Análise: São Paulo faz pior jogo com Crespo, mas luta com cara de Libertadores deve ser valorizada

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GloboEsporte

Eduardo Rodrigues

Tricolor empata com Racing, na Argentina, mas continua na liderança do Grupo E do torneio.

A euforia com o início arrasador de Hernán Crespo no São Paulo foi contida, pelo menos por um momento, após o empate por 0 a 0 com o Racing, na Argentina, na última quarta-feira, pela terceira rodada do Grupo E da Libertadores.

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Os titulares do Tricolor fizeram a pior partida sob o comando do treinador desde que ele foi contratado. Se nos demais jogos o meio de campo funcionava como uma engrenagem e os alas eram os principais destaques da equipe, na quarta foi completamente diferente.

Diante de um Racing que vive grande pressão na Argentina e que podia ter seu treinador demitido em caso de derrota para o São Paulo, a equipe de Crespo não conseguiu jogar e abusou dos erros individuais.

Benítez e Daniel Alves que vinham sendo os principais jogadores na Libertadores erraram praticamente tudo. Liziero, que vinha em uma crescente nas últimas partidas, foi o pior do jogo.

Hernan Crespo em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOL

Hernan Crespo em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOLhttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

E, por incrível que pareça, logo no início da partida o São Paulo deu indícios de que seria mais uma vitória tranquila. Aos sete minutos, Reinaldo cruzou rasteiro para dentro da área, Pablo fez o corta-luz e Luciano bateu de primeira para grande defesa de Arias.

Mas depois disso o Tricolor viu seu meio de campo ser dominado e a outra boa chance aparecer apenas aos 40 minutos, em cobrança de falta de Daniel Alves no travessão.

Leonardo Lourenço e José Edgar de Matos analisam o empate do São Paulo com o Racing

A reação de Hernán Crespo ao fim da etapa inicial foi o resumo do descontentamento do treinador com o que foi apresentado nos primeiros 45 minutos. Imaginou-se, então, mudanças na equipe. Mas Crespo voltou com a mesma formação.

E o que já estava ruim só piorou nos primeiros 15 minutos da etapa final. Aos sete minutos, Luciano foi substituído com dores na coxa. Aos 14, foi a vez de Daniel Alves deixar o campo com o mesmo problema – ambos devem ser avaliados no retorno ao Brasil, nesta quinta.

Daniel Alves em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOL

Daniel Alves em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOL

Foi neste momento que entrou no El Cilindro, estádio do Racing, o espírito de luta dos jogadores do São Paulo. Sem dois dos seus principais jogadores, o Tricolor caiu ainda mais de rendimento, mas demonstrou entrega, algo que vem sendo habitual no time de Crespo.

Em um jogo de muito contato físico, a equipe brasileira não se intimidou e entrou no “jogo de Libertadores”. Por um instante até exagerou um pouco e deu margem para o árbitro entender a entrada de William, aos 34 minutos, como lance para expulsão (houve exagero).

A equipe jogou 15 minutos com um a menos e se segurou.

– Eu acho que foi um jogo muito complicado, mas acredito que o time jogou. Faltou precisão, mas o time lutou. Quando você vem em um estádio assim, contra um rival assim, você tem que lutar, e o São Paulo lutou – afirmou Crespo.

Como na frase dita por Crespo em sua apresentação e que virou decoração no vestiário do Morumbi “donde no llegan las pernas va a llegar el corazón” (aonde não chegam as pernas, vai chegar o coração), o São Paulo vai mostrando que quando não se vai na técnica, vai no coração.

Essa máxima pode levar o São Paulo longe na competição, mas precisa abrir o olho para não se perder diante de um calendário caótico.

Uma nota à parte

Em meio a um jogo complicado e de muitos erros individuais, o destaque positivo foi Miranda. O zagueiro comandou o sistema defensivo, ganhou praticamente todas as disputas com os zagueiros do Racing, seja por cima ou por baixo, e foi eleito o melhor jogador da partida.

Miranda em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOL

Miranda em Racing x São Paulo — Foto: Staff images /CONMEBOL

O capitão do Tricolor, aos 36 anos, retorna ao Brasil e ao São Paulo após dez anos atuando em altíssimo nível. Após uma atuação segura contra o Corinthians e uma partida de gala diante do Racing, ele crava sua vaga no time titular de Crespo.

Fica para Arboleda, Bruno Alves e Léo brigar pelas outras duas vagas. Porque uma já ficou claro que tem dono.