Aidar pede provas de desvio, diz que Abílio escalava SP e que Osório mentiu

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UOL

  • Fabio Braga/Folhapress e Karime Xavier / Folhapress

    Leco (à esq.) deve substituir Carlos Miguel Aidar

    Leco (à esq.) deve substituir Carlos Miguel Aidar

Pouco menos de 15 dias depois de renunciar ao cargo de presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar veio a público pela primeira vez para fazer desafios aos que o acusam de desviar dinheiro do São Paulo. Ele negou que sua namorada, Cinira Maturana, tenha recebido comissões em negócios no clube.

O ex-dirigente ainda comentou o fato de ter sido gravado pelo então vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro. Segundo Aidar, a gravação mostrará que ele estava disposto a ajudar Ataíde com dinheiro do próprio bolso.

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“O estopim (da renúncia) foi a existência de uma gravação que até agora eu não ouvi. E não lembro exatamente o que eu falei. Mas é muito frustrante ter um amigo que leva um gravador escondido”, afirmou o são-paulino ao jornal O Estado de S. Paulo.

“Se ele não mostrar (a gravação) vai ficar complicado. Não lembro exatamente as palavras, mas lembro alguma das coisas”, explicou. “O importante é que eu quis ajudar um amigo (Ataíde). Eu sabia, até porque ele não havia escondido, que não estava em uma situação confortável. Quis ajudar um amigo, que, aos 70 e tantos anos, está em uma situação desconfortável. Eu ia ajudar do meu bolso. Arrumei uma história para não deixa-lo constrangido. Inventei que ele receberia em forma de honorários”, completou.

Aidar relembrou o episódio da briga que teve com Ataíde em um hotel, mas disse que a discussão não acabou em agressão por pouco e disse que não tomou um soco. Segundo ele, o entrevero começou na discussão sobre a controversa contratação de Iago Maidana, que pode acabar até em rebaixamento são-paulino.

Entre outras denúncias, o ex-presidente tricolor desafia e pede provas. Ele jura inocência. “Eu quero que seja apurado tudo. Faço questão que se faça uma auditoria. Isso é muito importante para o São Paulo e, obviamente, para mim. Meu sigilo fiscal, bancário e telefônico estão todos liberados para quem quiser a hora que quiser. Não tenho nada a esconder. Achou irregularidade? Acusa quem praticou. Não vai me achar. Não pratiquei nada”, completou.

Carlos Miguel ainda acusou Abílio Diniz, um dos empresários mais importantes do país e membro do Conselho Consultivo do São Paulo, de ligar durante os jogos para Milton Cruz, auxiliar fixo do clube, para fazer alterações na equipe de Juan Carlos Osório.

O colombiano, aliás, foi eleito por ele como uma das grandes decepções de sua passagem pelo Morumbi.

“Ele (Osório) ficou um mês fazendo proselitismo que queria ir para uma seleção. Deveria ter dito logo. Não ficava criando esse ambiente. Para mim, ele nunca falou que tinha o sonho de dirigir uma seleção. Ele poderia ter dito antes. Eu tinha certeza que ia embora. Ele mentiu para a gente que estava procurando apartamento, mas não saía do flat”, afirmou.

“Quando eu assumi, proibi a comissão técnica de ir de celular para o banco de reservas. O Abílio ligava durante o jogo para o banco para colocar jogador, telefonava para o Milton para mudar o estilo de jogo. Quando me tornei presidente, ia ao vestiário e pedia para deixarem o celular lá antes de ir para o campo. Durante o jogo ele ligava. Era sabido, corriqueiro”, completou.

Aidar deixou o cargo e prometeu nunca mais voltar. Seu sucessor será definido nesta terça-feira (27), entre o favorito Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e o oposicionista Newton Ferreira.