Por que tantos jogadores famosos estão trocando China pelo Brasil em 2021?

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UOL

Rafael Reis

Hulk desembarcou no Atlético-MG no finalzinho de janeiro. O zagueiro Miranda e o atacante Éder foram contratados pelo São Paulo nos últimos dias. Tiquinho Soares também foi sondado pelo clube do Morumbi. E ainda há a chance de Alex Teixeira desembarcar por aqui nas próximas semanas. Além de terem passado por clubes importantes do cenário europeu e de terem disputado várias edições da Liga dos Campeões, um outro fator une os cinco nomes acima: todos eles disputaram a última temporada do Campeonato Chinês.

E isso não é nenhuma coincidência. Há um motivo muito forte pelo qual o país mais populoso do planeta se tornou a principal fonte de reforços de peso para os clubes brasileiros na temporada 2021: sua situação econômica. A liga nacional que surpreendeu o planeta nos últimos cinco anos ao investir pesado (na compra de direitos econômicos e pagamento de salários astronômicos) para atrair estrelas acostumadas ao primeiro escalão do futebol do Velho Continente agora está pagando o preço da gastança desenfreada.

O Jiangsu Suning, atual campeão chinês e time que Miranda, Éder e Alex Teixeira defendiam até o ano passado, quebrou. O grupo que administrava o time (e que também é dono da Inter de Milão, na Itália) resolveu encerrar a operação para se concentrar no que é mais essencial… e lucrativo, claro. O Shandong Taishan (ex-Shandong Luneng e casa de Moisés e Róger Guedes) também está em situação financeira grave. Devido a atrasos no salário dos jogadores, o clube foi proibido de disputar a Liga dos Campeões da Ásia nesta temporada.

Só no ano passado, 16 times das três primeiras divisões do país fecharam as portas, a maioria deles devido a dívidas acumuladas e problemas financeiros. Em 2021, não há motivos para acreditar que esse número será muito menor. Ciente de que tinha um problema em mãos e que a bolha do futebol chinês estava prestes a explodir, o governo e a liga nacional já vinham impondo regras para tentar controlar a gastança irreal promovida pelos donos dos times. Desde 2017, todas as compras de jogadores são tributadas em 100% (o que significa que o clube precisa pagar em impostos o mesmo valor que gastou com os direitos econômicos do reforço). E, no ano passado, entrou em vigor um teto salarial de 3 milhões de euros (R$ 20,2 milhões) por ano.

Jogadores que assinaram seus contratos atuais antes de 2020 ainda podem receber acima desse valor. Mas quem for renovar seu vínculo já precisa se adequar à nova realidade financeira chinesa. Esse é um dos motivos pelos quais Hulk decidiu ir embora da China. Desde 2016 no Shanghai SIPG (agora Shanghai Port), o atacante ganhava algo em torno de 16 milhões de euros (R$ 107,5 milhões) por temporada. Como seu contrato chegou ao fim em dezembro, ele teria de aceitar um corte de mais de 80% nos ganhos se continuasse por lá. No Atlético-MG, o atacante está faturando até menos (cerca de R$ 1,2 milhão por mês), mas pelo menos está no seu país natal, perto dos amigos e familiares.

Outros brasileiros importantes que hoje atuam na China irão passar por processos semelhantes nos próximos anos e, por isso, talvez retornem ao país. O contrato de Renato Augusto (Beijing Guoan) termina no fim desta temporada. Os acordos de Paulinho e Talisca (Guangzhou FC), em 2022. Dos principais astros do futebol oriental, aquele que por mais tempo ainda deve permanecer lá é Oscar. O meia renovou com o Shanghai Port pouco antes do teto salarial entrar em vigor e, por isso, está amarrado ao clube até 2024.

Luciano em treino do São Paulo — Foto: Divulgação São Paulo

1 COMENTÁRIO

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