Pratto fala da má fase do São Paulo, da melhor geração argentina e de como Batman o inspirou a comprar carro

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Bruno Grossi e José Eduardo Martins

O São Paulo investiu mais de R$ 20 milhões para que Lucas Pratto virasse a maior referência no elenco nesta temporada. Artilheiro, personificação do modelo de atleta ideal perseguido por dirigentes há anos, ele é líder fora de campo e capitão na maioria dos jogos.

Com o Tricolor em crise, brigando contra o rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o argentino reconhece que suas atribuições são cada vez mais importantes, mas lembra que cada peça do elenco são-paulino tem obrigações e responsabilidades diante de um clube tão grande.

“Jogador sempre tem responsabilidade, seja futebolística ou emocional. Às vezes, você pode concordar ou não com um treinador. Muitas vezes eu discordei. Mas em campo fazia meu melhor e o que treinador queria. Normalmente, é culpa dos jogadores quando um treinador é demitido.  A responsabilidade é sempre nossa, só temos de ver os fatores que levaram a isso”.

Foi nesse clima que o UOL falou com Pratto. Em uma conversa franca, o argentino comentou a fase do time, disse que o elenco precisa mostrar que “tem colhões” e analisou suas chances na seleção da Argentina e o começo de carreira. Confira!

Marcello Zambrana/AGIF Marcello Zambrana/AGIF

As recentes crises são-paulinas costumam vir acompanhadas de um coro da torcida: “Raça! Raça!”. Neste ano, nem mesmo a presença na zona de rebaixamento resgatou o grito. Os torcedores têm reconhecido o espírito de luta dos jogadores até mesmo em tropeços em casa, como contra Grêmio e Coritiba. Pratto explica o fenômeno.

“Todo time tem colhão. Só que tem que encontrar o caráter e o momento. Tem momento que você faz tudo errado e ganha com colhão, com caráter, com mentalidade. Você precisa de um jogo para isso”.

“Nosso exemplo é contra o Botafogo. Foi uma mostra de que você pode acreditar em você, de que tem algo dentro que pode ir para fora. Acho que esse tipo de jogo faz a gente confiar até o último momento, faz saber você que, fora a parte técnica, tem condições mentais para ganhar”. Contra o time carioca, o São Paulo venceu nos últimos minutos após estar perdendo por 3 a 1.

Marcello Fim/Estadão Conteúdo Marcello Fim/Estadão Conteúdo

Pode sofrer ao jogar isolado no ataque, com poucas chances de tabelas ou finalizações. São ossos do ofício de centroavante, mas que não enfraquece a obsessão do argentino por um maior senso coletivo entre os jogadores.

“Quando eu acho que joguei mal, deixo o sangue no campo, o coração no campo. E eu espero que os meus companheiros façam a mesma coisa. Então, fico um pouco bravo porque sinto que algum jogador está jogando mal e não está tentando dar a volta por cima, entendeu? Futebol é isso. Fica tudo mais fácil se a gente se une como um grupo e coletivamente. Precisamos do coletivo”.

A coletividade anda junto com a humildade para reconhecer e superar problemas e obstáculos. Algo comum para quem iniciou a carreira cercado pela pressão de um clube como o Boca Juniors e precisou jogar até na Noruega para manter vivo o sonho de vencer no futebol. “Sempre tive o mesmo jeito de pensar. Há coisas que você pode resolver sozinho, Mas aqui, em nível de trabalho, eu sempre necessito de uma decisão consensual. Você toma todas as decisões em conjunto”.

Ronny Santos/Folhapress) Ronny Santos/Folhapress)
Ale Cabral/AGIF Ale Cabral/AGIF

Pratto sabe que jogar em um grande clube, ainda mais com o status de estrela que trouxe em sua contratação, traz responsabilidades. Mas não esconde que está aliviado por compartilhar o protagonismo no São Paulo. Quando chegou, lideranças custavam a se manifestar. Hoje, com mais uma forçada reformulação de elenco, há mais vozes ativas no elenco.

“Aliviou o clube todo, né? Obviamente a chegada de Hernanes e Petros tem mais importância porque são jogadores titulares. Petros é mais de falar. O Hernanes é um líder futebolístico, que assume a responsabilidade jogando. Assim como o Cueva, de quem precisávamos muito. E ele está voltando a ser o camisa 10 que precisamos”.

Pratto ainda faz questão de citar lideranças escondidas no grupo, como o silencioso Jucilei e os reservas Sidão e Lugano: “Depois da renovação, Diego está mais tranquilo para focar apenas no grupo. Jucilei não fala muito, mas é um exemplo importante, assim como Sidão e outros que não jogam sempre”.

  • Lugano

    Ídolo da torcida, aparece para jogar nos momentos mais críticos e circula entre jovens e reservas para tentar motivá-los.

    Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

  • Petros

    Titular desde a estreia, assumiu a palavra em preleções, discursos motivacionais e entrevistas.

    Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

  • Rodrigo Caio

    Outro que toma a frente em entrevistas mesmo em fases complicadas. O clube o trata como exemplo.

    Imagem: NEWTON MENEZES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

  • Jucilei

    É tratado como espelho pela dedicação com que treina e joga. Também tem carinho especial da torcida.

    Imagem: Maurício Rummens/Estadão Conteúdo

  • Sidão

    Quase sempre cercado dos mais jovens, aposta em frases motivacionais e em bom humor para melhorar o ambiente.

    Imagem: Ronny Santos/Folhapress

Marcello Zambrana/AGIF Marcello Zambrana/AGIF

Dorival Júnior

Temos uma postura diferente em campo. Às vezes, a confiança estava muito baixa e o time não conseguia dar, no campo, o mesmo que mostramos nos primeiros meses com o Rogério. Com o Dorival, a postura é diferente, a forma de jogo que ele quer está bem clara. É um time ofensivo, com laterais praticamente na linha de frente, sempre tentando ganhar a segunda a bola. Com Hernanes e Cueva, a postura é de um jogo mais interno, de troca de passes, obviamente ainda ofensivo. Então, acho que estamos encontrando a forma de jogar e com bons resultados. Em pouco tempo de trabalho, o mais importante é conseguir se adaptar rapidamente. Acho que estamos conseguindo“.

Marcello Zambrana/AGIF Marcello Zambrana/AGIF

Rogério Ceni

Falamos um dia depois que ele foi demitido. Ele agradeceu pessoalmente. Eu também agradeci pela confiança. Foi um dos que mais lutou para que o São Paulo fizesse uma força grande para trazer. Mas depois disso, não conversei mais. Ele sabe que eu o admiro muito como profissional e como pessoa. Ninguém gosta de ver um treinador demitido, ainda mais porque nós, jogadores, sabemos que somos responsáveis. Nos últimos jogos com o Rogério, não conseguimos fazer o que ele queria. Era claro: na primeira etapa, a gente jogava muito bem, mas depois não conseguia fazer o que ele queria. Acho que faltou confiança. Ou saía tudo muito bem no primeiro tempo ou muito mal no segundo“.

Marcello Zambrana/AGIF Marcello Zambrana/AGIF

A chegada de Hernanes fez com que Dorival Júnior pudesse ser mais contundente no desejo de ter Pratto mais fixo na área. Com a confiança do time em baixa e Cueva em má fase, o centroavante se acostumou a sair para buscar o jogo. Tanto para dar alternativas de passe, quanto para abrir buracos na defesa rival. Agora, Hernanes e Cueva centralizam as jogadas e Pratto pode se preservar para arrancar para o gol.

“O treinador está tentando que o time fique mais perto da área. Não quer que eu saia muito para não tirar espaço. Antes, eu tinha que sair. Hoje, estamos melhor posicionados. Hernanes e Cueva são os caras que precisam armar. Eu só tenho que esperar que a bola chegue”, explica.

“Obviamente falta entrosamento. Hernanes está chegando e o trabalho do treinador está começando. Às vezes fico sem participar muito e não gosto. Quem me conhece sabe que gosto de correr, tocar na bola. Mas vou me acostumar e vai ficar mais fácil”.

Paulo Pinto / saopaulofc.net Paulo Pinto / saopaulofc.net

Em qualquer parte do mundo, um time grande nas últimas posições leva 10 mil ao estádio. Nossa média é de 30 mil pessoas, é algo fantástico

Sobre a média de público no Brasileirão

Com esse apoio da torcida, o jogador tira força de onde não tem para dar a volta por cima. Com eles, podemos virar o jogo para sair dessa situação

Mostrando confiança contra o rebaixamento

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Pratto não é ingênuo. Conhece o dinâmico mundo do futebol, sabe que pode deixar de ser xodó para ser vilão da torcida rapidamente. O apreço que tem da diretoria e da comissão técnica também pode ser efêmero. Mas, aos 29 anos, acredita que pode ter vida longa no São Paulo.

“Não sou de sair de clube em seis meses, um ano. Se chegar uma proposta, não é uma decisão só minha. O treinador pode querer uma coisa, o presidente querer outra. Quando vim para o São Paulo, decidi sair para um clube que podia me oferecer uma continuidade maior, um clube muito grande e uma vitrine boa para todo o mundo. Hoje, você fala: ‘Lucas, você se vê no São Paulo daqui seis meses, um ano?’. Sim, me vejo no São Paulo. Minha ideia é cumprir os quatro anos de contrato. Só se alguém quiser me mandar embora”, analisa, sorrindo.

É muito fácil prometer ficar a vida inteira aqui. Sempre falo do Totti, que muitas vezes se fala que nunca traiu a Roma. Se você fala para mim que vou chegar à Roma, um sonho, e vou ficar a vida inteira, 20 anos como titular, eu também fico toda a vida. Messi, ídolo a vida toda no Barcelona, vai mudar por quê?

Sobre o lado bom de não trocar de clube

É preciso ver o outro lado. Tem jogador que não vai ter a vida feita se jogar o tempo todo, por exemplo, no Avaí. Ao se se aposentar, terá de trabalhar. Hoje, estou feliz, esportivamente e economicamente. Mas se chega um treinador que não gosta de mim ou se jogo dez de 40 jogos no ano, isso muda

E os riscos dessa decisão

Pratto aprendeu vivendo isso na pele. É esse experiência que o faz não se arrepender da troca do Atlético-MG pelo São Paulo, mesmo enfrentando fase tão conturbada. “Cada vez que tomo uma decisão, é com 100% de certeza. Depois de sete meses, mantenho a mesma coisa. O Atlético começou mal, agora está mais ou menos, mas logo vai levantar. São Paulo a mesma coisa, com muitas mudanças. Agora, estamos conseguindo manter uma forma de trabalho, uma base, e temos muito a melhorar”.

Natacha Pisarenko/AP Natacha Pisarenko/AP

O bom desempenho no futebol brasileiro, principalmente pelo Atlético-MG, levou Pratto para a seleção da Argentina. Até aqui, foram cinco jogos nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, com dois gols marcados. Pelo rendimento, o centroavante acredita ter chances de disputar o Mundial na Rússia.

“A perspectiva pelo que fiz quando fui à seleção é alta. Mas eu preciso manter um bom nível aqui. É bom que o São Paulo esteja bem para que os jogadores, individualmente, sejam valorizados”.

Essa necessidade de crescimento do Tricolor aumentou depois que o comando da seleção saiu das mãos de Edgardo Bauza, um fã, e passou para Jorge Sampaoli. “Quase fui para o Sevilla com o Sampaoli no ano passado, mas o Sevilla não estava disposto a pagar o que o Atlético-MG pediu. Agora é trabalhar. Na primeira convocação, por mais que fossem amistosos, era importante pela estreia do treinador. E ele não me chamou”.

AFP/Eitan Abramovich AFP/Eitan Abramovich

Dos cinco jogos disputados pela seleção argentina, Pratto fez somente dois ao lado de Lionel Messi. Ainda foi coroado com uma assistência do astro do Barcelona na vitória por 3 a 0 sobre a Colômbia, em novembro do ano passado.

“Foi a melhor coisa que me aconteceu na vida futebolística. É muito fácil jogar com Leo. É um cara que você tem ao lado e sabe que ele vai te deixar de cara ao gol a qualquer momento. Um cara que vai te usar, mesmo sem tocar na bola, para fazer um gol. Estar ao lado do melhor do mundo é o melhor que pode acontecer a um jogador. E, graças a Deus, sou argentino e tive a possibilidade de jogar com ele”.

  • Mauro Zárate e Facundo Ferreyra

    Mauro Zárate já havia se destacado pela Lazio e fracassado na Internazionale quando retornou ao Vélez para atuar com Pratto em 2013, fazendo 19 gols em 36 jogos. Hoje está lesionado no Watford, da Inglaterra. Ferreyra completava o trio com Pratto e fez 17 gols em 26 partidas entre 2012 e 2013. Está no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, há quatro anos e passou emprestado pelo Newcastle.

    Imagem: Enrique Marcarian/REUTERS

  • Robinho e Fred

    Dois dos principais astros do futebol brasileiro nos últimos anos. Reforçaram o Atlético-MG na temporada passada, quando Pratto já estava nas graças da torcida. Superou período de adaptação do time para novo esquema com a dupla, mas conseguiu bom entrosamento. Juntos, somaram 56 gols para o Galo em 2016.

    Imagem: Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro

  • Cueva

    No São Paulo, Pratto aposta suas fichas no meia peruano. Cueva deu apenas uma assistência para o argentino, em vitória por 1 a 0 sobre o Vasco. Mas, juntos, participaram de 27 dos 67 gols do Tricolor na temporada.

    Imagem: Luciano Belford/AGIF

Os dois, não posso escolher, sou argentino. É muito difícil. Maradona foi o melhor jogador da história até a década de 1990. De 2005 para frente, é Leo. São diferentes, ganharam tudo, mas Diego ganhou com a seleção muita coisa importante, Leo também ganhou muito e levou a seleção a uma final depois de 20 anos

Sem escolher quem é melhor

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Antes dos jogos, toca rock’n’roll nos alto-falantes do Morumbi. Rogério Ceni é fã do gênero. E não faltam músicos são-paulinos fanáticos.  No São Paulo, Pratto encontrou um pouco da vibe roqueira que marcou sua infância e adolescência, na cidade de La Plata, na Argentina.

“Na Argentina, a cultura do rock é muito grande. Mas aqui só Jonatan Gómez gosta. A cidade dele e a minha são  historicamente ligadas ao rock. Rosário e La Plata. Se é de Rosario ou La Plata, você sabe que a chance de escutar rock é de 50%. Eu ouço grupos como La Renga, Indio Solari. Internacionalmente, ouço Red Hot, AC/DC, Rolling Stones”.

O gosto pelas guitarras elétricas, porém, é restrito aos fones de ouvido quando chega ao vestiário: ao lado dos companheiros, ele escuta o que os outros querem. “Não quero impor o rock. No ônibus, indo para um jogo, coloco um fone. Aí, no vestiário, escuto a música de todos. Não tenho problema. Não é porque escuto rock e você coloca um reggaeton que eu fico bravo. O Buffarini é muito meu amigo e escuta essas coisas”.

Comecei a tocar bateria no ano passado, fiz algumas aulas, mas o horário é complicado, com jogo a cada três dias, viagens… Era um pouco bagunçado. Tenho vontade de retomar, mas quando tiver mais tempo

Sobre a nova paixão

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Roberto Seba / Folhapress Roberto Seba / Folhapress

Morar em São Paulo também ajudou Pratto a encontrar outras memórias argentinas. A capital paulista tem vasta opção de restaurantes especializados na culinária de seu país – que ele aproveita com os companheiros. “Há dois ou três lugares argentinos para comer que são realmente muito bons. Levei até o Marcinho uma vez. Mas como ele gostava de sair com o Chávez, me afastei um pouco. O Chávez pode ficar com ciúmes (risos)”, brinca.

“O Marcinho é um bom companheiro porque também mora sozinho. Como está solteiro, saímos às vezes para jantar. Ele gosta de experimentar a comida argentina, como empanadas, churrasco. Quando dá um tempinho, a gente sai para jantar”.

A vida de solteiro gera mais tempo para encontros com os amigos e torna cada visita da família, incluindo uma filha que o prendeu por horas em disputa de pênaltis no CT da Barra Funda há duas semanas, mais festejada.

“Sempre fui muito independente, talvez por morar sozinho desde muito novo. Com o passar dos anos você vai cometendo erros. Já errei muito. Hoje, estou muito mais tranquilo e só penso em jogar futebol e descansar. Procurei um lugar em que tivesse opções para comer e sair próximas”.

  • Corrientes 348

    Casa do “asado”, o churrasco argentino. É uma rede de restaurantes com preço salgado, com unidades em Higienópolis, nos Jardins e na Vila Olímpia.

    Imagem: Divulgação

  • La Guapa

    Café no estilo argentino, que tem como especialidade as empanadas. Fica no Itaim Bibi e tem como uma das sócias Paola Carosella (foto acima), jurada do programa “Masterchef”, da Band.

    Imagem: Divulgação/Jason Lowe

Quando está em busca de bons restaurantes, Pratto tem outra paixão: o cinema. O artilheiro gosta tanto de duas franquias que até a escolha de seus carros teve influência cinematográficas: os filmes do Batman e da série Velozes e Furiosos estão diretamente ligados à escolha por de um Dodge Charger e um Ford Mustang.

“Sempre gostei desse tipo de carro, sempre. Falava que quando tivesse dinheiro ia comprar um. Gosto desse (Charger) e do Mustang. Na Argentina não consegui, tinha que trazer de fora, gastar muito dinheiro. Em Belo Horizonte, passei quase dois anos pesquisando, consegui o Mustang, mas não o do meu gosto. Antes de vir para o São Paulo, achei um cara que vendia o Dodge. Era a oportunidade, ainda mais que era do interior de São Paulo. O cara mandou diretamente para aqui e eu comprei”.

Juan Mabromata/AFP Juan Mabromata/AFP

Pratto respira futebol. Treina, concentra, viaja, joga, simula no videogame, conversa com os amigos, assiste na televisão e se arrisca até no primo americano do esporte. Mas, nos últimos anos, passou a se interessar também por política. Achou necessário entrar no tema diante das dificuldades enfrentas por Brasil e Argentina. “Na Argentina, até 2003, quando entrou o Nestor Kirchner (como presidente), tinha perdido um pouco o gosto pela política. Mas, agora, eles politizaram todo mundo de novo “.

“A verdade é que vivemos uma vida diferente como jogador. Economicamente, só vamos entender quando nos aposentarmos, ao ver o resultado dos investimentos que fizemos. A Argentina, por exemplo, está muito mal economicamente, pior que o Brasil. Não é de agora, é de 40 anos. Falar, hoje, quem é o culpado é falar que foi o mandato anterior, e o anterior, e o anterior… Não gosto do presidente que está hoje (Mauricio Macri) e nem gostava dos Kirchner (Nestor e a sucessora Cristina, que governaram o país entre 2003 e 2015)”.

Para o atacante, os extremismos envenenaram os debates políticos e trazem apenas prejuízos para o povo. Por isso, teme as consequências da eleição legislativa que acontecerá na Argentina em 22 de outubro, quando mais da metade dos deputados será trocada.

“Tem sempre que haver um equilíbrio. Como falei, em um grupo de futebol, você precisa entrar em consenso em tudo e com todos, mesmo que suas ideias não sejam tomadas. E na política argentina vejo que está igual. Ou é A ou é B. Ou é branco ou é preto. Mas as coisas não são assim. Macri não gosta de Kirchner, então não conversam. Agora, tem a eleição de deputados. Se ganha a oposição, vai começar a merda de novo. É difícil”.