Além das 4 linhas – Calma para trabalhar

Desde a demissão de Muricy após o tri brasileiro em 2008 que o SPFC não foi mais SPFC. Eu não reputo isso apenas a demissão do treinador, mas a uma série de coisas aconteceram dentro do clube. Até o filme Soberano faz parte disso, não pelo filme em si, que foi legal e uma bela provocação, mas pela postura da diretoria, que passou a achar mesmo que o clube era o maior e todos os outros menores.

Deste maravilhoso tri campeonato até hoje o clube anda atrás do seu caminho sem encontrar.

Leco foi eleito após a péssima administração anterior e logo de cara passou a fazer besteiras. Além de tomar providências de bombeiro, por falta de planejamento, nomeou pessoas inadequadas a cargos importantes, que causaram os incêndios. Um círculo vicioso.

Ao final da temporada passada comecei a ver decisões de médio e longo prazo que gostei. A começar pela aprovação no início do ano do novo estatuto, a nomeação de Raí pode ser um bom sinal se ele tiver tempo para trabalhar. Montar elenco e comissão técnica não é ir a feira e lotar a geladeira de frutas e legumes. As coisas não são assim tão fáceis. Sem dinheiro fica ainda mais difícil. Mas o PSG nos mostra que mesmo com dinheiro não é assim uma moleza.

Mas o futebol tem o ingrediente do imediatismo muito marcante. As emoções dominam as
razões e tudo pode ir por água abaixo num instante. Eu fico vendo a torcida e imagino o
quanto deve ser chato escutar tanta besteira na porta do CT. Até o nome do Luxemburgo foi gritado ontem após a derrota. Pode ser por conta de ter 54 anos e hoje ter muitas
preocupações e responsabilidades que vejo o futebol como entretenimento. Isso na verdade já não é de hoje. Faz tempo que o futebol parou de ser a gasolina da minha vida.

Mas ir na porta do CT pedir coisa pior só por estar de cabeça quente nunca fiz. Antes de mais nada o melhor é parar para pensar nas soluções. Mas colocar o futebol no seu devido lugar também é importante.

Eu vejo o clube na direção correta, contratando dentro das possibilidades financeiras e
planejando o futuro. Isso é o certo. O resultado vem com o tempo. A vida é assim e o futebol não pode ser diferente. Talvez por ter muita gente que pensa diferente disso é que fui ficando meio cheio do futebol. Muita emoção e pouca razão não me faz bem. Voltamos ao início deste texto, já que a emoção do tri deixou a diretoria embriagada do sucesso e a fez esquecer do trabalho.

Na verdade este texto pode ser um texto de despedida, já que ando pensando que tomei uma estrada diferente nos últimos anos que me levaram para longe do lugar inicial. Aqueles tempos de moleque indo ao Morumbi foram ficando para trás. As aventuras no estádio foram ficando chatas. Eu até me cobrava no início, mas depois fui entendendo que eu mudei e o futebol também, mas para pior. Por que pior? Além da emoção maior que a razão, o ambiente do futebol passou a ser um ambiente inseguro. Um lugar onde a família passou a ser proibida de ir. Enfim, o futebol deixou de ser sadio.

Isso pode ser o momento. Talvez o dia que o Brasil melhorar, crescer, desenvolver e educar seu povo, o ambiente volte a ser legal como era.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

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Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

ATENÇÃO: O conteúdo dessa coluna é de total responsabilidade de seu autor, sendo que as opiniões expressadas não representam necessariamente a posição da SPNet ou de sua equipe de colaboradores.

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6 COMENTÁRIOS

  1. Eu já havia dito isso aqui, mas vale repetir: Desde que os arrogantes criaram o apelido arrogante de Soberano as coisas começaram a mudar.
    Telê Santana sempre aplicou o conceito de humildade e o resultado já sabemos.
    Haviam jogadores unidos por um objetivo em comum, hoje o que vemos são jogadores e Diretoria movidos por interesses próprios.

    Fala-se muito em recordes individuais (maiores números de partidas, gols, tempo no comando) e os títulos que são conquistados em grupo?

    Enquanto o Tricolor contar com gestores e atletas individualistas, este marasmo não vai acabar.

  2. Compartilho desse desencanto. Vi centenas de jogos do SPFC ao longo de meus 54 anos.
    Vi times medianos do SPFC realizarem proezas (p.ex. O campeão brasileiro de 1977, que Além de craques como Zé Sérgio, Chicão e Waldir Peres e Dario Pereyra que dali em diante se tornou o gigante que todos conhecem, contava com jogadores razoáveis).
    Vi times forjados com peças que se ajustaram ao longo do campeonato (o campeão de 2005).
    Nenhum desses times que passaram para a história foram feitos sem um norte definido e sem um comandante atento.

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