Além das 4 linhas – Uma avaliação

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Alguns dias antes da derrota para o Palmeiras Muricy deu uma entrevista onde disse que para vencer um campeonato longo como o Brasileiro é preciso ter elenco numeroso e qualificado.

Veio o jogo e o que vimos foi a confirmação desta verdade dita por um dos maiores
treinadores da história do SPFC e do futebol brasileiro. Estamos vendo o time do SPFC
despencar na tabela junto com a queda de rendimento do Nene, com a contusão do Everton e a oscilação normal de todo profissional. Pelos meus 55 anos de idade e 40 de Morumbi já ouvi isso que o Muricy disse de várias formas diferentes. Tem uma do mestre Telê que sempre postei aqui neste espaço: Para o time titular jogar bem, o time reserva deve ser forte.

Infelizmente o clube não tem um time reserva forte. Aliás, não tem time reserva. No jogo de domingo contra o Palmeiras um centroavante uruguaio recém contratado e com 21 anos
substituiu o camisa 10 do nosso time. Um lateral jogava como ponta. Eu escrevi aqui recentemente que acredito que dentro do planejamento da diretoria não estava disputar a ponta deste BR18. Se o clube estiver sendo administrado como empresa pelo seu conselho de administração, acredito que o objetivo imediato do primeiro ano desta diretoria era classificar o time para a libertadores depois de anos de sufoco para não ficar na zona da degola.

Nenhuma empresa séria planeja dominar seu mercado logo de cara.

O futebol ainda tem alguns complicadores em relação às outras atividades, que é o período
para contratação de reforços. Uma empresa de qualquer outro setor da economia pode
contratar bons profissionais a qualquer tempo. No futebol só em janeiro e julho. Sem contar que o nosso futebol tem um outro agravante sério: Moramos num país pobre e nossos bons profissionais saem do país aos montes duas vezes por ano. Assim, é muito complicado montar e manter um bom time.

E ainda temos mais um super complicador: A falta de grana do clube. Não faz muito tempo
postei aqui um texto falando do faturamento dos grandes clubes do Brasil com bilheteria. O
Flamengo, o Palmeiras e o Corinthians faturam muito mais que nosso clube. No longo prazo
isso pode significar muita coisa. Eu não faço idéia de como o clube trabalha com isso, mas
para simplificar cito o exemplo da Espanha, onde apenas dois clubes dominam o cenário e o motivo é unicamente o financeiro. Tenho certeza que o Atlético de Madri é um clube bem
administrado, mas não faz frente, ou melhor, não consegue fazer frente à Real e Barcelona.

Voltando a realidade do SPFC atual, eu gostaria de poder julgar melhor o trabalho do Aguirre, mas ele não tem matéria prima para que eu possa, aqui de fora, poder dar uma nota ao seu trabalho. O que sei, e já escrevi aqui também, é que ele é um treinador sem currículo vistoso. Talvez pudesse agora mostrar um trabalho melhor do que estamos vendo no SPFC, mas repito, sem material humano fica difícil.

O que espero é que a diretora saiba fazer esta avaliação do treinador e do elenco e que depois possa dispor dos recursos financeiros para qualificar o elenco para 2019.

Finalizando, como mero torcedor, estou gostando do que vejo dentro e fora de campo. Eu não dispensaria oAguirre e nenhum jogador, pelo contrário, reforçaria o elenco para 2019 e seguiria a risca a cartilha de mestre Telê, ou seja, arrumaria dois ótimos jogadores para disputar posição com Nene e com Everton.

Salve o Tricolor Paulista, o Clube da Fé.

Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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