Cartolas pedem calma e esvaziam ideia de votar clube-empresa em outubro

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Leo Burlá

Em reunião realizada na tarde de hoje (3), na sede da Confederação Brasileira de Futebol, presidentes de clubes do futebol brasileiro se reuniram para debater o projeto que prevê a criação do clube-empresa. Estiveram presentes representantes de Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Palmeiras e São Paulo, dentre outros de todas as divisões do Campeonato Brasileiro. O consenso entre os presentes é que a ideia não se sustenta na forma como está posta. A mensagem pública é a de aumentar o debate, mas a realidade é que a ampla maioria não deseja fazer essa “conversão”.

Thais Magalhães/CBF

Em meio ao debate, há o componente político. Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal, quer votar já em outubro o Projeto de Lei. Só assim seria possível escapar das novas regras previdenciárias que impediriam o parcelamento das dívidas. “Por que essa urgência? Por que agora resolverem que tem que salvar os clubes? O que a gente observa é que a maioria dos clubes, especialmente os grandes, não tem a intenção de virar empresa. A discussão veio de fora para dentro”, disse Alexandre Campello, presidente do Vasco e da Comissão Nacional de Clubes.

A proposta que está sendo articulada em Brasília prevê uma ajuda para as agremiações com problemas financeiros graves,que teriam renegociação da dívida fiscal e condições mais camaradas saldar quitar débitos privados. Dentre outras benesses, poderiam entrar em processo de recuperação judicial, mas desde que deixassem de ser associações sem fim lucrativo. A medida, contudo, resultaria em mais tributos. “O consenso é de que há uma insegurança grande nas alterações da parte trabalhista, de isenção fiscal e recuperação judicial. Queremos que seja mais amplamente discutido. As culturas são diferentes. Nossa cultura não é a da arrecadação, que é como funciona nos Estados Unidos.

Ao fim do encontro, os presentes divulgaram uma carta na qual falaram sobre “dúvidas e itens de sensibilidade”. Os clubes defenderam que haja uma “revisão na Lei Pelé e a possibilidade da criação de um estatuto único do futebol”. Confira a íntegra do comunicado:

Leo Burlá / UOL