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Eduardo Rodrigues
Jorge Luis viajou de Joinville à capital paulista para orientar o meia de 20 anos no momento em que a torcida pedia sua saída do time titular de Fernando Diniz.
A ascensão de Gabriel Sara no elenco profissional do São Paulo em 2020 passa muito pela insistência e aposta do técnico Fernando Diniz, principalmente após as duras críticas sobre o jogador. Mas uma outra figura teve papel fundamental nessa reviravolta: Jorge Luis, pai de Sara.
Nesta quarta-feira, inclusive, o pai do jogador estará na torcida pela classificação do Tricolor às semifinais da Copa do Brasil. Depois de vencer o Flamengo no jogo de ida, no Maracanã, por 2 a 1, o São Paulo joga pelo empate nesta quarta-feira, no Morumbi, às 21h30.
Ex-jogador profissional, com passagem pelo Joinville em 1995, Jorge Luis sempre foi o grande incentivador/treinador de Gabriel Sara. No momento mais difícil da ainda curta carreira do meia, quando foi perseguido por parte da torcida, não poderia ser diferente.
Gabriel Sara, do São Paulo, e seu pai, Jorge Luis — Foto: Arquivo pessoal
Logo que passou a ser titular, na quinta rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Sport, Sara teve de conviver com críticas e xingamentos de parte da torcida. A cada oscilação ou partida ruim, a irritação dos torcedores aumentava. Muitos pediam o retorno de Sara para o banco de reservas.
– Eu acompanhei esse momento… Na mesma hora, eu juntei a família toda, peguei o carro e fui para São Paulo ficar com ele. Ele teve uma contusão que não foi fácil, fez cirurgia (no quinto metatarso do pé esquerdo). Ele estava inseguro. Então tivemos uma conversa bem esclarecedora, bacana. Meus filhos sabem que quando erram, eu chamo a atenção deles, seja quem for. A partir dali ele começou a pegar a confiança. Era o que faltava pra ele. Ele ficava inseguro, com medo da lesão – disse Jorge Luis, que mora em Joinville, Santa Catarina.
– Eu sempre fui muito sincero. Pegava ele, mostrava a críticas e falava: “Só tem um jeito de reverter isso: jogando futebol. Fazer o que você sabe. Ninguém chega aos profissionais do São Paulo se não sabe jogar bola. Ninguém vai usar a 10 no sub-20 do São Paulo e ser pretendido pelo Barcelona se não souber jogar bola”. A gente foi conversando e agora as coisas estão caminhando – acrescentou.
E realmente agora Gabriel Sara vive um momento especial pelo São Paulo. Após marcar dois gols contra o Santos, pela 10ª rodada do Brasileirão, o jogo virou para o meia. De duramente criticado, ele passou a ser visto com outros olhos. A qualidade na batida de bola e inteligência dentro de campo credenciaram o jovem como um dos principais jogadores do elenco.
Mas se engana quem pensa que o pai, Jorge Luis, está satisfeito com esse momento. Mesmo morando em outro estado, ele não deixa Gabriel Sara entrar na zona de conforto. Diariamente tem “puxão de orelha” à distância.
– Ele tem um pai chato. Falo que hoje ele tem que ser melhor do que ontem. E amanhã tem que ser melhor do que hoje. Se você pegar o Whatsapp dele é todo dia mensagem que mando. O que passou, passou. Às vezes eu tenho até dó dele (risos). Porque a gente sabe que o futebol é feito de alegrias e de tristezas. Olha quantas milhares de pessoas ele está representando. Uma torcida linda, bonita como a do São Paulo. Olha a responsabilidade na vida dele. Então ele tem que procurar fazer da melhor maneira possível – falou.
Com o gol marcado no último sábado, na vitória sobre o Fortaleza, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, Sara chegou aos cinco gols na temporada. O gol foi de falta, a principal qualidade de Gabriel Sara, segundo Jorge Luis:
– Nas oportunidades que ele tiver (de falta), eu te garanto que vai incomodar o goleiro. Vai fazer o gol, vai colocar na trave. Dificilmente vai fora.
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“Sempre quis o São Paulo”
O sonho de Jorge Luis sempre foi que seus três filhos (Gabriel, João e Samuel) se tornassem jogadores de futebol. Mais do que isso: ele queria que o São Paulo fosse o destino de algum deles.
João não teve muitas oportunidades no futebol e foi para o ramo da música. Samuel, aos 19 anos, ainda não desistiu de se tornar profissional. Já Gabriel, o Sara, conseguiu realizar os dois sonhos do pai. E o desejo de Jorge Luis em ter um filho no São Paulo é especialmente por um jogador:
– Sempre admirei muito o São Paulo pelos times que fez. Mas tinha um jogador em especial que eu queria que meu filho fosse jogador por causa dele: o Pita. Na época em que eu via o Pita jogar ficava com os olhos radiantes – contou.
Gabriel Sara, do São Paulo, no seu início no futsal — Foto: Arquivo Pessoal
Para que isso fosse concretizado, a família recusou propostas do Fluminense e do Coritiba, quando ele ainda estava nas fases de testes, aos 11 anos. Já consolidado na base do São Paulo, onde chegou em 2014, recusou o assédio do Barcelona.
– O Gabriel poderia ter ido embora no ano em que estava para renovar contrato (em 2018), porque apareceu uma proposta do Barcelona, bem maior do que a do São Paulo. Ele não quis, porque queria jogar no São Paulo e fazer o nome dele lá – afirmou o pai.
Desde os 12 anos no Tricolor, Gabriel Sara hoje sente cada derrota e eliminação. Segundo Jorge Luis, na queda para o Lanús, na Copa Sul-Americana, o garoto chegou em casa e desabou. Precisou ser consolado pelos pais, que são seu porto seguro.
Nesta quarta-feira, Sara quer chegar em casa e sorrir após conquistar a classificação na Copa do Brasil. Às 21h30, o São Paulo entra em campo para enfrentar o Flamengo, pelas quartas de final, no Morumbi, com a vantagem de 2 a 1 no placar.
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