Memórias Tricolor – Nossas Cores e Uniforme

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Na Coluna Memórias Tricolor desta semana, vamos contar como surgiu as cores e o uniforme Tricolor, uma homenagem aos nossos fundadores.

No dia 27 de janeiro de 1930, às 14 horas, na Praça da República número 28, sócios do Club Athlético Paulistano e da Associação Atlética das Palmeiras se reuniram para assinar a ata de fundação de um novo clube.

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Assim em data que não é precisa, se ocorreu em 25 ou 26 de janeiro de 1930, sócios e diretores de ambas as agremiações se uniram para formar um novo Clube, nascia assim o São Paulo Futebol Clube. Para data magna de fundação ficou decidido o dia 25 de janeiro, dia e mês em homenagem e referência a data de fundação da cidade de São Paulo. Alguns contam que por problemas de comunicação a reunião ocorrera somente no dia 26, outros que a reunião teve início no dia 25, mas o estatuto apenas ficou pronto no dia seguinte, e que por ser um domingo a assinatura e registro da ata de fundação somente
ocorreu no dia 27.

Mas o mais importante desta história é que surgia para a cidade de São Paulo uma nova agremiação, o São Paulo Futebol Clube. O Club Athletico Paulistano existe até os dias de hoje, na época era então o maior campeão paulista, tendo vencido por onze vezes, sendo que de 1916 a 1919 conquistou um inédito tetracampeonato, marca jamais superada por nenhum outro clube paulista até os dias de hoje. Porém a profissionalização do futebol ia contra os interesses de seus diretores que decidiram fechar o departamento de futebol.

O outrora pujante AA das Palmeiras passou vexame nos campeonatos Paulista de 1928 e 1929 com a última e penúltima colocação respectivamente. Assim, os diretores e profissionais de ambos os clubes, descontentes com os rumos do futebol à época, se uniram para a fundação da nova agremiação. O elenco seria composto pelos jogadores do Paulistano, campeões paulista de 1929, e a AA Palmeiras cederia o estádio, a Chácara da Floresta, daí o clube ser conhecido como São Paulo da Floresta.

Como já contamos em Coluna anterior, o Escudo foi desenhado pelo estilista alemão Walter Ostrich, com colaboração de um dos abnegados fundadores do novo Clube Firmiano de Morais Pinto Filho.

A primeira diretoria foi composta por:
Presidente: Edgard de Souza Aranha
Primeiro Vice-Presidente: Alberto Caldas
Segundo Vice-Presidente: Gastão Tachou
Terceiro Vice-Presidente: Benedito Montenegro
Primeiro Secretário: Luís de Oliveira Barros
Segundo Secretário: José Martins Costa
Primeiro Tesoureiro: João da Cunha Bueno
Segundo Tesoureiro: Caio Luís Pereira de Souza

O uniforme também coube a Walter Ostrich, que buscando homenagear e manter as tradições de ambos os Clubes de origem, assim, inspirou-se nas camisas do Clube Athletico Paulistano que tinha camisa e calção branco, com um cinturão vermelho, e da AA das Palmeiras que tinha o uniforme quase todo branco com uma faixa preta na altura do peito. Desta mistura, nasceu a combinação da camisa nº 1, mantida até hoje. Daquela época, a única alteração foram as meias, pois até 1944, as meias eram pretas com uma faixa
branca na parte superior, hoje são totalmente brancas.

O uniforme nº 2 surgiu dois anos mais tarde, a camisa listrada verticalmente em vermelho, branco e preto apareceu em jogo contra o Santos, em março de 1932. Essa camisa já nasceu com sorte, o Tricolor goleou o time da Vila Belmiro por 4×0. Neste jogo, o uniforme usado não contava com o brasão, somente 1 ano depois, mais precisamente em 9 de julho de 1933 é que o escudo passou a figurar na camisa Tricolor em jogo contra o time da baixada novamente e o resultado, mais uma goleada, dessa vez, 4 a 1.

O São Paulo da Floresta surgiu grande, e em seu primeiro ano conseguiu o vice-campeonato Paulista, em seu 2º ano de vida o primeiro título de Campeão Paulista em 1931, em 1932 também conquistou o Torneio Início, e pelo Paulista em 1932, 1933 e 1934 outros vice-campenatos, além de ser vice-campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1933. O mais novo Clube era um sucesso, em 5 anos estava no topo do futebol paulista, fazia jus a seus clubes de origem.

Os dirigentes então resolveram dar um passo muito grande, e então o São Paulo comprou uma nova sede, para ser a “sede social de gala”, um suntuoso edifício a Rua Conselheiro Crispiniano conhecido como Palácio “Trocadero” e então o Clube adquiriu uma dívida de 190 contos de réis, o que assustou muito dos associados. Após diversas brigas e disputas internas, em abril de 1935 alguns dirigentes resolveram fechar o departamento de futebol e fundir o clube com o Clube de Regatas Tietê, foram dias, meses de disputas.

Assim, em maio de 1935 o São Paulo da Floresta foi extinto. Um grupo de sócios indignados com a dissolução e fusão ao Tietê criaram uma nova associação o Grêmio Tricolor que somente em dezembro de 1935 fez resurgir o São Paulo Futebol Clube. O primeiro presidente foi Manoel do Carmo Mecca, a reunião presidida pelo Tenente José Porfírio da Paz a quem coube ao final o cargo de Diretor-Geral de Esportes.

Um dos objetivos dos abnegados Tricolores era de preservar e manter as glórias e tradições de outrora, e então mantiveram as cores, escudo e uniformes do antigo Clube, e assim o atual Tricolor de 16 de dezembro de 1935 vive e reina nos gramados brasileiros.

Salve o Tricolor Paulista, O Mais Querido!

Gustavo Flemming, 40 anos de amor ao SPFC, é empresário no segmento de pesquisa de mercado e consultoria em marketing, conselheiro da Associação Comercial de São Paulo – Distrital Pinheiros e escreve essa coluna na SPNet desde Maio de 2017.

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