Além das 4 linhas – Ídolos

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Tivemos recentemente votação no globo esporte para escolha do maior ídolo da história tricolor. Eu não votei. O escolhido foi Rogério com 84% dos votos na “final” com Raí, e isso é compreensível por algumas razões. A mais importante, em minha opinião, é o tempo. Raí teve seu auge no SPFC em 1992 e 1993 junto de jogadores extraordinários e com comando do mestre Telê. É um ídolo do “passado”, podemos dizer assim. Quem tem 30 anos e frequenta estádio hoje não viu Raí. Eu não vi na pesquisa a idade dos eleitores. E hoje conta mais os torcedores jovens, os que mais estão nas redes sociais e mídias digitais e nos estádios. Para piorar para Raí, hoje ele está diretor num período negro da nossa história. Muitos jogadores preferem sair do futebol após o fim de suas carreiras e isso pode ser uma das razões, o fato da torcida pegar bronca dele em alguma outra atividade no clube. Quantos jogadores ótimos foram treinadores medíocres? Temos que saber separar o diretor do jogador neste caso.

Eu, com o tempo, parei de comparar os ídolos, mas tive vários  no SPFC e sei muito bem o tamanho das conquistas de cada um. Precisamos levar em conta o contesto de cada época também. Antigamente, nos anos 1970, a Libertadores era um campeonato muito diferente e disputado em condições muito difíceis. Jogadores levavam pedradas e o jogo seguia. Existem muitas histórias sobre isso no nosso clube. Na libertadores de 1974 o Waldir Peres levou uma pedrada na cabeça logo aos 9 minutos do primeiro tempo da final que o levou ao vestiário dar pontos e colocar  faixa. Voltou ao campo para o resto da partida. No segundo tempo levou outra.  ”Bolinha de gude, pau, cimento, os argentinos jogaram de tudo em mim. Não tinha punição, o juiz não parava o jogo, só tinha expulsão quando praticamente matavam um”, conta o ex-goleiro. Era outro futebol.

Waldir é um dos meus ídolos. O volante Chicão é meu titular na seleção que faço dos times que vi do tricolor. Um grande ídolo. O Serginho Chulapa um ídolo. O Zé Sérgio outro. Eu vi muito aquele SPFC do final dos anos 1970 e início dos 1980. O Careca, o melhor jogador que vi com nosso manto, mais um ídolo que acompanhei depois no Napoli do Maradona. O Dario Pereira junto a Oscar formam minha zaga titular na seleção que sempre brinco montar. No time do Cilinho de 1985 tinham vários ótimos jogadores e eu tinha 22 anos, meu auge em frequentar o Morumbi. Depois, já com 30 anos de idade, vi no campo o Bi da Libertadores e depois a terceira final seguida em 1994. Também tenho vários ídolos desta época. O Cerezo, o Leonardo, Cafú(apesar da traição de ir jogar no Palmeiras depois), Muller(igual a Cafú), Palhinha, Zetti , Raí e o mestre Telê. Gosto muito de lembrar desta época, pois eu fui morar em Jaú, interior de SP, e quando tinha jogos do time na minha região pelo paulista saia do trabalho e ia ver o super time em Bauru, Jaú, São Carlos, Piracicaba, Araraquara, Novo Horizonte…tenho ótimas lembranças. No campo ver o Cerezo era muito legal. O cara estava no campo todo o jogo inteiro armando tudo.Como se diz na gíria, sabia dos atalhos do campo.  Foi um dos grandes que vi jogar na vida.  Foi considerado o melhor da final do mundial de 1993. Um gênio da bola.

Finalmente o  grande time de 2005 até 2008. Certamente o grande ídolo desta época é o RC. O cara foi demais. Inesquecível  para mim é o jogo da final do paulista de 2000 contra o Santos com gol dele. Foi a primeira vez que vi meu time ser campeão com gol de goleiro. Eu estava no Morumbi lotado naquele dia. Neste time tinha um dos melhores volantes que vi jogar na vida, o Wagner. O cara tomava conta do meio de campo. Não é um dos meus ídolos, mas gosto de citar o cara sempre. No time do mundial tinha Lugano. Cicinho e Júnior voando. O Aloísio. A dupla de volantes inesquecível, que eu chamava de melhor jogador do Brasil. Era uma brincadeira que eu fazia quando me perguntavam qual o melhor jogador que atuava aqui. Eu respondia: O melhor é o Josué Mineiro. Pareciam um só, tamanha afinação. Mas o ídolo deste time era o RC. O goleiro artilheiro e jogador multi campeão.  Mas isso é de cada um escolher o seu em função do que sentiu como torcedor em cada época, com cada grande time que tivemos. Eu hoje citei quatro grandes épocas. Aquele time formado na segunda metade dos anos 1970 e que jogou até a virada para os anos 1980. Depois o time de 1985 que aproveitou gente do time anterior. Citei também o time mais vencedor, o do início dos anos 1990 e finalmente o time de 2005. Sou aquele torcedor afortunado que pegou estes times todos. Pude ver no campo os 6 Brasileiros e as 3 libertadores. Paulistas vi muitos, pois cada time desses citados também venceu paulistas.

Mas meu maior ídolo tricolor é o Raí, talvez por jogar naquele super time que o nosso querido SPFC ganhou a primeira libertadores, coisa que era sonho, que parecia que nunca iria ocorrer. Raí foi um jogador que com a camisa do SPFC desequilibrava os jogos. Um goleiro tem menos chances de decidir do que um meia artilheiro. São os dois maiores ídolos e merecem nosso respeito eterno.  

Salve o tricolor paulista, o clube da fé.

Carlito Sampaio Góes

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