Além das 4 linhas – Segura a ansiedade

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O time não vem jogando bem e a torcida começou a vaiar. Eternas mudanças de treinadores têm esta conseqüência, afinal de contas, só em 2019 já estamos no terceiro treinador. O SPFC fez exatamente o contrário: Três treinadores no mesmo ano, quando deveria ter o mesmo treinador por três anos. Custa caro. Toda má administração custa caro. O clube vive da política e deveria viver da competência administrativa dos seus quadros.

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Como finalmente o SPFC tem um treinador que já venceu estadual, brasileiro e libertadores e tem a capacidade reconhecida por muita gente que entende de montar elencos,  o negócio agora é  segurar a ansiedade e esperar o time  funcionar. E vai funcionar. Jogadores fora de forma e outros contundidos estão atrapalhando. Jogadores com características  que não agradaram no SPFC também estão prejudicando. Graças a estes jogadores que não estão rendendo o clube não tem caixa para pagar salário para outros que poderiam estar ajudando. O grande problema é que com tantas trocas de treinador o elenco está com formação que não agrada ao treinador. Além disso, treinador sem currículo acaba por trazer, ou deixar que tragam, jogadores também sem currículo.  No elenco tinha e tem vários.

Estamos vendo o Lucas Fernandes jogar muita bola em Portugal e despertar interesse de vários clubes, inclusive do Porto. Trata-se de mais um jogador que “não rendeu o esperado” e saiu para brilhar fora do clube. Como tem jogador que sai e se dá bem! O problema só pode estar conosco, torcedores, que os  queimamos, e comissão técnica e diretoria, que não sabem lançar os talentos ou não conseguem segurar a pressão dos empresários e da torcida. Aliás, esta pressão dos empresários é assunto complexo. Eu sempre fico na dúvida se o clube ou alguém do clube facilita esta saída. Hoje temos uma garotada que ganhou tudo na base, mas os “entendidos” torcedores são paulinos já estão criticando Brenner, Toró, Helinho, Igor e outros porque não rendem. Isso é assunto para fanático e ignorante que ignora a dificuldade que é sair da base e vestir uma camisa pesada de um clube em crise eterna.

Já passou da hora de o clube virar empresa e a torcida ser tratada como torcida e não membro da administração. As declarações dos administradores do clube deveriam ter linguagem profissional como em toda empresa. Tudo vai dar certo no momento certo, basta ter as pessoas certas nos seus cargos. O clube tem que começar o quanto antes a viver o ambiente profissional e não parar nunca mais. Chega de gente amadora com conversa amadora. Torcida uniformizada deveria ser tratada como  torcedor comum. Ingresso grátis acabou. Nos protestos recentes vi gente sobre o muro do CT. Isso é  coisa de bandido que deve ser tratado como tal. O SPFC não é o Corinthians. Aqui o papo deveria ser  profissional como foi no passado.  O clube não é, nunca foi e nunca será o time do povo e ponto. O novo estatuto está lá na gaveta esperando para ser posto em prática.

Precisamos mudar a mentalidade. Vejo Raí dar entrevista com medo. Treinador dar entrevista com medo. O presidente some. O clube precisa implantar o pensamento europeu, onde o trabalho é julgado e não apenas o resultado. Se o Cuca ficar 10 anos no clube e vencer dois paulistas, um brasileiro, uma copa sul americana e uma copa do brasil é bom ou ruim? Quantos títulos o clube venceu nos últimos 10 anos mesmo? Esta é a mentalidade que me refiro. Aí um mais exaltado e fanático vai dizer: Poxa, mas você não colocou uma libertadores em 10 anos! Pois é, trata-se de título dificílimo que no planejamento de hoje, com a capacidade financeira de hoje, talvez não consigamos vencer, mas se os anos forem passando e o clube, graças a sua ótima e nova administração profissional, passar a ganhar mais dinheiro e puder manter um time de qualidade muito boa, poderemos disputar de igual com os clubes que hoje estão melhores do que nós em toda a América.

Sem senso de realidade não se faz um negócio prosperar.

Salve o tricolor paulista, o clube da Fé.

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Carlito Sampaio Góes é advogado, trabalha como representante comercial, frequenta o Morumbi desde 1977 e prefere o time que vence ao time que joga bonito. Escreve nesse espaço todas as quintas-feiras.

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