homenageou o treinador cantando “Parabéns a você”, fato que gerou enorme emoção a Pepe que santista passou a gostar e até torcer para o São Paulo.

Por sua passagem pelo São Paulo e a conquista do Brasileiro de 86, Pepe também faz parte da seleta galeria Tricolor.
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Gustavo Flemming, 41 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing, conselheiro da Associação Comercial de São Paulo – Distrital Pinheiros, escreve a Coluna Memórias Tricolor desde maio de 2017.

Contato: [email protected]

1 COMENTÁRIO

  1. Parabéns pela coluna.

    Hoje em dia a única que dá prazer em ler, não pelo fato dos outros colunistas serem ruins, mas pelo fato de todos os demais e onde eu estou incluído, apenas falamos da atual desgraça que nosso tricolor se encontra