Análise: estilo de Fernando Diniz aparece no São Paulo, mas sem eficácia para furar defesa do Bahia

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GloboEsporte

Eduardo Rodrigues 

Passes, jogadas com goleiro, posse de bola… Tricolor demonstra repertório, mas fica no empate sem gols com o Bahia, na última quarta-feira, pela Brasileirão.

O estilo de Fernando Diniz apareceu de forma mais contundente pela primeira vez no São Paulo na última quarta-feira, no empate com o Bahia, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.

As inúmeras trocas de passes, a posse de bola de 61% e as jogadas iniciadas nos pés do goleiro Tiago Volpi, porém, não foram suficientes para furar a defesa do Bahia.

Diniz surpreendeu na escalação ao iniciar a partida com Alexandre Pato e Liziero nos lugares dos convocados Antony e Daniel Alves, respectivamente.

A ideia era ter um time um pouco mais defensivo sem perder a velocidade.

O começo foi empolgante. O Tricolor conseguiu trocar bons passes, fazer boas tabelas e em determinados ataques congestionou a área e a entrada dela com os volantes e meias dando opções.

Na imagem abaixo, Reinaldo está com a bola, Tchê Tchê se projeta para entrar na área, enquanto Liziero está pela esquerda, desmarcado, pronto para receber o passe. Pablo e Pato dentro da área e Hernanes na entrada da área também era mais uma opção pelo meio. São seis jogadores após a intermediária.

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São Paulo congestiona ataque do Bahia — Foto: Reprodução

São Paulo congestiona ataque do Bahia — Foto: Reprodução

Jogo com o goleiro e muitos passes

No estilo de jogo de Fernando Diniz não pode faltar uma jogada: a saída de bola com os goleiros. Nas equipes treinadas pelo treinador, goleiro tem que saber jogar com os pés.

E foi o que Tiago Volpi fez em muitas oportunidades.

Tiago Volpi analisa o empate do São Paulo com o Bahia e fala do estilo de Fernando Diniz

Tiago Volpi analisa o empate do São Paulo com o Bahia e fala do estilo de Fernando Diniz

Ainda com cinco minutos de jogo, Volpi saiu jogando com Bruno Alves, que acionou o companheiro de zaga Anderson Martins e a marcação do Bahia avançou. Liziero e Luan, então apareceram para criar mais opções de passes. A ideia com isso é quebrar a primeira linha de marcação do adversário.

A jogada não surtiu tanto resultado, mas o Tricolor trocou 22 passes sem que o Bahia tocasse na bola (veja no vídeo abaixo).

À la Fernando Diniz: São Paulo troca 22 passes no campo de defesa contra o Bahia

À la Fernando Diniz: São Paulo troca 22 passes no campo de defesa contra o Bahia

Mas o que não deu certo?

Além dos três problemas físicos que obrigaram Fernando Diniz a queimar as três substituições, o São Paulo não foi objetivo ao chegar na entrada da área. Os passes dos laterais e dos meias que se aproximavam da região não foram efetivos, e o time passou a ficar previsível.

Os chutes de fora da área também foram pouco explorados. A equipe deixou o campo com apenas uma finalização no alvo e sete para fora. Hernanes, um dos melhores finalizadores do elenco, arriscou um único chute.

– Vamos evoluir pouco a pouco. De treinos tivemos quatro ou cinco táticos. Estamos tomando cuidado com a carga. Tivemos de treinar um pouco o time para jogar como está jogando – disse Diniz ao fim do jogo.

Em contrapartida, a parte defensiva foi um ponto positivo. O São Paulo conseguiu anular bem a equipe baiana e pouco sofreu com contra-ataques e investidas com os pontas rápidos. Nos três jogos de Fernando Diniz no comando, o Tricolor só foi vazado em uma ocasião.

Jogadores do São Paulo reunidos antes de a bola rolar na Fonte Nova — Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net