Nesta quarta-feira, Diego Lugano e Diego Aguirre estarão em lados opostos no Morumbi, no primeiro duelo entre São Paulo e Atlético-MG pelas quartas de final da Libertadores da América, com transmissão ao vivo do SporTV às 21h30. Mas, 14 anos atrás, eles estavam juntos começando suas trajetórias, um em campo e outro à beira dele. No clube uruguaio Plaza Colonia, os conterrâneos se conheceram, se tornaram amigos e iniciaram uma história de admiração e ajuda (assista ao vídeo).
– Nos demos muito bem, chegamos a ser vice-campeões uruguaios. Ele me via como futuro capitão da seleção uruguaia, me via jogando possíveis mundiais, e eu, com 20 anos, pensava: esse cara está “zoando” com a minha cara – se diverte Lugano ao relembrar o início da relação com o hoje técnico do Galo.
Mas não era brincadeira. Aguirre queria ver Lugano logo alcançar o sucesso. O bom relacionamento com o São Paulo, clube onde o técnico atuou nos anos 90, foi uma porta de entrada para o hoje ídolo e zagueiro tricolor.
– Desde os primeiros treinos dava para ver essa coisa que ele tem, essa voz de comando. O São Paulo o comprou do Nacional (que o tinha emprestado ao Plaza Colonia) e o levou, e foi quando começou essa história maravilhosa – lembra Aguirre, citando a transação feita no início de 2003.
A história no Tricolor paulista foi recheada de conquistas, títulos e idolatria. Lugano foi campeão brasileiro, da Libertadores e do mundo pelo São Paulo. Após sair em agosto de 2006 para o clube turco Fenerbahce e voltar nesse ano à Barra Funda, o “Dios”, como é chamado pela torcida, reconhece a ajuda do treinador.
– Ele me deu um empurrão definitivo, decisivo na minha vida, e o melhor de tudo isso é que ele nunca falou para mim, fiquei sabendo de tudo depois – disse o jogador.
Nas entrelinhas dessa indicação tem também uma história de rivalidade. Depois que saíram do Plaza Colonia, Diego Aguirre foi ser treinador do Peñarol, e Diego Lugano seria jogador do rival Nacional, então dono do seu passe.
– Já que não podia fortalecer o meu time, tinha que enfraquecer o rival, e sabia o que ele significava. Era melhor que ele jogasse em outro time que não fosse o meu rival – admitiu Aguirre.
E quis o destino que os dois fossem se enfrentar justamente num jogo decisivo de Libertadores. Uma certeza é que um Diego vai passar.
– Certeza absoluta (disso). Tomara que seja eu e o Atlético-MG, mas o importante é que seja um bom jogo – concluiu o treinador uruguaio.
– Infelizmente, como acontece no futebol, minha alegria vai ser a tristeza dele, ou a alegria dele vai ser a minha tristeza – completou Lugano.
Lugano, aliás, é uma das novidades na lista de relacionados pelo técnico argentino Edgardo Bauza. Ele volta a ficar à disposição após 23 dias depois de se machucar na derrota por 4 a 1 para o Audax, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. A expectativa é que o jogador inicia o jogo no banco de reservas.
Se a bosta velha Velhugano jogar ou entrar durante a partida, o vencedor será o Aguirre
Lugano nunca será esquecido assim como Darío Pereyra, Pedro Rocha e todo uruguaio que sempre veste com honra a camisa tricolor. A torcida nunca se esquecerá.