Além das 4 linhas – O pulso ainda pulsa

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Muito se fala da quantidade de jogadores contundidos que o SPFC tem tido nesta temporada. Eu já escrevi sobre isso neste espaço aqui no SPNet, e o que faz sentido para mim é a soma de alguns fatures como falta de férias para recuperação, novo método de treinamento e falta de estrutura atualizada no clube. Existem profissionais na área de preparação e médica que não são tão bons? Isso deixo para quem entende nos explicar. Falar da falta que as férias fazem é desnecessário. Sobre novo método de preparação gosto de citar as opiniões dos jogadores, que disseram que nunca haviam treinado e jogado com tanta intensidade. E sobre a estrutura do clube isso já foi citado até pelo diretor.

Para um torcedor comum como eu, foi fácil notar a diferença que havia do time tricolor e os demais no paulista. Nosso time corria o campo todo marcando  alto sem deixar espaços. Isso gerou extremo desgaste. Como o time vinha de uma temporada também desgastante, a consequencia era óbvia e calculada. Lembram da queda brutal de rendimento na reta final do BR20? Interessante lembrar que em 2019 o clube também sofreu com contusões e depois em 2020 houve grande melhora. Quando Muricy veio para participar da reconstrução, tudo isso entrou na conta e o risco era sabido. Valeu muito a pena pelo título conquistado. No último jogo da libertadores 2021 comentei: Hoje Pablo é o quarto atacante para a posição dele, todos os demais estão contundidos, Luciano, Eder e Marquinhos. Isso fez a diferença para pior.

Eu penso que o tempo trará as melhorias que esperamos. O elenco está sendo repensado e reforçado. Inegável a melhora no nível das contratações da atual diretoria. O que a ausência de dinheiro permitiu foi feito com muita categoria. Por onde formos no clube a falta de dinheiro e a má gestão deixou sua marca. Talvez o CFA Cotia tenha sido o lugar que menos sofreu ou ainda não tenhamos recebido as notícias frescas de lá. Isso pouco importa agora, vale o novo trabalho, sejamos práticos. Olhemos pelo para brisa e não pelo retrovisor. Tudo bem, dirigir a noite não anda bom, mas lembremos que ainda trocam as lâmpadas do único farol que funciona. O clube era quase uma sucata. Eu achei a conquista do paulista sensacional. Estou satisfeito com o ano tricolor. O SPFC foi o melhor do campeonato e venceu por méritos, nossa característica maior.

Procurando olhar um pouco mais distante gosto das entrevistas de todos os profissionais do clube. Vejo seriedade. Vejo comprometimento. Vejo o momento  como o de preparação para coisas maiores que só a continuidade poderá trazer. Tem chance de título ainda este ano? Como sempre falo, chance tem, mas só se jogar com o time completo e todos em forma física e técnica, pois os adversários se prepararam para esta reta final da temporada e o SPFC não. Mas hoje sei que 2022 será melhor que  2021, assim como 21 está melhor que 20. É um bom sinal.

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Olhando ainda mais a frente, vejo o futebol brasileiro com algumas forças bem maiores que as outras e nosso SPFC precisa resolver qual o seu caminho futuro. A entrada de dinheiro aliada a uma boa gestão é o caminho obrigatório se o clube quiser voltar a ser o que sempre foi. Digamos que o clube já tenha uma boa gestão. Mas e a entrada de muito dinheiro, de onde virá? Alguns clubes faturam muito mais que o tricolor, além de outros que possuem forte parceria. Podemos melhorar a arrecadação de patrocínio na camisa, a arrecadação da bilheteria, a venda das camisas e PPV? Podemos, mas acho que isso não bastará para concorrermos em igualdade. O SPFC precisa se preparar para num futuro próximo viabilizar forte entrada de recursos financeiros. Isso poderá vir da lei do clube empresa ou de um parceiro. O fato é que como clube SPFC propriamente dito não poderá ser. Continuarmos como hoje estaremos no passado em breve, isso está ficando claro.

Talvez esta arrumada na casa seja a exigência para captar no mercado os recursos necessários para o clube dar uma forte guinada na forma como faz futebol. O SPFC vive momento de arrumação, ainda bem que com taça na bagagem.

Salve o tricolor paulista, o clube da fé no trabalho.

Carlito Sampaio Góes