Além das 4 linhas – Mandar no jogo

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Os números mostram um SPFC melhor como visitante do que como mandante. Eu vejo isso como venho escrevendo: Sem Hernanes, Pato e Pablo o time tricolor perde força ofensiva e jogando em casa, como tem que vencer e os adversários se fecham, a ausência do trio fica mais sentida ainda. Foi legal ter feito a coluna passada falando nisso e no jogo contra o time do Botafogo justamente os dois membros do trio de ataque que puderam atuar fizeram os gols. 

E realmente 4 vitórias, 6 empates  e uma derrota nos 11 primeiros jogos como mandante é pouco. Com 8 vitórias e 3 empates estaríamos ali na ponta. Quando o time joga fora de casa o adversário ataca e abre espaços. Quando o time joga em casa o adversário contra ataca e fecha os espaços e o SPFC não está sabendo jogar desta forma. Eu não sei como vocês olham para a questão da extrema diminuição no tamanho do gramado do Morumbi após as mudanças que a FIFA fez, mas eu hoje vou ao estádio e vejo um amontoado de jogadores sempre numa faixa única do campo os 90 minutos. Neste ponto o futebol mudou para bem pior. Tá fácil um time  se fechar na defesa. Isso não é uma desculpa, é apenas um comentário.

Sem querer colocar lenha na fogueira, nesta semana li que tem muita gente dentro do clube querendo a volta do Diego Aguirre. Eu não sei exatamente o que acontecia nos vestiários no tempo do Aguirre e não sei o que acontece agora. Como era o ambiente e como é agora. O que sei é que Aguirre fez um bom trabalho e depois coisas aconteceram, além das contusões, que o fizeram “perder” o elenco e os jogos. Sei também que Aguirre tem uma carreira medíocre como treinador, com poucas e inexpressivas taças conquistadas, o que não é o caso do Cuca, sem querer defender um e outro. Eu defendo a tese de que para trabalhar numa grande empresa o funcionário tem que ter um grande currículo. É fato que criamos uma grande expectativa para este BR19 e a coisa está esquisita. A solução está nas mãos de quem sabe das coisas do futebol e do SPFC de hoje em dia, como torcedor estou descontente com o que vejo. Eu não cobro titulo agora, cobro pelo menos um bom futebol e uma boa colocação no BR.

A hora é de lavar roupa suja e isso se faz dentro de casa, a portas fechadas. Elenco, diretoria e comissão técnica devem conversar e tentar encontrar soluções. Nós torcedores não devemos cair na pilha da imprensa.  Como sou apenas um torcedor e pouco ou nada entendo de futebol, digo sempre que o mínimo é aprender com o passado, e o que nos diz o passado do SPFC? O Clube tem 12 grandes conquistas na sua história e em todas elas havia um bom presidente, um bom diretor, uma boa comissão técnica e bom elenco. Além disso, os trabalhos sempre tiverem continuidade. Só para pegar o exemplo de 2005: O elenco teve Cuca, Leão e Autuori. Três bons e experientes treinadores. Depois veio Muricy que levou o inédito tri ao ficar, com enorme pressão por incrível que pareça, os três anos. E como aconteceu este período mágico na história tricolor? O clube vivia um período fraco em conquistas sob a presidência do Paulo Amaral, que tentou a reeleição em 2002. Quem venceu a eleição foi o Dr Marcelo Portugal Gouvêa, que ficou até 2006. Não adianta inventar, o exemplo vem de cima. O Dr Marcelo faleceu pouco antes do tri de 2008 e no dia da conquista Rogério Ceni, capitão do time, disse: “Seria muito injusto que ele visse o título daqui. O céu é o lugar certo para uma pessoa como ele festejar.”

Então meus amigos tricolores, precisamos de sequencia em bons trabalhos feitos logicamente por bons profissionais. A reconstrução é demorada, bem mais que a destruição, apesar de que, a destruição vem sendo feito ao longo de alguns anos. Para mim o momento é de conversa, como em toda boa organização profissional que conta com gente de respeito.

Com a palavra a diretoria do SPFC.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes